PRLOGO....
Muito bem., essa  mais uma das fics fora da srie Prometeu, mas eu
acho que d para entender a histria por este pequeno resumo:
Sirius Black tem um irmo vampiro. Seu nome  Caius Black e ele foi
vampirizado aos 20 anos quando Sirius tinha 13 e estava em Hogwarts.
Isso pode ser conferido em "Harry Potter e a Aliana Sangrenta". Mas
como isso aconteceu, sabendo-se que Caius foi um dos primeiros alunos em
sua poca e monitor da Grifnria, depois monitor chefe?
 isso que ele vai explicar para Harry, que s para situar vocs,
nesta fic est com 25 anos, trabalhando como Auror, no meio de uma
misso em Nova Iorque.
Esclarecidos estes pontos, vamos  fic...
Nota da autora: este universo vamprico foi criado por  Silvia
Rodrigues para a fic "Os amigos esquisitos de Sheeba", e completado por
mim em "Aliana Sangrenta"  que por sua vez foi livremente inspirado
por vrias outras fontes. No se trata de plgio, mas de uma
imagem quase de domnio pblico. Homenageei alguns vampiros famosos
do cinema dando a alguns personagens sua aparncia, so facilmente
reconhecveis o Nosferatu do filme de 1920 e o Dracula de Bela
Lugosi...mas h outros tambm, divirta-se procurando-os pela fic.
Notas: A personagem Virginie Vermont  livremente inspirada no John
Constantine dos quadrinhos da DC Comics.
Azazel e Salathiel so realmente nomes atribudos respectivamente a
um anjo e dum demnio.
No captulo 10, o duelo entre Harry Potter e o Demnio foi inspirado
em algo semelhante que aparece na srie Sandman, de Neil Gaiman, mais
precisamente no episdio "Uma esperana no Inferno"


COMO PERDER SUA ALMA
HARRY POTTER ENCONTRA CAIUS BLACK
Fanfic de Aline Carneiro.

CAPTULO 1 - MALDITA NOVA IORQUE.
        Hotis, hotis, hotis... cada um mais vagabundo e sujo que o
outro... tudo bem que aurors devem estar preparados para tudo... mas
assim j era demais. Harry olhou-se no espelho e jogou gua no rosto
recm barbeado. Uma barata o contemplava balanando as antenas
alegremente pousada num dos azulejos da parede.
- Se voc soubesse do que  capaz um avada kedavra no estaria
a toda serelepe na minha frente. - ele disse olhando para ela -
Cus, estou falando com uma barata... deve ser a convivncia com Mr
Sandman e O Demolidor.
Mr Sandman e O Demolidor eram dois de seus superiores, agentes
disfarados capazes de transfigurao total, ou seja capazes de
mudar a forma do rosto e do corpo sem auxlio de poo alguma. Era
uma magia poderosa e difcil de se executar, portanto eles deviam ser
respeitados, apesar das suas inmeras esquisitices...
Mr Sandman gostava de ser contatado atravs de msica. J fizera
entre outras coisas, Harry cantar "Singin' in the rain" em pleno deserto
de Mojave, "Y-M-C-A" no porto de Dublin e "I will survive" em uma boate
em Londres... nesta mesma misso ele transfigurara Harry como uma drag
queen e o largara com essa trasfigurao dificlima de se desfazer
no meio de uma rua... pelo menos depois disso Harry melhorara em
transfigurao pessoal, que nunca fora seu forte.
Como se fosse possvel, O Demolidor conseguia ser ainda mais doido.
Ele era um admirador de esportes radicais, daqueles que adoram estar
sempre prestes a quebrar o pescoo... ele gostava de marcar encontros
em lugares inusitados e nada divertidos, como dentro de uma fbrica de
caldeiras, no alto de um tanque de leo, num reservatrio, pendurado
num prdio de cinquenta andares... e sempre aparecia de cabea para
baixo, e exigia que Harry fizesse o mesmo... mas, como ele mesmo dizia,
seus contatos eram "coisa de macho  e nunca essas bichices do Sandman".
Mr. Sandman e o Demolidor no se davam, e sempre faziam de tudo para
esculhambar um com o outro... chegava a ser divertido. Na ltima festa
anual dos Aurours, eles haviam feito uma disputa de azaraes que
mandara ambos para o St Mungos, com furnculos, cogumelos brotando dos
ouvidos e chifres nascendo em lugares nada agradveis para se ter um
chifre espetado... depois de uma bronca incalculvel do presidente da
Associao, eles estavam mais serenos um com o outro.
Sandman o chamava de Vassoura, O Demolidor o apelidara de Pulguento... e
ele mal ou bem se dava bem com ambos;  numa misso comandada por Mr
Sandman, ele derrotara o Camaleo, um bruxo que comeara a instaurar
um certo pnico na comunidade mgica, e que posteriormente
descobriu-se ser nada mais nada menos que Lcio Malfoy, pai de Draco e
antigo comensal da morte, que no hesitara em quase matar o filho para
conseguir mais poder.
Isso fora h mais de um ano... Harry agora era pai de um bebezinho de
seis meses, Abel Fischer Potter, que era um retrato fiel de Harry a
no ser pelos olhos, cor de mel como os de Willy, sua mulher, que por
acaso era neta do falecido Lord Voldemort, e ltima descendente de
Salazar Slyterin, como ele era o ltimo descendente de Godric
Griffndor. Seu filho era primeiro descendente a juntar o sangue de dois
dos fundadores de Hogwarts, o que na prtica, para ele, no tinha
grande diferena.
O importante para ele, era que ele e Willy se amavam e tinham o filho
mais lindo do mundo, e ele estava morrendo de saudades de ambos.
Pensando nisso, foi at sua mala e retirou algo que ele comprara no
ano anterior, quando Willy estava grvida e ele sentia saudades dela.
Um espelho comunicante.
O espelho parecia um espelho comum, mas ele refletia exatamente o que
outro espelho, do outro lado do oceano via... um espelho que estava na
cabeceira da cama de Willy. Harry ficou olhando para ela dormindo,
risonho. Sentiu uma vontade louca de acord-la, mas olhando o
relgio, viu que era o meio da madrugada em Hogsmeade... no era
justo acord-la, com certeza. Mas ficou olhando para ela dormindo com
um sorriso nos lbios por um tempo. Ento guardou o espelho e
resolveu sair para seu trabalho daquela noite.
Trinta minutos depois, olhava o relgio. Estava no alto de um prdio
de 50 andares, com vista para a grande obra que faziam adiante para
reconstruir o WTC, destrudo h alguns anos, aparatara no terrao.
Era a hora marcada, o lugar marcado... agora faltava a parte mais
difcil... o contato. Conjurou uma corda e amarrou num dos ps,
depois amarrou num cano, bem ao seu alcance. Olhou para os lados... face
norte... olhou para o cu e viu a lua, cheia, imensa sobre Manhattan
iluminada, eram 23 horas de uma noite seca de outono. Foi andando em
direo  face norte e apontando a varinha para si disse:
- Lusco sombrius! - Harry tornou-se uma espcie de sombra escura,
fundamental para passar desapercebido na etapa seguinte do processo.
Observou que as cordas estavam bem presas (mas no faria diferena
se casse, estava com a sua velha roupa protetora, presente de sua
madrinha). Ignorando o vento gelado, debruou no parapeito do
terrao e pulou.
Harry demorou um minuto procurando acostumar-se com a horrenda
sensao de estar preso de cabea para baixo a muitos metros do
cho, meio invisvel e pendurado em uma corda... foi quando ouviu
uma voz.
- Voc est exatamente trinta e cinco segundos atrasado.  - olhou
para o lado e viu uma outra sombra como ele, parecida com um fantasma
negro, no dava para saber que transfigurao exatamente ele
estava usando, mas era de um corpo bem grande... era o Demolidor.
- Eu ainda no entendi o sentido prtico dessa sua forma de fazer
contato.
- No  prtico, mas  muito divertido.
- Fale por voc mesmo... qual a misso afinal?
- Algo, digamos assim, inusitado.
- E voc pretende me ajudar ou como sempre vai sumir?
- Voc sabe que eu no posso participar de misses longas, vim
aqui s para passar seu servio. Devia me agradecer, afinal, voc
 muito mais elogiado quando trabalha comigo que com o panaca lfico
que chamam de "Sandman"... isso  codnome de bichona.
- Porque voc usa esses termos trouxas? Nenhum bruxo chama o outro de
bichona...
- Isso no importa... eu aprendi essa com meu sogro. Mas vamos falar
da misso, certo?
- Certo - suspirou Harry - rpido porque meus ps esto ficando
dormentes...
- Que bichinha...
- Cala a boca, Demolidor.
- Ok. Estamos numa misso de colaborao...
- Com quem?
- Com a famlia.
- A famlia?
- Sim... os vampiros... bons - Harry sentiu que ele falava isso com
extremo desagrado.
- Os que no matam?
- Eles mesmo, embora eu no os ache confiveis, at a irmandade os
respeita...
- Eles nunca deram problema antes, no  mesmo?
- Exatamente... mas eles pediram ajuda a ns e a irmandade. Parece que
tem algum... matando-os.
- Porque algum mataria vampiros inofensivos?
- Essa  sua misso. Descobrir porque.
- Tem algo mais consistente?
- Bem, a primeira vtima se chamava Lenny Armand, era uma vampira que
cuidava de moda, assistente de Liza LionHeart... vc a conhece?
- Liza  amiga de minha madrinha.
- Perfeito. Alm dela, mataram  Bruce Weaberson, Marshall Brooks e
Layla Lestat... todos eram vampiros com mais de 150 anos, que no
faziam vitimas fatais, um perfil tpico dos da famlia... voc
sabe como eles agem...
- Vagamente, sei que sugam apenas um pouco de sangue sem matar.
- Perfeitamente... eles so diferentes dos vampiros da Aliana...
- Que matam e vivem passando uns aos outros para trs, mas nunca se
metem com a famlia porque j tm problemas demais com a
irmandade.
- Exato.
- E o que eu preciso fazer?
- Bem, existe um suspeito que jura inocncia... mas ele  malvisto
pelas duas correntes. Eles se auto denomina "O nico"
- Seria Caius Black?
- O prprio.
- Eu o conheo... ele  irmo de meu padrinho.
- Eu sei disso - o louco disse mau humorado.
- E o que voc quer que eu faa?
- Ele pediu para conversar com um de ns, prometeu dar
informaes... ele deve saber quem est matando os vampiros.
Conhece uma casa noturna chamada "The Bay Way"
- Eu passei por ela ontem,  aqui mesmo em Manhattan, certo?
- Isso. Voc tem um encontro hoje  meia noite nela, com Caius
Black, ele prometeu contar a voc tudo que sabe sobre os assassinatos.
- Numa casa noturna? Como voc espera que eu escute o que ele diz?
- Escute, ele  um informante... no vamos contrari-lo, por
enquanto. Pelo menos ele no marcou encontro num lugar tpico de
vampiros, ok?
-  Ok, ok... mais alguma coisa?
- Sim, mantenha a prata em dia....
- Tenho tudo contra vampiros sob esta capa, voc no conhece a
parania do meu padrinho em relao a essa cidade... a maldita
Nova Iorque dos vampiros.
- Acredite, eu sei o que ele quer dizer com isso. Bem, pulguento...
pronto para o grande momento?
- Pronto... essa  a parte que eu mais odeio.No trs?
- Certo. Um,
- Dois..
- TRS! - disseram juntos e romperam as cordas que os prendiam ao
terrao do prdio. Gritaram enquanto caam 50 andares at o
cho, onde, ambos vestidos com roupas protetoras, balanaram um
pouco e caram depois de amortizada a queda...o louco aterrissou bem
em cima de um mendigo que fuava uma lixeira.
- EI! - disse o mendigo olhando as duas sombras - Meu Deus, almas
penadas! Socorro! - ele saiu correndo e o Louco ps-lhe um feitio
simples de memria para ele no lembrar porque gritava. Olhando para
os dois lados da rua deserta, eles voltaram a ser visveis.
- Maldita Nova Iorque - disse o demolidor, olhando para os lados -
voc no imagina como eu acho essa cidade maluca...bem, adeus e boa
sorte. Foi divertido cair do prdio contigo...
- No consigo compartilhar desta opinio, mas tudo certo - disse
Harry imaginando onde ser que o outro conseguira uma roupa protetora
idntica a que ele usava, invisvel e perfeita para quem costuma
cair de prdios.
- Informe o agente local assim que tiver informaes concretas...
- Ok!
- Adeus - disse o Demolidor, desaparatando.
        Harry virou-se enfiando as mos nos bolsos, e foi andando pela rua
deserta, na direo da casa noturna onde encontraria Caius Black.

CAPTULO 2 - THE BAY WAY
        Na frente da boate, as pessoas se espremiam para tentar entrar. Harry
imaginou porque diabos ele se enfiaria numa casa noturna cheia de gente,
com um letreiro em non verde, rosa e azul, cheio de coqueiros, para
falar com um vampiro. Aquilo no tinha cara de coisa de vampiro,
decididamente.
        Para evitar o tumulto da entrada, Harry tirou ligeiramente a varinha do
bolso e mexeu, apontando na direo do que parecia ser o chefe de
portaria.
- Hipnoticus! - murmurou baixo e automaticamente o homem olhou para ele
como quem o reconhecesse. Ele sorriu e disse:- eu tenho reserva. Harry
Potter
- Claro, senhor Potter... - o homem disse, abrindo paasagem para ele. Um
trouxa replicou:
- Eu achava que esse clube no aceitava reservas...
- Eu sou cliente preferencial. - disse Harry com um sorriso maroto,
passando pela porta aberta.
        Por dentro, a casa era to ferica quanto podia ser uma casa
noturna da moda, a msica era ensurdecedora, alta, repetitiva... gente
de todo tipo danava enquanto as luzes piscavam, para Harry no era
um ambiente agradvel. Ele olhou a volta do salo, onde havia mesas,
a maioria cheia de gente falando entre si aos berros, alguns
sacudindo-se na cadeira. Ento, ele achou Caius Black.
        O vampiro estava sentado numa mesa bem ao canto do salo, que parecia
ser o nico lugar onde no piscavam luzes estroboscpicas...
continuava branco como a neve, de culos escuros, vestido todo de
preto, sua pele parecia brilhar ligeiramente ao tom da luz meio azulada
que o iluminava. Ele tinha diante de si uma espcie de taa , onde
havia um lquido denso, vermelho, aparentemente grosso. Harry sentiu o
estmago dar uma volta... no era possvel... Caius Black passava
o dedo displicentemente pela borda do copo, quando, com a mo oposta
fez um gesto para ele, chamando-o para a mesa.
-  apenas um bloody mary, Harry - ele disse, sem olh-lo assim que
Harry sentou-se - eu preciso encenar para parecer gente normal... acho o
bloody mary uma nota..potica - ele sorriu tirando os culos escuros
e seus olhos azuis cintilaram com uma nota de ironia.
- Voc no espera realmente que eu consiga escut-lo no meio dessa
balbrdia?
- Que espcie de bruxo  voc, Harry? Nunca te ensinaram a fazer
um feitio quietus habitat em Hogwarts? - o sorriso de Caius se
alargou, tornando-o extraordinariamente parecido com Sirius, seu
irmo.
- Quietus Habitat, Harry Potter e Caius Black - conjurou Harry baixinho
e repentinamente foi como se o som tivesse sido desligado. A partir
daquele momento, ele s ouviria Caius e Caius apenas a ele. Encarou o
vampiro, que continuava sorrindo irritantemente.
- Eu mesmo conjuraria...mas voc sabe, no sou mais um bruxo...
- No precisa me dizer isso.
- Talvez voc se pergunte porque o Bay Way... bem, eu queria
despistar, nenhum vampiro decente entraria num lugar cheio de motivos
tropicais pendurados na parede... ainda bem que eu no sou um vampiro
decente.
- Caius... pare de me enrolar, eu quero as informaes...
- Se eu fosse voc no teria tanta pressa, jovem... minha boa
vontade  to oscilante quanto a minha personalidade, por isso
ningum costuma confiar no que eu digo, dizem que eu mudo de idia
rpido demais, at mesmo para um vampiro... e eu tenho me sentido
estupidamente s... ningum interessante para conversar.
- E a sua companheira, Artemis?
- Ah, Artemis no conta, ela concorda com quase tudo que eu digo...
ela  um pouco perigosa, tenho que viver cuidando dela, porque seno
ela sai matando tudo que v pela frente... nunca conheci uma vampira
to faminta...
- Onde ela est?
- Eu a emparedei - ele disse como se estivesse falando que a deixou na
aula de ballet - sabe,  para o prprio bem dela, no deixo-a
caar sozinha, ela s deixa o alimento vivo quando est comigo...
e no quero mais escravos.
-  por isso que voc no mata?
- E s por isso... no me tornei um vampiro bonzinho, s no
quero ter um bando de escravos idiotas que vivem vamipizando mendigos e
me dando dor de cabea. Alis essa noite eu ainda no me
alimentei...
- Nem pense em contar comigo...
- Quem disse que eu quero vampiriz-lo? Voc no renderia nada...
pelo menos no se eu o deixasse vivo.
- Isso  repugnante...afinal, do que voc se alimenta?
- Sentimentos, emoes...vida em geral. No de sangue. Imagine,
que pattico seria um vampiro com os dentes grudados numa bolsa de
sangue de um hospital... o sangue  apenas e to somente o
veculo. Observe... v o salo?
- Sim... vejo.
- Uma massa de emoes e sentimentos indistintos... muito
tentador...observe aquela garola ruiva. - Harry viu uma moa de uns 18
anos realmente linda, alta e de cabelos vermelhos longos e brilhantes. -
o melhor tipo de alimento - Caius Black riu, suas presas se projetando
ligeiramente - acredite ou no...  uma virgem. No venha atrs
de mim, por favor... prometo que depois digo o que voc quiser...
Ele levantou-se e rumou decidido para a pista de dana, mas sem
danar. Passou pela moa sem mesmo tocar nela, e ela olhando-o, foi
atrs, os dois sumiram na multido. Harry ficou atnito. Recebera
ordens de no contrariar Caius... mas se ele matasse a moa? Se a
vampirizasse a ponto de mat-la? Quando Caius se levantara, rompera o
feitio de quietude e agora a msica o ensurdecia... era difcil
at pensar, porque sempre estava sozinho quando o metiam neste tipo de
furada?
Mas no demorou sequer dez minutos para Caius voltar, segurando a
moa, que parecia entorpecida, pela mo. Quando chegaram ao ponto
onde antes ela danava, ele beijou-lhe a mo e sorriu, e ela pareceu
voltar ao normal. Ele sorriu e deu-lhe as costas, voltando diretamente
para a mesa onde Harry o esperava.
- Por favor...refaa o feitio... todo esse barulho me incomoda. -
Harry refez o feitio e Caius o olhou rindo.
- No teve graa nenhuma... o que voc fez com ela?
- Algo que vai faz-la se revirar nos sonhos mais profundos para o
resto da vida - ele deu uma risada - nada que ela no quisesse que
fosse feito... eu roubei um pouco da sua energia ertica, jovem... ela
 estrangeira e virgem, est na cidade a passeio... Sonja,  seu
nome... nunca esqueo um nome. Muita sorte, achar uma virgem de 19
anos em Nova  Iorque
- Mas... o que voc faz?
- Literalmente? Uma pequena seco na veia sublingual, discreta,
imperceptvel... sugo sangue por dois ou trs segundos enquanto as
emoes mais profundas dela passam para mim... depois, ela no se
lembra de quase nada... a no ser de um beijo num homem muito
charmoso, com quem ela vai fantasiar...por muito tempo - ele riu de uma
forma meio maligna - No d tanto prazer quanto esgotar a vida de um
ser humano, mas serve... digamos que eu esteja de dieta, jovem.
- Vocs realmente so horrveis...
- No... no somos. Somos os seres mais charmosos do lado das
trevas... somos bonitos e limpos... no somos feios como zumbis,
malcheirosos como errantes, desagradveis e gelados como os
dementadores. Para quem no nos conhece somos bastante sedutores... eu
especialmente.
- Me disseram que voc era convencido, mas acho que voc ainda 
pior que isso.
- Escute... voc j viu um filme trouxa de vampiros?
- Uma vez, h uns quinze anos, talvez...
- Bem, eu sou exatamente tudo que se espera do esteretipo de um
vampiro. Maligno, branco, cabelos negros, olhos azuis... s falta a
capa de forro vermelho.  Por isso desde que comecei eu sempre me dei
to bem como vampiro... s fracassei em uma coisa, mas isso agora
no  importante.
- Escute, Caius... eu no vim aqui para ouvir voc enumerar suas
qualidades... eu tenho um caso srio para resolver entende? Eu preciso
descobrir quem  o assassino. No tenho tempo para as suas...
- Eu sei quem  o assassino.
- Hein?
- Eu sei - ele disse calmamente. - e sei porque ele est matando.
- Ento me diga! No fique enrolando.
- Bem... antes pea uma bebida para voc, relaxe... dizem que o
daiquiri daqui  muito bom... eu vou te dizer, mas antes preciso de um
ouvinte... hoje eu estou a fim de contar minha histria.
- Mas...
- Voc quer ou no peg-lo?
Harry encarou o vampiro e pediu um daiquiri ao garon. Caius Black
abriu um sorriso grande e sincero, e serenamente comeou sua
histria.

CAPTULO 3 - A NOITE DOS  DESERDADOS - MORPHEUS BLACK
        Sempre que se conta nossa histria, nos somos cruis e desalmados e
os caadores de vampiro so sempre bons e virtuosos... bem, isso
no corresponde  verdade sempre, acredita? Est certo que no
temos alma nem respiramos... mas a maioria de ns, a grande maioria,
ainda tem um corao. Isso pode parecer um clich, mas  a mais
pura verdade, ningum d um vampiro melhor que um sujeito de
corao partido, porque vampiros so todos romnticos, mesmo
quando esto com as presas sujas de sangue e a aparncia de uma
fera.
        Quanto aos caadores... resumidamente falando, estou neste ramo h
mais de trinta anos, e conheci alguns que voc no deixaria sequer
passar pela soleira de sua porta. Sujeitos arrogantes, muito orgulhosos
do sangue do velho Van Helsing nas veias, mas que sequer olhavam para
dentro de sua prpria casa, muitos extravasam suas psicoses tendo
licena para acabar com os vampiros, exatamente como dizem que foi o
velho Van Helsing, cujo sangue conseguia matar um vampiro... no foi
 toa que as famlias Van Helsing e Black se tornaram co-irms...
os dois patriarcas eram muito parecidos.
        Conheci Morpheus Black bem depois que me tornei um vampiro, e o admirei
muito... tudo bem, que ele atravessou o meu caminho e eu fui obrigada a
tra-lo, mas isso faz parte da trajetria de um vampiro. Ele
tambm cometeu suas traies. Ningum nunca o perguntou porque
ele se tornou um vampiro. Apenas o acusaram, dizendo que ele fora uma
aberrao e se revoltara com isso, mas eu sei a verdade. Morpheus
Black se tornou um vampiro porque nunca foi amado nem aceito.
        Imagine o misto de dor e vergonha de ser um aborto? Nascer trouxa no
meio de uma famlia de bruxos tradicionais... ainda ter a aparncia
de um semimonstro... Morpheus foi o vampiro mais feio que j conheci.
Ele no tinha um nico fio de cabelo, era branco, tinha olheiras
profundas e olhos sampaku, desses que lembram olhos de peixe morto.
Alm disso tinha orelhas meio pontudas e mos em garra. E ele me
garantiu que tinha essa aparncia quando era um humano .
        Os pais o escondiam, afinal, havia o irmo mais velho e a irm
menor, ambos bruxos geniais... procure-os um dia em "Hogwarts, uma
histria" ambos esto l: Thelonios e Lisandra Black... que depois
se casou com um Potter, sabia? Mas a pobre Lisandra morreu muito jovem,
ela protegia o irmo dos pais, mesmo assim,  Morpheus perdeu toda a
identidade com a famlia e se refugiou entre os trouxas. Ele
trabalhava como fotgrafo, que era o mais prximo de magia que havia
no sculo XIX. Em pouco tempo, era o fotgrafo mais aclamado de
Londres.
        Mas a comunidade mgica o desprezava... afinal ele no se comparava
ao primeiro fotgrafo bruxo, que inventou o encanto e a poo que
faz as fotos bruxas se moverem. Era um espinho no peito de Morpheus essa
vida renegada, ele no era parte de nada, no se sentia trouxa nem
bruxo... no era nada.
        Uma tarde, um homem entrou em seu estdio com uma moa, que era sua
noiva... o nome da moa era Wilhemina... voc conhece bem esse nome,
no, Harry Potter? Ele queria uma recordao de sua amada, uma vez
que ia partir para uma mensagem numa terra distante. O nome deste homem
era John. E ele voltou muito mais tarde do que imaginava... e antes dele
veio outro, atrado pelo rosto impresso na foto tirada por Morpheus:
Vlad Tepes... o milenar Dracula.
        Morpheus no entendeu muito bem o que aquele homem queria... naquela
poca no era muito fcil nem barato tirar fotografias, mas o
homem estava disposto a pagar muito para ter quantas imagens de Mina
pudesse, pagava bem, adiantado e em dinheiro. No que Morpheus fosse
mercenrio, mas ele ento era humano. Dracula vinha todas as noites
e sempre trazia a moa em transe, a discreo de Morpheus em no
fazer perguntas sobre isso fez com que o vampiro confiasse cada vez mais
no fotgrafo.
        Ento, uma noite, Vlad apareceu sozinho, Morpheus estava num mau
momento. E Vlad comeava a ser notado, precisaria fugir de Londres
antes que o velho Van Helsing o achasse... foi ento que ele confessou
sua natureza para o amigo. Ele no queria vampirizar Morpheus porque
sabia que ele era da famlia bruxa mais tradicional do oeste
londrino... fazia pouco tempo que Lizandra Black havia morrido, e isso
rompera de vez a frgil relao de Morpheus com a famlia...
este sentia-se mais uma aberrao que nunca. Ele se props a
ajudar a fuga de Dracula de Londres.... mas pediu o presente em troca.
        O presente... tornar-se um vampiro puro, um vampiro por escolha...
beber o sangue de um grande mestre vampiro e morrer sem ter seu sangue
sugado. Um vampiro nascido desta forma  dez vezes mais forte que
aquele que nasce depois de servir de alimento a outro vampiro. Na noite
em que Morpheus se tornou um vampiro e Dracula fugiu de Londres, o velho
Van Helsing pediu ajuda a Thelonius Black, ironicamente sem o
conhecimento que o irmo mais novo deste tornara-se um vampiro puro.
Mas Thelonius sabia que seu irmo procurara Vlad, e queria salvar sua
alma antes que ele fizesse sua primeira vtima.
        O filho mais velho de Van Helsing e Thelonius ficaram em Londres
combatendo os vampiros nefitos que Vlad deixou para trs. Van
Helsing foi atrs do velho mestre... e a guerra comeou. Ns, os
vampiros, chamamos a noite de dezoito de dezembro de "A noite dos
deserdados", pois foi nesta noite que Thelonius e Jon Van Helsing
primeiro acabaram com mais de cem vampiros em Londres... sobraram apenas
os quatro grandes.
        Morpheus Black, Alphonse Etoile, Hermany Limoge e o jovem nefito
Sirius Theodore Black... a primeira vtima de Morpheus. No momento do
grande confronto entre os dois irmos, o jovem Sirius saiu das sombras
e revelou ao pai a terrvel verdade. Ele fora convencido pelo tio e se
deixara vampirizar. Thelonius no teve coragem de matar o prprio
filho... mesmo que para salvar a alma do rapaz. Na noite dos deserdados,
quatro grandes caixes lacrados foram despachados para a Amrica.
Morpheus deixou para trs um tmulo no cemitrio da famlia, com
uma funesta gravao: "Um dia estaremos todos juntos..." Ele
lanou a maldio dos vampiros.
        Morpheus prometeu transformar em vampiros toda a descendncia
masculina dos Black... em respeito a memria de Lizandra, deixou de
fora as mulheres, que sob sua proteo eram intocveis. Thelonius
soube disso, e quis livrar o filho restante da maldio. Recm
chegado da Transilvnia, Van Helsing deu a soluo. Um anel de
prata, fundido por um ourives bruxo, um anel mgico contendo em um
invlucro de cristal, em trs partes iguais o sangue de um Black, o
sangue de um vampiro e sangue imune de um Van Helsing.
        O sangue de um Black faria o anel intransfervel. O Sangue imune,
tornaria aquele que o portasse invulnervel... e o sangue de um
vampiro, dado de boa vontade, alertaria o portador para a presena ou
a proximidade de um vampiro... mas como fazer um vampiro ceder seu
sangue de boa vontade?
        A soluo foi das mais inusitadas... lembra que eu te disse que
ningum  melhor vampiro que um sujeito de corao partido?
Sirius Theodore... bruxo brilhante de vinte e dois anos, fora impedido
de casar-se com uma jovem, tudo porque ela era trouxa... mas a jovem
no o esqueceu. Alm de trouxa ela era pobre, e procurou o velho
Thelonius para saber o que acontecera com seu amado.
        Thelonius  tido como um heri, mas fez algo muito sujo. Ele levou
a moa para a Amrica e a deu como moeda de troca para o filho... e
trouxe o frasco com o sangue de um vampiro, dado de boa vontade....
juntou ao seu sangue e ao do velho Van Helsing para fazer o anel dos
Black. O outro filho passou a us-lo, e se props a vir para a
Amrica para matar os vampiros e acabar com a misso.
        Amrica. O melhor lugar para um vampiro viver. Aqui ningum repara
muito no que os outros fazem, e j havia vampiros aqui bem antes dos
quatro grandes... pelo menos um estava no sul organizando uma sociedade
deles com regras de sobrevivncia e convivncia com os sangue
quente: a famlia.
        Hans Hagen vampiro antigo, descobriu que um vampiro podia sobreviver
sem matar, e manteve ao seu lado vampiros supostamente pacficos que
se contentavam em apenas se alimentar de parte da vida e dos sonhos dos
sangue quente... ele mandou um emissrio a nova Iorque para falar com
os quatro grandes... e a Amrica foi dividida. Ao sul, os vampiros da
famlia, os que no queriam matar... aqueles que queriam manter-se
em pequeno nmero.
        Ao Norte, a Aliana... os vampiros dos quatro grandes, aqueles que
matavam e morriam com mais facilidade. Aqueles que no tinham vergonha
de bater no peito e dizer: "Sou um ser das trevas, aceite-me ou
no..." E por mais de cem anos seria assim, conturbado, inquieto,
violento... o cl da Aliana era o lar das traies... nunca
nenhum vampiro, tirando Morpheus, foi importante na aliana por mais
de trinta anos... os que estavam abaixo dele o traam, e ele caa.
Os que estavam por cima, oprimiam os que estavam por baixo... at que
eu me tornei um dos quatro grandes tomando o lugar de Morpheus...
        Mas antes de saber sobre isso,  importante esclerecer o que
aconteceu com os Black restantes... um anel, que ficou para Nemo Black,
filho de Thelonius... uma imensa fortuna, e em pouco tempo, os Black
estavam unidos com os Van Helsing para acabar com os vampiros da
Aliana. Thelonius tinha medo que toda sua descendncia se tornasse
vampira. E foi por isso que ajudou Van Helsing a fundar a irmandade, a
comear a fortuna que sustenta os caadores de vampiros at hoje.
E mandou seu filho para a Amrica, mas este no teve coragem de
matar o prprio irmo e retornou a Londres... vinte anos depois ele
mandaria os filhos, e um deles cairia diante de Morpheus... e assim
seria ao longo de cinco geraes, em que o anel passaria de mo em
mo e treze filhos dos Black se tornariam vampiros...  quando eu e
Lubna entramos nesta histria.

CAPTULO 4 - A FAVORITA DO IMPERADOR - LUBNA LEE

        Para entender porque eu me tornei vampiro,  preciso saber como eu
era quando era apenas um jovem bruxo. Durante meus anos em Hogwarts eu
era um timo aluno... e um perfeito ingnuo. No tenho vergonha de
dizer que eu era puro, na mais simples acepo deste termo. Em sete
anos minha nica preocupao foi me tornar o melhor bruxo que eu
pudesse ser.
        Eu me lembro bem da minha primeira infncia, antes do nascimento de
Sirius, eu era uma espcie de prncipe herdeiro. Meu pai dizia que
eu tinha o melhor de duas famlias de bruxos... e os olhos azuis de
minha me, Lady Lorenna Black. Isso me enchia de orgulho infantil. Eu
tinha seis anos quando as coisas comearam a se complicar.
        Meu pai no era o portador do anel. Seu irmo mais velho, que
tambm se chamava Thelonius, vivia em Nova Iorque e alm de ajudar
os Van Helsing, cuidava dos negcios comerciais da famlia Black.
Ele usava o anel, era o primognito. Eu tinha cinco anos quando ele
morreu depois de uma grande luta com os Black vampirizados...at
ento, o anel sempre fora garantia de vida... mas aqueles vampiros
no se conformaram porque o o jovem Thelonius no se entregou, no
retirou o anel, morreu com ele nos dedos... no mesmo dia que ele caiu,
caiu tambm um Van Helsing.
        Meu av foi a Nova Iorque resgatar o corpo... e ao retornar deu o
anel para o filho caula, meu pai, pouco antes de morrer. Aquilo gerou
cimes nos meus tios, que a despeito das splicas de meu pai, foram
para Nova Iorque, no queriam ficar perto do irmo. Essa mgoa meu
pai nunca superou, ser odiado por ter sido preferido.
        At ento, eu era o ltimo dos Black... meus tios eram solteiros
e sem filhos. Aquilo amedrontou minha me, que tinha medo de que
acontecesse algo comigo. Ela convenceu meu pai a ter um outro filho, ela
tinha esperana de nascer uma menina... mas quem veio foi Sirius,
assim batizado porque meu pai j o havia escolhido para ser o vampiro
da famlia, porque mais ele lhe daria o nome do vampiro que havia
matado seu irmo? Profundamente injusto, mas de acordo com as
concepes dele, ningum iria me superar.
        Sirius e eu percebemos isso... eu sabia que era mais bem tratado... eu
me lembro quando voltava de Hogwarts, sempre encontrava meu pequeno
irmo emburrado, porque meu pai passava dias e dias falando de mim...
Sirius odiava particularmente as atitudes de meu pai nos natais, quando
ele falava sem parar no irmo que morrera. Quando eu estava no sexto
ano e o inevitvel aconteceu com meus tios restantes, meu pai
comeou a olhar para Sirius como se esse j fosse um pequeno
vampiro. Quando eu estava por perto, eu o protegia, mas isso no
acontecia o tempo todo.
        Quando eu me formei, comecei a ajudar meu pai nos negcios... foi
quando ele me passou o anel. Eu tinha dezoito anos e nunca na minha vida
havia namorado ou mesmo gostado de uma mulher. No, eu no era
assexuado, mas nunca encontrara nenhuma garota que me despertasse algo,
porque era isso que eu almejava: uma grande paixo.
        Eu encontrei essa grande paixo em Nova Iorque. Eu me lembro da
primeira vez que a vi... estava recm chegado e John Van Helsing
tentava me ambientar. Ao contrrio de mim, ele era um incorrigvel
mulherengo, e dava em cima de toda e qualquer mulher que aparecesse,
era o incio dos anos setenta e tnhamos dezoito anos... foi
impressionante a velocidade com que eu perdi a inocncia influenciado
por ele.
        Era uma festa das muitas em que fui com John nos meus primeiros dois
anos de Nova Iorque... geralmente saamos destas festas com mulheres a
tiracolo, muitas vezes, mais de uma... enfim, como eu disse, eram os
anos setenta. Era a quarta ou sexta festa que eu ia, quando a conheci.
        Lubna era... diferente. Filha de chineses, alta, magra, um rosto que me
lembrava uma pantera ou qualquer outro felino, com seus olhos negros
puxados... mas ao contrrio de todas as outras mulheres que havia
conhecido, ela no tomou conhecimento da minha pessoa.
        - Ela estava conversando com um jovem recm formado em Havard e eu ao
v-lo de longe pensei: "aquela mulher maravilhosa no vai sair desta
festa com aquele banana, mas no vai mesmo... ela vai sair daqui
comigo." Eu me aproximei e fiquei prestando ateno na conversa...
e eles estavam falando de cincia... Eu comecei a achar graa na
conversa quando o rapaz disse, com total concordncia de Lubna, que a
fantasia  atrapalhava a evoluo da humanidade.
- Mas  lgico que voc est errado - eu intervi. No podia
ficar calado diante daquele babaca.
- Perdo? - ele me olhou como se eu fosse uma lacraia inoportuna... eu
dei um meio sorriso e disse:
- A fantasia faz a existncia mais interessante... olhando para voc
eu posso dizer que no entende nem um pouco de fantasia.
- Pois se no fosse a fantasia o homem se voltaria mais para razo e
a cincia e evoluiria consideravelmente mais rpido.
- Quem precisa de cincia e razo? Aonde a cincia levou o
homem...  dependncia de mquinas.
- Me diga que voc no precisa de mquinas?
- Claro que no - voc sabe, no Harry? Nada ofende mais um bruxo
que depender de mquinas, concorda? - Eu vivo muito bem sem
mquinas.
- Obviamente voc no sabe o que diz... toda civilizao
ocidental depende de mquinas
- Nem toda, meu caro... voc no sabe os segredos que a
civilizao esconde de trouxas como voc - Harry, neste momento eu
cometi meu grande erro. No devia ter usado a palavra, entende? Para
ns  natural os trouxas serem trouxas....  Mas para eles no era
bem assim.... Lubna se sentiu ofendida com o sujeito que se meteu na
conversa entre ela e seu, humpf, noivo. E sumiu, arrastando o tal cara.
Eu no acreditei que ela preferiu a companhia do banana louro de
culos  minha. Afinal eu no sabia que nem todas as mulheres
estavam interessadas no meu papo convencional para fascin-las: dizer
que era um bruxo, que elas eram lindas, arrasta-las para a cama e
desaparatar para longe no dia seguinte. Achei que Lubna fosse me dar
mais trabalho que uma conquista como as de todas as noites.... mas no
desisti.
        Eu descobri algumas coisas sobre ela, inclusive que ela tinha sido
colega de faculdade do tal sujeito: ela era uma pesquisadora na rea
de fsica, a prpria expresso da razo. O que ela pensaria de
um bruxo? Eu no sabia mas estava cada vez mais disposto a descobrir,
e ela continuou fugindo das minhas investidas, no adiantaram flores,
nem doces... ento eu disse a John que usaria o ltimo dos truques
sujos: eu a impressionaria com magia.
- No faa isso, Caius... voc quer se meter em encrencas? - John
estava revoltado comigo... ele cansara de me tirar de enrascadas por ter
usado magia exageradamente contra alguns trouxas, inclusive seu irmo
Steve, de quem nunca fui muito f.
- O que tem demais? Aparatar de surpresa diante dela... conjurar
flores... no  como fazer brotar chifres na testa como fiz com
Steve.
- Voc est ficando obcecado por essa garota, Caius... voc vai se
dar mal.
- John... eu esperei muito tempo para conhecer as mulheres. Agora estou
viciado demais nelas para querer me prender a uma s.
        E foi assim que eu armei um plano para encontr-la a ss e fazer
uma conjurao irresistvel de flores a toda a volta.... feitio
flora, fazer cair uma chuva de ptalas de rosa sobre ela.
Impression-la a ponto dela ficar de queixo cado... eu a segui
depois do trabalho, numa grande indstria farmacutica, usando
inclusive o insuportvel metr e quando ela entrava no prdio onde
morava, eu, do incio da pequena escadaria de acesso conjurei uma
chuva de rosas vermelhas achando que a surpreenderia. Sabe o que ela
disse?
        - Belo truque, senhor Caius.... mas eu j lhe disse que no quero o
senhor andando atrs de mim. - Captou o que aconteceu? Alm de no
acreditar que fora uma mgica, ela ainda me esnobou mais uma vez...
estava se tornando uma questo de honra conhecer Lubna melhor. Resolvi
mudar de ttica, e nisso fui me afastando dos meus objetivos iniciais
aqui. As empresas de meu pai comearam a ter uma queda de rendimentos,
pequena mas expressiva... e eu fui chamado por ele para prestar contas.
        O que eu no imaginava,  que durante o curto perodo em que
estive em Londres levando broncas do meu pai, devidamente avisado por
amigos que o filho cercava uma trouxa como se fosse um idiota, Lubna
fosse sentir falta das minhas investidas inoportunas. Quando retornei a
Nova Iorque, decidido a esquecer as bobagens que acreditara ter feito,
descobri que ela perguntara por mim. Voc sabe que o progresso
estimula o avano. Mas faltava um elo na corrente que me prendeu a
Lubna Lee: faltava eu saber e admitir que estava apaixonado por ela...
        Isso no demorou a acontecer. Quando ela soube que eu tinha voltado
tornou a fugir de mim... e marcou o casamento com o brilhante trouxa de
Havard. Sim, se tornara srio. Eu soube que no a queria para uma
aventura de apenas uma noite... eu queria Lubna ao meu lado, eu a queria
para mim.... a simples idia de v-la casada com outro me
massacrava. Sim, porque quase um ano havia se passado desde que a
conhecera numa festa de sociedade. Eu conseguira atravs de vias
tortas, estabelecer conversas com Lubna que me fizeram conhecer o lado
inteligente e belo daquela mulher. E eu no pensava mais em nenhuma
outra, apenas nela.
        Eu precisava v-la por um instante para perguntar e descobrir o que
ela realmente queria. Novamente eu a esperei sair do trabalho e a
cerquei na porta de seu prdio. Era tudo ou nada. Eu disse, olhando
nos olhos dela:
- Me diga... basta apenas uma palavra para fazer com que eu suma da sua
vida e nunca mais te persiga. Diga que no quer mais me ver.
        Lubna engoliu em seco e eu soube. Ela sentia o mesmo que eu. Eu queria
abra-la, beij-la... mas ela me afastou delicadamente dizendo
que no ficaria comigo estando comprometida com outro. Eu me senti
to enfurecido que desaparatei para longe, deixando-a mais intrigada.
Agora eu pensava nela dia e noite e queria uma resposta imediata. Embora
eu soubesse tudo sobre ela, ela no sabia nada sobre mim. Apenas que
eu era amigo do jovem quase mdico John Van Helsing. Foi atravs
dele que ela chegou at a loja subterrnea que pertencia a meu pai e
que eu administrava, a Witchcraft  Master.
        Consegue imaginar o impacto para ela de descobrir que os bruxos
existiam? Eu era parte de um mundo desconhecido para ela.. ela
atravessou a loja fascinada at um vendedor, que estranhou tambm o
fato de uma trouxa estar ali. Ele a levou at meu escritrio e ela
ficou alguns minutos ali, parada , me olhando, at que disse:
- Voc me desconcerta. Eu podia imaginar mil coisas a seu respeito,
menos isso.
        Eu levantei de minha mesa e a beijei como nunca tinha beijado mulher
nenhuma... eu soube naquele momento que pertencamos um ao outro e
acreditei que nunca nada iria nos separar. Ela j havia dispensado o
tal noivo e no mesmo dia tornou-se minha namorada.
        Se em algum tempo em minha vida eu soube o que era felicidade, foi com
Lubna. Me fascinava mostrar a ela o que era ser um bruxo, o que eu podia
fazer... para ela todo dia era dia de aprender coisas novas, todo dia
era dia de descobrir algo que no sabia a meu respeito. Eu virei seu
mundo frio e racional pelo avesso injetando nele cada partcula de
magia que havia no meu ser... ela era tudo para mim, era uma paixo
forte e irracional, irrrestrita para ambos, a quebra de todos os nossos
limites.
        Por isso meu pai se culpou tanto posteriormente quando eu me tornei um
vampiro... ele soube de Lubna por terceiros, muito tempo depois que eu e
ela estvamos juntos. Eu sabia que estava encrencado, dois anos em
nova Iorque e eu me afastara decididamente do ideal de bruxo perfeito
que meu pai desenhara para mim. Novamente ele me chamou a Londres e eu
fui, no imaginando o que me aguardava na volta.
        Enquanto eu estava em Londres, tendo o primeiro conflito srio com
meu pai em vinte anos, meu ancestral, Morpheus,  preparou a teia para me
pegar  atravs do corao.  muito fcil atrair uma jovem
trouxa para a armadilha de um vampiro...
        Eu havia tido uma grande briga com meu pai e comecei a pensar  em
Sirius... eu achava que ele seria muito maior que eu, eu sabia que ele
era talentoso, eu via o que meu pai no via... e ao contrrio de
mim, nunca haviam dito a Sirius que havia uma maldio, embora ele
soubesse.  Ento, eu achei, ou melhor julguei, que o fato de ser maior
e mais forte me fazia menos sujeito a maldio... e Sirius sendo
mais jovem e inocente seria mais vulnervel. Antes de voltar a Nova
Iorque, dei a ele o anel.
        Eu no sabia que estava fazendo exatamente o caminho dos outros antes
de mim... ir a Nova Iorque arrogante e desprotegido para entrar no
caminho de Morpheus Black. Quando voltei, a primeira pessoa que procurei
foi Lubna... e atravs de John soube que ela havia deixado a cidade
dias antes... ela havia dito a ele que iria  casa de parentes no
sul... o que nem eu nem ele sabamos era que ela jamais havia chegado
ao destino. Morpheus a pegara antes.
        Havia um vampiro naquela poca, um dos chefes menores na aliana
que era a armadilha perfeita... anos depois eu providenciei para que ele
casse nas mos da irmandade. Seu nome era Teddy, chamavam-no Teddy
Bear, uma grande ironia... o fato  que ele tinha sido vampirizado na
poca da Segunda Guerra, em meio ao campo de batalha,  beira da
morte por um perdido... um tipo de vampiro bem comum no norte da Europa,
um  louco que mata qualquer coisa  sua frente... o ele havia sido
vampirizado estando  beira da morte, com as entranhas perfuradas por
balas de fuzis alemes... como um vampiro leva sua aparncia do
momento da morte para sempre, voc pode imaginar que figura
agradvel de se ver era o nosso Teddy ...
        Lubna sempre foi uma mulher solidria... dessas que no podem ver
algum sofrendo. Morpheus mandou Teddy estirar-se na frente da casa de
Lubna simulando estar ferido, acidentado... e quando ela o viu e veio
socorrer... imagine o susto, um homem ferido levanta e ataca... Lubna
no teve reao possvel. Dois dias depois ela, que j no
era a mesma, era uma vampira, escrava de Morpheus Black, que se
apaixonou por ela.
        Ela era linda, mesmo sendo vampira... ele a tratou como rainha, caiu na
armadilha do corao, ele queria apenas us-la como isca para
continuar no rumo de cumprir a maldio, unir todos os Black sob seu
jugo... mas no resistiu, e coroou-a a rainha dos vampiros de Nova
Iorque... ela no queria isso, ela ainda me amava, mas no tinha
escolha.
        Quando um vampiro transforma outro num escravo, este se vincula ao
superior, cada vtima, cada emoo que ele rouba, vai em parte
para o que o vampirizou, vampiros muito antigos, com muitos escravos
precisam se alimentar muito menos. A vontade tambm fica em parte
vinculada ao mestre vampro, o lder. S este pode permitir que os
escravos tenham vontade prpria, se assim desejar.
        Lubna adquiriu em pouco tempo direito a dominar parte da sua vontade,
mas no toda ela, Morpheus pediu que ela "cuidasse de mim", junto com
meu tio Theodore. Ela dispensou ajuda dele, e sem que John ou qualquer
amigo meu soubesse, ela marcou um encontro comigo, ela queria me
seduzir, me vampirizar e tornar-me escravo dela e de Morpheus.
        Imagine voc que armadilha perfeita: eu, sem contar com a ajuda da
irmandade, sozinho com ela num hotel em Nova Jrsey... mas algo
atrapalhou os planos de Morpheus: o nosso amor.
        Eu no sabia que ela era uma vampira, mas vi que havia algo errado,
em tudo, desde o momento que a vi, e quando fazamos amor, o momento
em que eu estava mais vulnervel e que seria perfeito para ela me
tornar uma vtima, ela no aguentou... ela no podia chorar,
vampiros no choram, porque esto mortos... mas quando eu percebi
finalmente que ela no respirava, ela me confessou o que era... e
disse que eu podia fazer o que quisesse... ela segurou sua fome, no
queria me transformar num escravo de Morpheus...
        Eu fiquei chocado... eu a amava, e no queria deixa-la, mas sabia que
era agora impossvel ficar com ela sendo sangue quente e ela no.
Ento, ela me ofereceu o presente, e eu aceitei. O sangue amargo dela
matou meu corpo em questo de segundos, eu dormi e acordei sozinho,
numa hora qualquer da madrugada...  A vida do bruxo Caius Black acabara.
Comeava a existencia de Caius Black, o vampiro.

        CAPTULO 5 - A AMIGA RENEGADA, JANE UNHA LONGA
         
        Sa daquele hotel perdido, eu no sabia ser um vampiro, no tinha
idia do poder que tinha, tentei desaparatar e descobri que de nada
adiantava, no era mais um bruxo... Lubna retornara para Morpheus, eu
estava s e ligeiramente idiotizado pela minha nova condio.
Demora um tempo para se acostumar com um corpo que no respira... e
existe a fome, a fome constante do recm vampiro... voc no 
realmente um vampiro at fazer a primeira vtima, e enquanto isso
no acontece, voc morre de fome,  uma fome maior que a que
qualquer sangue quente pode sentir, pois nunca se aplaca de todo.
        No conheci um vampiro, nenhum que no tenha levado  morte pelo
menos a primeira vtima, temos uma natureza assassina, mesmo eles, a
famlia, que se dizem do bem, em algum ponto obscuro do passado foram
vampiros assassinos. E minha primeira vtima fatal foi uma mulher, na
noite seguinte.
        Antes de amanhecer eu estava encolhido numa cripta que eu arrombara,
passei o dia em claro, amedrontado e faminto, escondido no escuro
daquela cripta,  meus pensamentos comeavam a clarear e eu no sabia
ainda direito o que eu era... no me pergunte como, mas mesmo estando
enclausurados, temos a capacidade de saber quando a noite chega. E
comigo foi assim, anoiteceu, eu sa para a caa, ainda por puro
instinto.
        Eu caminhei at a ponte que separa Nova Jrsey de Nova Iorque, e
fiquei olhando Manhattan ao longe... era l que eu queria estar, eu
sentia o cheiro das emoes humanas. Ns, os vampiros, no temos
sensaes, frio, calor, tudo isso nos  indiferente, se bem que
no gostamos de gua, o elemento nos  estranho e
desagradvel... no sentimos cheiros fsicos, porque no
respiramos, mas sentimos o cheiro que as emoes tem, no 
estranho?
         E eu sentia o cheiro das emoes em Manhattan, em Nova Iorque, a
minha casa, a maldita cidade dos vampiros. Estava atravessando a ponte a
p, alis uma tremenda idiotice da minha parte, eu no sabia que
podia virar morcego... sabe como , mente de bruxo, cheia de
preconceitos, eu no era animago, afinal de contas... ento eu a
vi... uma mulher muito interessante, e eu senti sua emoes e nem
soube na hora como, descobri seu nome.
        Marianne... Mystica, Misty... minha primeira vtima... ainda sinto
saudades dela, s vezes. Ela era lindae oriental, me lembrou Lubna. Eu
era um nefito, portanto, um idiota, e naquela hora, pouco depois do
anoitecer eu saltei sobre a moa e a ataquei, e como um monstro
destrocei a jugular da coitada e absorvi avidamente a vida dela que se
extinguia. Foi quando ouvi uma voz bem atrs de mim:
- Que espcie de idiota  voc, cara?
Eu me virei, numa posio meio ridcula, debruado sobre o corpo
morto da garota, a cara coberta de sangue, fora o desperdcio que eu
causei, espalhando todo aquele sangue no asfalto... sem ddida, eu era
um imbecil acabado, para a vampira que me olhava, porque eu a reconheci
como tal imediatamente, e tive a certeza que estava diante de algum
muito importante. Ns sabemos a nossa hierarquia instintivamente, um
nefito, a menos que muito corajoso, dificilmente vai desafiar
algum com o poder que Jane Unha Longa parecia emanar.
Ela era muito alta e muito negra, seus olhos eram amarelos como os de um
gato, os cabelos negros eram cortados  maneira militar. Quando
falava, sua voz emitia um poder e uma frieza que eu no me lembro de
ter encontrado depois em nenhum outro vampiro. Eu fiquei mudo por um
tempo at que tive coragem de perguntar:
- Quem  voc?
- Quem sou eu? A pergunta est errada, meu caro... eu que digo: Quem
 voc? E o que est fazendo na ponte, idiota? No sabe que a
ponte  proibida? Voc  uma porra de um escravo, certo? Tem
semlpre algum que se perde e acaba fazendo besteira por aqui... eu odeio
escravos, por isso que eu briguei com a droga da aliana... o que foi,
 ensanguentado? Quer um guardanapo, por acaso? Ou se entusiasmou
tanto vampirizando a garota que comeu a prpria lngua? Ah, nem
acredito que ela vai ficar com essa garganta arruinada para sempre...
voc a mutilou, sujeito, no tem vergonha? Que droga de vampiro
burro  voc? Qual o seu nome?
- Caius - Gaguejei - Caius Black - eu vi o rosto da mulher se
transformar, e uma expresso indecifrvel substituir o esgar de
desdm anterior.
- Um Black? - ela disse - aqui, no limite com Nova Jersey? Porque
Morpheus te mandou para a ponte? Eu tenho certeza que ele queria por as
mos no seu bumbum macio antes de voc nascer, garoto!
- Ele no me mandou... - eu contei brevemente o que me lembrava da
noite anterior e ela gargalhou alto.
- Eu no acredito! O velho Morpheus perdeu o juzo? Mandar uma
escravinha apaixonada te sugar? Que grande babaquice, cara... ah, mas
isso veio bem a calhar, tava chato aqui, eu precisava mesmo de algum
diferente de um escrevo por estas bandas.
- Do que voc est falando? - em menos de cinco minutos, a vampira
me explicou a hierarquia vampira, o que era um escravo, um irmo e um
lder. O estranho era que eu no me identifiquei como nenhum deles.
E ela, lendo meu pensamento disse:
- Voc est fora deste esquema, meu querido. Voc  um
renascido, algum cujo corpo no precisou ser tocado, voc recebeu
o presente, e por amor. J nasceu mais poderoso que um escravo, por
ter bebido o sangue de um. E nem bem nasceu, j fez uma escrava, o que
 uma droga. Quando essa garota acordar, voc vai ser dono da
vontade dela, sabia?
- Eu?
- , voc. At que ela mate o suficiente para ser uma irm sua,
ou que seja pega, ou que morra no sol... essa  nossa sina, cuidar
daqueles cuja vida mortal extinguimos.
- Mas, e se eu no quiser escravos?
- Abandone-os, eles se tornam perdidos, confusos, e acabam sendo pegos
pelo sol. Se forem fortes, sobrevivem para comear um novo cl. A
liberdade  a pior coisa que se pode dar a um vampiro nefito,
porque ele ainda no sabe o que fazer com ela.
- O que voc faz com seus escravos?
- Eu fao poucos escravos, no sou uma mquina de matar que nem os
malucos da aliana, nem uma boa bab dos sangues quentes que nem os
anjinhos de presas da famlia. Eu cao, mas no mato a vtima de
uma vez, fao como os gatos, extinguo-lhes a vida  aos poucos, at
que eles sejam meus. Se eles me agradam, eu os mantenho por um tempo
antes de libert-los, seno, os descarto. Dificilmente um escravo
liberto fica por a muito tempo, tem sempre um VH para mat-los.
- VH?
- Vai me dizer que voc no conhece a irmandade? Eu sei que eles
ajudam os Black de sangue quente a manterem-se desta forma, os malditos
sangue imune.
Aquilo me lembrou desagradavelmente quem fora at a vspera meu
melhor amigo. Eu ia dizer algo, mas me calei, creio que Jane, cujo nome
eu ainda no sabia, pode ler novamente o que se passou pela minha
cabea, porque ela mudou de assunto.
- Ento...  o que vai ser agora? Vai andar por a e se enfiar num
canto at o amanhecer ou quer aprender a ser um legtimo vampiro?
- Como?
- Junte-se ao meu cl. E leve a escravinha contigo, voc vai
precisar de algum capaz de te amar incondicionalmente neste
momento...  pegar ou largar.
- Eu pego... mas antes, quem  voc?
- Voc s precisa saber meu nome e minha rea... Jane Unha Longa,
a rainha de Nova Jrsei... use meu nome e qualquer um o temer.
- Eu no quero ficar aqui, quero ir para l - apontei Manhattan com
o queixo.
- Voc no est preparado para aquela selva, morceguinho...
primeiro tem que aprender algumas coisas. Eu fui seu bilhete premiado,
acredite - ela foi andando pela ponte e eu a segui, mas ela ordenou que
eu pegasse o corpo da garota. Nem a contestei, eu naquele momento me
tornei o nico sdito de Jane, a rainha renegada dos vampiros de
Nova Jrsei.

Enquanto eu seguia Jane pelas ruas de Jrsei, John descobriu meu
desaparecimento, e fez uma fora tarefa Van Helsing para me procurar.
Ele achou que eu tinha aceitado a proposta de Morpheus, demorou algum
tempo para ele descobrir Lubna entre os vampiros. Comunicou meu pai, que
se recusou a acreditar nele e acabou montando aquela farsa sobre minha
"morte". Ningum soube onde eu estava nem teve certeza de como eu me
tornara aquilo que fui. Demoraria sete anos para eu entrar triunfalmente
em Manhattan, to poderoso quanto qualquer um, e disposto a ser o
chefe supremo da aliana. Nesse tempo tanto Morpheus quanto John
fariam tudo para me achar, mas como dizia Jane, no se pode capturar a
nvoa. Enquanto eles procuravam um sujeito chamado Black, um vampiro
apelidado de Fog (nvoa), ganhava poder em Nova Jrsei.


Caius sorriu para Harry cinicamente e mexeu o Bloody Mary ainda rindo.
- Gostando de minha histria?
- Adoraria ouv-la em outras circunstncias, mas no quando estou
em misso e preciso resolver um crime.
- Voc nunca ouviu falar em entretenimento, jovem? Em determinados
momentos  melhor se distrair um pouco, para alcanar o sucesso. Se
eu fosse voc, ouviria um pouco de msica...
- Eu no quero ouvir msica. Eu quero solucionar os crimes.
- Que cantilena montona, Potter. Bem se v o CDF que voc deve
ter sido em Hogwarts.
- Pelo que eu sei, voc foi um CDF.
- Mais ou menos... eu tinha meus segredos e meus passatempos. Eu soube
que Sirius fez um mapa que quase todas as passagens que eu descobri em
Hogwarts. Ele deve ter fuado meus cadernos secretos. Mas eu no
tive amigos como os que ele teve.
- Sim, ningum nunca te traiu...
-  o que voc pensa, meu jovem... - Caius sorriu e voltou a narrar
sua histria

Jane era completamente diferente de tudo que eu j havia conhecido.
Ela me ensinou tudo, tudo que eu precisava para ser um vampiro, e me
falou da importncia do amor para os vampiros. Amor de vampiro no
tem nada a ver com amor de sangue quente... entre ns no h essa
coisa de sexo, se bem que se necessrio para seduzir um sangue quente,
damos a ele o maior e mais caro prazer sexual que ele teve em sua vida.
Lubna fez isso comigo.
Mas nosso amor  mais forte, porque no tem motivao
hormonal... o amor de um vampiro  a busca de algum que possa
preencher o vazio de no se ter uma alma. Amantes vampiros escolhem e
matam juntos, decidem o destino de seus escravos, dividem o mesmo nicho
(voc no acredita realmente que a gente durma em caixes,
acredita? Isso  tremendamente cafona para ns). No h nada
mais prazeiroso para um casal vampiro que extinguir a vida de uma
vtima juntos. E a minha primeira amante, Misty, matou muitas vezes
comigo, a despeito da mgoa que eu lhe causei.
Talvez voc se pergunte porque eu no me tornei amante de Jane,
to poderosa que era... isso era impossvel, porque Jane s
gostava de ter companheiras do mesmo sexo. Ela ainda se recuperava da
queda de sua ltima companheira quando eu a conheci. A vampira que
fora sua companheira por 60 anos morrera nas mos de Steve Van
Helsing.
Gravitavam em torno de Jane uns sessenta vampiros, vampiros meio
caipiras de Jrsei, e eu me achava melhor que todos, eles eram os
ex-escravos dela. Foi atravs deles que eu soube a histria de Jane.
Ela fora escrava no Sul dos Estados Unidos h mais de 200 anos.
Ento, um homem, que mais tarde foi conhecido como o fundador da
famlia, ofereceu-se para torn-la uma vampira, e libert-la de
sua escravido. Pois bem... ela foi vampirizada e tornou-se uma
vampira escrava, mas logo foi liberta e se juntou  famlia.
Aprendeu a ttica de nunca matar a vtima, mas aquilo foi lhe
pesando... no parecia certo para ela que um vampiro contrariasse
to frontalmente sua natureza. Quando Hans Hagen, que a vampirizara,
partiu para o Brasil, ela migrou para Nova Iorque, e conheceu a
Aliana.
Foi uma festa para ela. Matar sem compromisso depois de quase cem anos
de frugalidade. Mas tambm aquilo a entediava. Escravos demais,
aborrecimentos demais... e daquele jeito Nova Iorque teria que ser
ilhada para os vampiros em alguns anos... ento, os Van Helsing
chegaram, e as coisas ficaram menos divertidas ainda. Porque alm
deles perseguindo os vampiros, comeou uma onda de obsesso por
poder que culminou com uma guerra fria que dura at hoje.
H uma regra: vampiro no mata vampiro, de forma alguma. Se hoje eu
empunhar um punhal de prata diretamente contra um vampiro, no importa
como, eu morro junto, entende? Todos ns sabemos disso. E nos
esforamos para no quebrar esta regra de sobrevivncia. Porm,
h algumas brechas nesta mesma regra... se eu no matar um vampiro
diretamente, mas provocar sua morte por meios indiretos nada me
acontece. Isso explica porque um super crebro como Morpheus
sobreviveu por 100 anos... ele adorava encontrar formas de "ferrar" quem
entrava em seu caminho... mas, bem, ele entrou no meu caminho um dia.
Nos anos que fiquei em Nova Jrsei eles me deram o apelido de "Fog",
porque eu s me transformva em nvoa, no gostava de virar nem
lobo nem morcego.  desprezvel para alguns o vampiro que no vira
morcego e isso jogou a meu favor. Eu e Misty crescemos juntos no mundo
vampiro, mas eu sabia que ela tinha um segredo que no me contava. Eu
sabia que ela tinha tido um namorado no mundo vampiro, mas ela aprendeu
rapidamente a esconder seus pensamentos de mim, e eu s soube quem era
seu namorado quando era demasiado tarde.
Talvez voc queira entender porque eu me tornei poderoso e , eu sei,
to pouco modesto em relao ao meu prprio poder. A chave 
Jane. A verdade  que Jane me tinha como um filho. Ela nunca os teve
naturais, e vampiros obviamente no deixam descendncia. Ento eu
pareci a Jane algum a quem passar todo seu conhecimento, que era
muito. Ela me treinou, e com ela eu me tornei capaz de seduzir qualquer
sangue quente que eu quisesse, deix-lo vivo tempo suficiente para que
ele implorasse ser vampirizado, e com essa ttica eu fiz os melhores
escravos de jrsei. Eu libertava muitos e os mandava para Manhattan,
onde eles diziam se discipulos de Fog. E em Manhattan todos queriam
saber quem era Fog. Eu demorei alguns anos para responder o chamado, mas
antes, fui trado pela minha companheira.

CAPTULO 6 - PAUSA PARA UMA PEQUENA CONFUSO...
        No instante em que Harry finalmente se convencia que era melhor ouvir
Caius Black porque afinal no havia outro jeito de conseguir algo
daquele sujeito convencido, que achava que sua histria era a coisa
mais importante da face da Terra; algo muito estranho aconteceu: Uma
garota apareceu ao lado dele, com um estojo que parecia conter um
violino. Na verdade, ela j estava ali h um bom tempo, chamando por
Caius, mas este estava to entretido contando sua histria, que a
garota j estava se cansando de tanto cham-lo. Ele olhou para ela,
sorriu e levantou-se sem aviso, deixando Harry surdo pela segunda vez ao
quebrar novamente o feitio de isolamento, mas, agora preparado, Harry
levantou-se e disse:
- Voc no vai a lugar nenhum sem mim, Caius Black! Voc prometeu
colaborar!
- Blablabla... aurors so assim to chatos? Em pensar que meu
padrinho foi um e queria que eu fosse tambm... Harry, relaxe, eu vou
colaborar, mas antes, eu tenho alguns compromissos agendados, entende?
Coisas importantssimas e inadiveis...
- Como o que?
- Como ajudar Virginie! - ele apontou para a moa, que deu um aceno
animadinho para Harry. - Ela  minha amiga h muitos anos...
Algo na frase no combinava. A moa no parecia uma vampira, mas
tambm no tinha cara de quem era amiga "h muitos anos" de
ningum, porque no aparentava mais que 17 ou 18 anos. Harry franziu
o rosto e ela sorriu, estendendo a mo.
- Virginie Vermont - ela disse e finalmente Harry pode olh-la melhor.
Como ele notara, parecia muito jovem, mas com uma peculiaridade: tinha
uma mecha branca na frente dos cabelos negros que caam muito lisos
at a altura dos ombros. Ela era bonita, tinha os olhos amendoados
negros e a pele branca, mas no to branca como a de um vampiro. Os
dois dentes da frente o lembravam um pouco Hermione antes do quarto ano,
mas no atrapalhavam o conjunto. E alm de tudo ela era muito
simptica.
- Eu sei que estou fazendo papel de chato - disse Harry enquanto andavam
no meio das pessoas - mas...  que Caius me prometeu informaes e
at agora...
- Caius faz o que quer - ela disse sorrindo - sei disso h pelo menos
uns vinte anos... voc  o cara que est atrs do assassino dos
vampiros bonzinhos?
Harry parou. Ento agora o motivo de sua vinda  cidade j era
pblico? Que perfeito, hein? Era fcil entender porque Sirius odiava
tanto vampiros, em menos de duas horas de convivncia com um j
queria apertar-lhe o pescoo ou cravar-lhe no peito uma estaca de
prata. Estava to irritado que no entendia porque a garota estava
carregando um violino. Foi muito estranho quando chegaram ao outro lado
do salo e ele notou que uma pequena orquestra estava se juntando, no
meio do barulho da boate. Era no mnimo estranho.
- Caius, o que diabos voc arrumou? - ele perguntou, j perdendo a
pacincia.
- Na verdade, isso  um concurso.
- Concurso?
- Sim, de dana. Virginie organizou, mas ningum quis participar de
um concurso de tangos, ento eu me inscrevi...  e algumas garotas que
eu conheo se inscreveram tambm, por causa disso... Virginie
merece...
- Voc est me dizendo que vai participar de um concurso de TANGO?
- Qual o problema?
- Isso no faz o menor sentido. Um vampiro que participa de concurso
de tangos porque uma mortal pediu?
- Quem disse que Virginie  mortal? Agora... por favor, segure isso -
ele deu seu sobretudo para Harry e sob ele usava um impecvel smoking.
- Onde voc consegue essas roupas?
- Eu roubo! - disse Caius com um sorriso, virando-lhe as costas e
comeando a conversar com Virginie
Se antes Harry estava confuso, agora sentia-se pattico. Era algo
muito terrvel a sensao estpida de estar por fora. Pior ainda
que estar por fora, era ter de aturar a multido de garotas que se
aproximou de Caius. Era inacreditvel que aquele sujeito tivesse um
f clube. Eram vrias garotas, todas elas mortais, e pelo que ele
acreditava, ex vtimas desmemoriadas de Caius que no atinavam que
ele era vampiro, afinal, nada mais eram que um grande bando de trouxas.
Quando seu mau humor chegava novamente no pice, Harry viu que Caius o
olhava e tentava usar um poder que ele conhecia bem, pois fora treinado
contra isso na escola de aurors: Caius tentava entrar em seus
pensamentos. Ento, eles travaram um pequeno dilogo em pensamento:
- Nem vem que no tem, Caius, voc no vai usar estes truques
baratos de vampiro comigo.
- No  um truque barato...  difcil conversar com algum
to refratrio e dar ateno a todas estas garotas ao mesmo
tempo
- Voc  pattico...
- E voc  rabugento. Ser que no pode me ajudar para que eu
ajude voc?
- Eu s quero uma informao, e voc est me enrolando para
d-la!
- Na verdade eu pretendo dizer o que sei e ajudar a pegar esse sujeito.
Meu nome tambm est em jogo... - ele desviou os olhos da garota com
quem falava e olhou direto para Harry, srio de uma forma que o
lembrou Sirius  quando na clandestinidade. - Mas eu quero duas coisas em
troca.
- Duas?
- Duas coisas pequenas... um favor para mim, outro para Virginie.
- Que favores?
- Ajude-nos, e eu te levo diretamente ao culpado...
- Eu vou ter que danar? Eu dano muito mal... e nunca sequer ouvi
um tango direito... - isto fez Caius rir em voz alta, deixando a garota
que conversava com ele perplexo.
- No, voc no vai ter que danar...  algo um pouco mais
complexo, mas que voc j fez uma vez... enfrentar uma esfinge, para
Virginie.
- Isto  fcil...
- Agora que voc topou, posso dizer que a esfinge pertence a um
demnio?
-  Eu decididamente te odeio...
- Na verdade voc gosta de mim, somos quase parentes...lembra?
- Se para ela eu vou enfrentar uma esfinge do demnio... o que eu vou
fazer para voc?
- Bem... alm de ouvir o resto da minha histria, voc vai trazer
seu superior at a mim.
- Mr Sandman?
- No, no quero papo com esse azedo... o outro, o Demolidor. Eu
preciso falar  com ele quando tudo isto acabar.
- S isso?
- Apenas isso... te garanto que voc no vai se arrepender.
- Ok. Eu topo. Mas se voc tentar algo, eu pessoalmente tiro seu nome
da lista de vampiros no hostis! E ponho todos os Van Helsing em seu
encalo.
- Hehehe, na verdade, alguns deles ainda esto no meu encalo...
no se preocupe... agora com licena, meu par finalmente chegou.
Harry viu as pessoas abrindo caminho para uma mulher que vinha entrando
como que deslizando pelo salo. Ele no a viu antes que ela chegasse
at Caius, e levou um susto, porque se tratava na verdade de uma
veela... mas era uma das rarssimas veelas negras.
As veelas negras no eram negras, no termo mais restrito da palavra,
mas sim tinham a pele morena e olhos e cabelos muito negros, eram
oriundas do egito e muito raras, um congresso deliberara que elas
realmente tinham parentesco com as veelas nrdicas, mas em algum
obscuro ponto do passado, as duas raas haviam separado-se para
sempre, de forma que veelas negras jamais se davam bem com veelas
nrdicas e vice versa. Harry desviou os olhos do enfeitiante olhar
dela, ao qual Caius era obviamente imune.  Ento, Caius se aproximou
novamente dele e disse, apresentando a Veela:
- Esta  Tay... ela ...
- Eu sei o que ela , Caius.
- Boa noite, senhor Potter - ela disse suavemente em uma voz rouca -
espero que o senhor nos aprecie esta noite...
- Eu vou apreciar - ele disse, mas completou em pensamento :
principalmente quando este espetculo bizarro tiver fim...
- Harry, observe meu competidor mais direto - disse Caius, apontando um
outro vampiro, que s ento Harry notou.
O vampiro era uma espcie de caricatura dantesca de Caius. Tambm
tinha cabelos negros e olhos azuis, um rosto branco fino e comprido e
olheiras, alm de orelhas meio pontudas. Seu cabelo estava colado 
cabea e o mais estranho era seu figurino, um terno negro, com uma
capa da mesma cor, com verso vermelho.
- O que  aquilo, Caius? - Harry lembrou-se de um filme de terror que
vira (escondido pelo vo da porta) quando tinha 9 ou 10 anos, que
fizera Duda fazer xixi na cama de tanto medo, mas que Harry achara muito
boc. Era um filme sobre Drcula.
- Aquilo  Valentino... meu mais feroz opositor... ele me odeia, eu
no tenho a mnima dvida... mas  estranho porque ele faz
vrias coisas que eu fao, dizem que me imita... eu libertei meus
escravos, ele faz o mesmo... eu me tornei um vampiro pacato, ele fez o
mesmo... a nica coisa que ele no muda desde 1923, pelo que eu sei,
 esse figurino de Bela Lugosi* meio fora de moda, mas isso para ele
 ser original, o que posso fazer? Quando soube que eu estaria no
concurso, fez questo de participar, acho que ele quer me superar em
algo.
- Ele arrumou uma Veela nrdica como par - disse Tay, ficando
ligeiramente diferente - Harry lembrou-se da histria que veelas
negras tornam-se abutres se muito furiosas. Harry no queria ver uma
briga daquelas duas criaturas e disse:
- Aposto que voc dana melhor que ela, Tay...
- Dano, uma veela negra faz qualquer coisa melhor que uma veela
nrdica!
- Espero que este concurso comece logo - disse Caius, revirando os
olhos.
Virginie entrou num foco de luz, agora resplandecente num vestido negro
de veludo, segurando seu violino. Depois de um breve discurso sobre como
a dana fazia bem ao esprito humano (o que Harry achou infinita
graa, pois quatro competidores eram tudo, menos humanos) , ela
explicou que todos os casais dancariam juntos, e depois teriam um solo
de um minuto cada, antes que os juzes decidissem os dois casais
finalistas, que danarian juntos a final. Ento ela finalizou com um
" hora do show!" e comeou a tocar.
Virginie se transformou quando seu violino comeou a encher o ar de
uma msica doce e melanclica, que ento se tornou em um tango,
quando o quarteto de cordas comeou a acompanh-la. Imediatamente os
seis casais na pista comearam a evoluir, e Harry surpreendeu-se a ver
que Caius dominava perfeitamente o Tango, danando quase como um
profissional, encarando a veela ora srio, ora apaixonado, s vezes
at sorrindo. Valentino tambm sabia danar, mas Harry viu que ele
s vezes dava olhares furtivos na direo de Caius, como que para
ver o que este fazia.
No momento do solo, Harry percebeu porque vampiros afinal fascinavam
tanto os trouxas... Valentino, que solou primeiro, parecia cortejar a
veela loura, que respondia com graa e paixo, os dois pareciam uma
combinao apaixonada e irresistvel entre tenso ertica e
amor furtivo e cafageste... ao terminarem Harry viu a expresso de
triunfo no rosto do Vampiro ao ver-se ovacionado pela boate cheia... ele
parecia ter conquistado a platia, sem dvida, pelos aplausos. A
competio parecia ganha.
Ento, Caius Black entrou na pista... ele e Tay ainda eram mais
fascinantes que o casal anterior, era impossvel desviar os olhos
quando danavam. Caius trazia Tay junto ao peito,
ento,explosivamente a fazia rodopiar at a ponta de seus dedos,
quando a puxava e agarrava com expresso de apaixonado feroz, ela
sorria e deslizava suavemente nos braos dele at que ele a virava
de lado de forma que seus longos cabelos quase tocavam o cho. O
pblico prendia a respirao quando ele fazia gestos que lembravam
carcias para depois num movimento brusco parecer cruel e gir-la
antes de deitar o corpo dela deslizando as mos pela sua cintura.
Quando acabaram, olhos nos olhos, numa pose clssica de tango, o
pblico respondeu com um acesso histrico que superava em muito a
ovao dada a Valentino, cuja expresso de triunfo evaporara-se
totalmente.
Ningum mesmo se surpreendeu quando Virginie anunciou os finalistas:
Valentino e Ruby (a veela nrdica) e Caius e Tay. Valentino encarou
Caius e disse:
- Agora  entre ns dois, Black?
- Seu grande mal, Valentino,  essa sua obsesso por mim...
- Ora, seu...
- Esquea as bravatas... voc sabe tanto quanto eu que 
importante para Virginie que este concurso d certo...
- Est bem... Virginie merece minha considerao... - ele virou-se
com um meneio afetado e Caius riu. Fez com a cabea um sinal para
Virginie, que comeou a tocar novamente. Caius e Valentino pegaram
seus pares, e comearam a evoluir pelo salo. As pessoas
hipnotizadas olhavam aflitas de um para outro casal. Caius s vezes
olhava furtivamente no para Valentino, mas para Ruby, a veela com
quem ele danava.
Ele sentira no ar que a hostilidade entre as duas veelas vinha
aumentando, e temia o pior. Ele sabia que aquelas duas podiam realmente
acabar com a chance que Virginie tinha de provar que era uma pessoa
inofensiva e capaz, no uma amaldioada que atraa confuso.
Engoliu em seco quando Tay olhou para Ruby no meio de um passo e um
brilho amarelado apareceu nos olhos , fazendo por instantes lembrar
olhos de ave de rapina. Ele e Valentino haviam ambos errado ao escolher
as Veelas como par, mas agora era tarde. Ele rodopiou Tay de forma que
ela no pudesse encarar Ruby e  notou que Valentino percebera isso,
interpretando como uma forma de apreenso, e aproximando-se com Ruby
pela direita.
Ento, o que ele temia, repentinamente aconteceu. Ignorando a msica
as duas criaturas repentinamente tomaram a forma real, e uma enorme
confuso se instaurou na boate quando um abutre e uma ave de rapina
dourada de bico longo, ambos maiores que um homem adulto, se atracaram
no meio do salo. Harry de onde estava nem pestanejou, perdendo Caius
de vista por um instante, procurou debelar rapidamente a confuso
estuporando as duas veelas, ento, lembrando-se que provavelmente no
dia seguinte aquilo estaria no jornal, lanou um imenso feitio de
confuso de realidade no ar, para atingir todos os trouxas, que
esqueceram brevemente o que havia acontecido ali, ento, ele voltou-se
para notar que Caius desaparecera. Saiu bufando da boate assim que o
ministrio americano chegou, furioso com o sumio do vampiro.
Ento, quando chegou do lado de fora da boate e olhou para todos os
lados, supreendeu-se com a presena dele bem atrs de si. Ia dizer
algo mas o vampiro falou primeiro:
- Bem, acho que as veelas estragaram tudo. Creio que Virginie perdeu
mais uma chance...
- Chance de qu?
- De provar que pode fazer algo que no termine em desastre...
- E qual o problema com essa garota, hein? - Harry dizia, mais perplexo
que nunca.
- Uma maldio - disse uma voz feminina bem atrs dele. Virginie
Vermont aparatara bem atrs deles. - , Caius, creio que vamos mesmo
precisar da ajuda de seu amigo. Mas antes, acho que ele precisa saber
toda a minha histria...
- Outra histria? Vem c,  impresso minha ou vocs so
compulsivos contadores de histrias quando tenho um assassino para
prender?
- Por favor, senhor Potter... me escute, me ajude e eu ajudo o senhor.
Eu testemunhei um dos assassinatos. Mas no posso colaborar enquanto
estiver na minha condio.
- QUE RAIO DE CONDIO  ESSA? - perguntou Harry para a garota,
que completou serenamente:
- De amaldioada h mais de duzentos anos...
Harry se calou. Agora queria realmente uma explicao. E calmamente,
Virginie comeou a contar sua histria...

CAPTULO 7 - A MALDIO DE VIRGINIE VERMONT

Existe uma diferena sutil entre ser desastrado e ser um desastre...
desde que eu fui amaldioada, em 1789, eu sou um legtimo desastre.
Sim, eu nasci exatamente no ano de 1771, numa famlia de bruxos
franceses, e fui a nica filha... pelo menos a nica que sobreviveu
 epidemia de varola de 1780, e sem uma nica marca... eu estudei
em Beauxbattons, que era uma escola nova quela poca, tive uma
formao clssica, aprendi os segredos do violino com Gitana
Rozsa, uma espanhola que dava aulas de transfigurao em
Beauxbattons, e achou que eu levava jeito com msica.
Eu tenho 18 anos h quase duzentos e dezesseis anos, o que pode
parecer a voc muito estranho, mas  a pura verdade. Desde a
maldio, eu no envelheci um nico dia, continuo com a
aparncia e a mentalidade de uma ps adolescente, no consigo
mudar isso,  uma das coisas que mais me aflige... eu posso aprender
coisas, eu posso passar o tempo... mas eu no amadureo, continuo
sendo por dentro algum que nem  criana, nem  adulto de
vez... e tudo por causa de uma escolha errada.
Quando eu acabei a escola, logo me meti entre os bruxos ciganos, que
corriam a Europa fazendo magia e fascinando as pessoas... minha me e
meu pai foram contra, mas nada podiam fazer, naquela poca se acabava
a escola com 16 anos, e eu era j considerada maior de idade pelas
leis bruxas. Gitana Rosza ainda me advertiu que nem todos os bruxos
ciganos (ela mesma era uma) eram assim confiveis como ela. Mas eu
estava fascinada demais para no segu-la.
E como toda idiota que se preza... eu me apaixonei pelo homem errado.
Seu nome era Vittorio Zaba, e ele era um dos bruxos ciganos jovens que
estavam no grupo. Ele tinha muitas mulheres atrs dele, mas eu
acreditei que ele me amava, e hoje sei que realmente ele me amou, mas
menos que amou aquilo que foi nossa runa... o gosto pelas apostas.
Hoje os bruxos no jogam mais desafios de esfinge. No  fcil
encontrar esfinges e mais difcil ainda  escond-las dos trouxas,
mas naquele tempo, era muito comum este jogo, que se joga numa arena em
forma de tabuleiro com 25 casas, sendo 12 de cada lado e a casa mestra,
de nmero 13. Os dois desafiantes se fazem acompanhar de duas
esfinges, cada enigma solucionado representa o avano de uma casa,
at a casa mestra. Quando a esfinge chega  casa mestra, o jogador
tem o direito de escolha: ou desafia o outro a responder uma pergunta
final da sua esfinge, e leva o prmio se este perde, ou desafia a
prpria esfinge do adversrio e ganha em dobro... em ambos os casos,
se o desafiante ganha  leva o prmio... mas  muito difcil perder
quando se chega  casa mestra, muitos propem enigmas impossveis
como "o que tenho no meu bolso?" ou "Qual a cor dos olhos de minha
amada?". E Vittorio era famoso por ser imbatvel no desafio das
esfinges.
Eu amava demais Vittorio e aceitava-o independente da sua jogatina,
achava que era algo que ele gostava de fazer... e Vittorio fazia por
muitos galees, por ouro, por diamantes... ele achava que era algo
muito lucrativo e era realmente muito difcil frear a sua ambio.
Mas eu sabia a verdade, Vittorio jogava porque no conseguia viver sem
jogar... ele era viciado em jogo e fraco demais para abandonar o
vcio, e eu o amava daquele jeito, tanto que muitas vezes fiquei ao
seu lado dias e dias enquanto ele jogava horas interminveis.
Ns estvamos acampados no sul da Itlia em outubo de 1789, quando
um outro grupo de bruxos apareceu e desafiou Vittorio para um "Gambito"
que era uma semana inteira de desafios de esfinge, e ele aceitou. Eu
nunca havia visto bruxos to estranhos, e que perdessem no jogo com
tanta tranqilidade, e todos eles pareciam... inumanos. Eu disse isso
a Vittorio, mas ele parecia no acreditar. Ele havia vencido o
ltimo, quando um deles disse: "Se nos venceu a todos, deve ento
desafiar nosso chefe".
Eu achei que havia decididamente algo errado quando Vittorio concordou,
porque nem bem ele disse sim e um vento frio soprou pela floresta
atrs do acampamento e o tal lder apareceu. Ele no parecia um
bruxo cigano, era alto e magro, todo vestido de preto, inclusive um
chapu de abas largas desabadas que escondiam parte do rosto e
principalmente seus olhos.  Ele vinha com uma esfinge negra de olhos
vermelhos,  das que eu sabia serem mais perigosas e ferozes, tanto
quanto inteligentes. A peculiaridade desta esfinge eram suas feies
masculinas, uma raridade... tanto que as esfinges hoje esto quase
extintas por causa disso.
O que eu achei mais estranho, ningum notou: logo atrs dele uma
outra figura, que a todos passou desapercebida se aproximou do
acampamento e se acercou da roda de jogo. Era um homem muito baixo e
magro sumido em vestes cinzentas, com um cachecol a rodear-lhe o
pescoo e tambm de chapu. A nica coisa que mais ou menos se
via alm de seu rosto sujo era uma mecha de cabelo louro escapando sob
um dos lados do chapu de feltro cinza que usava.
        Eu sentia no ar um clima estranho quando o desafiante pediu a Vittorio
que rolasse o dado, cedendo a vez  mesa da casa como  normal nos
desafios de esfinge. Vittorio conduziu Adrian, sua esfinge de
estimao, at a casa 2 do tabuleiro e perguntou o que valia o
gambito. Foi quando o desafiante sacou de seu lado uma arca que pelo
menos tinha dez vezes mais ouro, diamantes e pedras que tudo que
Vittorio havia ganho naquela semana... eu me lembro da expresso dele
ao contemplar aquela arca aberta, fascnio, cobia, ambio...
todos juntos no mesmo olhar. Mas Vittorio era esperto e depois de pedir
a Reggiano, o especialista em jias do grupo para verificar a
autenticidade da arca, ele disse que no tinha ouro para competir com
o homem de igual para igual, ao que ele disse: "No importa o ouro que
voc tem... vamos jogar, se eu chegar  casa 13 fao a voc uma
proposta."
        Eu assisti ao embate silencioso entre a vontade de ter o ouro e a
prudncia de cigano que Vittorio sempre tivera, e esta perdeu o jogo
quando ele mandou que Adrian fizesse o enigma. No vou reportar todo o
jogo, embora eu me lembre todas as charadas feitas naquele tabuleiro
aquele noite.  muito doloroso lembrar da noite em que me tornei uma
amaldioada.
        Ora parecia que Vittorio ganharia, ora o forasteiro e sua esfinge negra
pareciam ter a vantagem... eu ficava me remoendo silenciosamente, porque
sentia que de alguma forma a proposta do forasteiro envolvia a mim... ao
mesmo tempo via que o pequeno intruso cinzento olhava o jogo com
interesse, mas s vezes parecia me olhar disfaradamente. Eu no
sabia o que ele queria mas sabia que ele queria me dizer algo, sem
sucesso, infelizmente para mim.
        Ento, inesperadamente, porque ento estava em desvantagem, os
dados rolaram a favor de Vittorio que chegou  casa 13. Ele sorriu de
satisfao ao ver o ouro na arca, j acreditando que era dele...
ento o forasteiro falou sorrindo:
- Vittorio Zaba... antes do desafio eu digo o que desejo no caso da
minha vitria... est preparado para ouvir a  minha proposta?
- Perfeito - disse Vittorio sem tirar os olhos do ouro na arca.
- Ento, eu lhe digo que minha oferta depende da vontade de outras
pessoas... basta que voc pea a essa pessoa o que quero e ela
aceite para que todo este ouro possa ser seu...
- Diga logo o que  - Vittorio disse impaciente, ainda olhando para o
ouro.
- Se eu vencer, quero levar sua noiva. - Vittorio tirou os olhos da arca
perplexo e pediu ao forasteiro que repetisse, e ele repetiu. Eu olhei
para ele apreensiva, e disse que jamais aceitaria aquilo, e Vittorio
indignado, ou parecendo estar indignado, fez meno de retirar-se do
jogo... ento o forasteiro comeou a falar, numa voz que fazia
realmente parecer tudo muito normal, dizendo que sabia que Vittorio
nunca perdera um jogo tendo chegado  casa 13, que ele podia naquele
momento ficar mais rico que jamais sonhara, e novamente eu vi o embate
silencioso se formando no rosto dele. O rosto que eu amava mais que tudo
no mundo. Foi quando o forasteiro repetiu:
- Mas claro que no farei nada sem o consentimento de sua noiva... ela
no querendo, fica o jogo encerrado, parte a parte sem nada ganhar. -
Vittorio virou-se para mim e disse:
- Aceite, aceite... - eu argumentei que aquilo no era certo, disse
que eu no podia ser objeto de jogo, e ele argumentou que nunca havia
perdido, que aquela noite estaramos juntos, desfrutando de tanto ouro
quanto jamais havamos posto as mos, e como se eu permanecia sem
permitir o gambito com meu nome e minha vida ele disse que ou eu o
aceitava, ou nunca mais o via, pois se eu o amava, devia a ele aquela
prova...
Algo em mim morreu naquele exato instante... mesmo o amando
profundamente, eu soube que o sentimento dele por mim tinha um preo,
uma arca de ouro, muito ouro, mas ainda assim muito menos que o preo
que deveria valer o amor verdadeiro. Se eu soubesse no o que sei
hoje, mas o que soube apenas minutos depois, eu teria dito no e
adeus, e teria vivido o resto de minha vida em paz... mas embora muito
decepcionada, eu simplesmente consenti.
O que se seguiu passou como um pesadelo diante de meus olhos. Vittorio,
ainda cego pela ambio, disse que queria desafiar a esfinge
adversria... eu vi nos olhos de Adrian que aquilo no era prudente,
mas para Vittorio a arca j no bastava... ele queria o dobro de
tudo. E a esfinge negra sorriu malignamente quando ele perguntou:
-  Sob o luar duas contas, sob o luar meu tesouro, me diga o que sob o
luar vale mais que do mundo todo o ouro? - ele escrevera como sempre a
resposta sob a mesa e eu lera...
- Na verdade este enigma  um falso enigma, pois todo seu tesouro foi
trocado por uma arca de ouro que nunca vai te pertencer - disse a
esfinge negra, que continuou rindo - mas a resposta em versos, verso a
verso diz: Mais vale para este que vos fala, que ouro, joias ou qualquer
espada o doce olhar de sua amada.
Um silencio mortal desceu sob o acampamento. Eu vi nos olhos de Vittorio
o pavor quando ele estendeu ao homem o papel com os versos que a esfinge
acabara de recitar, letra por letra. E o mesmo silncio foi
substitudo por uma srie de gargalhadas altas e frias, a medida que
cada desafiante que Vittorio vencera transformava-se em demnio, dos
mais horripilantes que vi, e digo a voc, meu jovem, que nestes
duzentos ltimos anos eu vi demnios de todas as sete classes
conhecidas dos homens. Mas ento, eu inocente demais, no podia
imaginar como seria ento o rosto do demnio sob a face do
forasteiro...
Diante de mim e do apavorado Vittorio, ele deixou cair a mscara que
ocultava Azazel, o demnio de mil olhos, guardio das almas do
inferno, que estendeu seus braos grandes e negros onde chamas frias
danavam, para meu pescoo, que estava apavorada e sem reao.
Vittorio ps se diante de mim e gritou:
- No a leve, troco de lugar com ela... - o demnio riu novamente
sua risada gelada e disse:
- No me faa rir, no cobio o que cedo ou tarde, de um jeito
ou de outro ser meu... francamente, meu jovem... sua alma no vale
um dcimo da dela, que deixou-se  ir por amor a algum to
pattico quanto voc... - eu fechei os olhos apavorada, imaginando o
que aconteceria a seguir... quando o medo do inferno se instalava na
minha alma, eu ouvi uma voz poderosa dizer, e vi que vinha do pequeno
intruso:
- Voc no acha realmente que pode lev-la desta forma, no 
mesmo, Azazel?
- Quem pensa que vai me impedir? Voc, querubim? - o pequeno ento
rebateu, no mesmo tom:
- Eu estou neste mundo perseguindo a sua laia, embora s possa entrar
em cena quando vocs manipulam o livre arbtrio dos homens de forma
desonesta, como voc fez, e uma destas formas  abusar do poder do
amor. E eu no sou um querubim, Azazel... voc sabe muito bem que
meu nome  Salathiel, um dos sete filhos da face da ira de Deus... -
dizendo isso, o estranho cresceu e de sob as roupas surgiu um anjo
enorme, maior aida que o imenso demnio que havia na minha frente... E
eles comearam a debater sobre mim:
- Voc viu que ela concordou, eu no tenho culpa se ela no sabe
escolher um namorado que no a troque por qualquer ourinho que v na
frente.
- Voc sabe que a sua raa est impedida de fazer algum dispor
da alma e da vontade alheia...  a lei, vocs podem tentar quem
quiser, contanto que ele se perca sozinho...
- Mas qual era a graa de perder o que j est perdido? Concorda
que ela  muito mais interessante que ele?
- Aos olhos do Senhor eles tem a mesma importncia...
- Bravatas, Salathiel. Prove que ela no iria comigo se eu a tentasse
diretamente...
- Prove que ela iria, seu demnio de quarta classe...
- Hum, eu no sabia que anjos eram chegados a ofender demnios que
nada querem alm de fazer seu trabalho honesto...
- Se voc  honesto eu sou um duque do inferno...
- Acho que se voc viesse para o nosso lado no chegava nem a
conde...
- CHEEEGA- eu disse ento -  da minha alma que vocs esto
tratando! - eu disse irada, e ambos olharam para mim. O demnio meio
perplexo, Salatiel rindo-se.
- Ento, jovem - disse o anjo, ainda sorrindo - o que voc sugere
para resolver a contenda?
- Eu... eu quero uma nova chance! - eu disse e isso fez o demnio
ficar realmente muito zangado...
- Sem essa... nada de segundas chances - ele sacou um livro preto e o
mostrou a Salathiel - esto aqui as regras, e essas regras seu chefe
mesmo assinou quando o meu patro e ele chegaram mais ou menos a um
consenso sobre a administrao l do subsolo... est aqui:
vendeu a alma, j era...  sem volta, no tem segunda chance, seja
por muito ou pouco ouro, seja por um reino ou por um biscoito de
chocolate... a alma no  moeda de troca, t aqui, pargrafo
primeiro do captulo sobre almas e afins.. ela vendeu...
- Ela no vendeu... foi ele - Salathiel apontou para Vittorio e
continuou - IDIOTA, perdeu a alma dela no jogo, dispondo de algo que a
ele no pertencia...
- Ah, mas ELA consentiu... est aqui no pargrafo primeiro do
captulo que fala do livre arbtrio...
- Azazel no seja ridculo, eu sei as regras de cor, e sei que de
alguma forma voc as infringiu, seja l como for... eu acho que ela
tem direito a uma segunda chance...
- Bah, sem essa... eu no aceito.
- Ento, vamos para o alto da montanha lutar pela alma da moa...
- Ah, no da ltima vez que isso aconteceu eu apanhei durante
noventa anos seguidos de seu irmozinho mais velho, que no final ainda
levou a alma do sujeito... eu at admito que no sou um modelo de
honestidade, mas eu no saio por a com espadas de fogo espalhando a
ira de Deus no lombo de quem s quer, apenas e simplesmente fazer seu
humilde trabalho...
- Azazel... se at voc admite que no  honesto...
- Nada disso, eu ganhei a alma no jogo... se ela quiser a alma de volta
tem que ganh-la no jogo ento, de mim...
- Ento, se ela aceitar...- o anjo disse olhando-me apreensivo,
parecia que ele sabia que eu no tinha condio nenhuma de ganhar
a minha prpria alma no jogo, e subitamente pareceu ter uma
inspirao divina - eu como autoridade e representante das
autoridades celestiais digo que ela tem... quantos anos voc tem,
menina?
- Dezoito - eu disse
- Ento ela tem o direito de desafiar Azazel dentro de dezoito anos
pela posse de sua alma...
- Protesto - disse Azazel - voc est facilitando as coisas para
ela. Ela vai ter dezoito anos para se preparar... e porque dezoito anos?
- Porque foi o tempo que ela levou para perder sua alma...  justo que
ela tenha o mesmo tempo para consegu-la de volta...
- Est bem... se  assim, eu vou evitar que ela seja ajudada por
voc... eu exijo que ela seja, dentro de dezoito anos, representada
por outro, a ser escolhido na vspera...
- Tudo bem... Se ela no encontrar ningum que aceite o desafio tem
o direito de esperar mais dezoito anos...
- Ah, a  demais, isso no  justo...
- Bem, sempre temos a montanha e a espada de fogo...
- Est bem... mas ento... eu a amaldio at que a contenda
esteja resolvida, - o demnio disse rapidamente e acrescentou- e que a
cada passo uma desgraa a acompanhe para que ningum queira sua
companhia...
- E eu a abeno, com o poder que me foi dado... enquanto ela no
conseguir um desafiante para Azazel, nenhum dia se passar em seu
corpo, fora as marcas da espera, que sero dadas por um fio de cabelo
branco, como as marcas daqueles que eu abenco... e Virginie Vermont
no morrer enquanto o embate sobre sua alma no for decidido.
- Ei, isso no  justo!
-  justo por acaso amaldioar a menina?
- Mas agora... e se eu esperar at o juzo final?
- Pacincia, quem manda no ficar sentadinho na sua cadeira no
inferno esperando que as almas desviadas caiam em seu colo, demnio?
Garanto que voc teria muitas para se distrair... assim como voc
pode distribuir maldies, eu posso usar minha vontade e distribuir
bnos... acho at que voc ainda est em vantagem! Imagina
o inferno para ela ser alvo de sua maldio de azar... ela pode
ficar uma eternidade assim...
- Inferno na terra - disse Azazel -  um pensamento que me consola -
ele riu enquanto desaparecia na nuvem de enxofre com todos os seus
asseclas, deixando-me para trs, perplexa com meu triste destino.
Antes de desaparecer igualmente, Salathiel me disse:
- Sempre que a desgraa for demais, me invoque, e eu estarei com
voc para ajud-la... eu te protegerei at o juzo final, ou
at a sua alma ser sua novamente, perdoe-me se no pude fazer
nada antes... - e sumiu igualmente num facho de luz, deixando-me s,
com Vittorio, para quem nunca mais olhei na vida, depois daquela noite,
em que deixei o acampamento... eu fui para a Frana, novamente,
tentando no lembrar que havia uma maldio sobre minha cabea,
mas as coisas sempre pareciam conspirar contra mim...
Eu sabia alguma coisa de artes divinatrias e estava fazendo alguma
fama em Paris, tanta que a rainha me cxhamou para jogar o baralho de Mme
Le Normand para ela... no gostei do que vi nas cartas, e menos ainda
da multido que se acumulava na porta do palcio quando sa... meu
Deus, at hoje sinto-me culpada pelas cabeas dos Reis que
rolaram... Resolvi mudar de lado, e me juntei aos revolucionrios...
Jean Paul Marat acabou logo logo na banheira de sua casa, esfaqueado...
depois foi Danton, ento Robespierre... ah, quando eles desconfiaram
de mim eu me escondi numa floresta... sa no dia da coroao do
tal novo imperador. Eu queria saber porque fui dizer que Napoleo era
simptico! Deu no que deu... ainda bem que eu no fui para Waterloo
quando percebi o imenso canalha que ele era, imagine se ele tivesse
ganho.
Eu achei que j havia dado azar demais ao meu pas de origem... foi
quando eu reencontrei num leilo a esfinge de Vittorio, Adrian. Ela me
disse que ele havia morrido tuberculoso, alguns anos antes, a essa
altura meu prazo estava acabando e como eu fosse precisar de uma
esfinge, e mal ou bem a maldio no trazia derrotas financeiras,
eu pude comprar Adrian. Ela est comigo desde ento, mas ningum
que conhece a minha fama se dispe a aceitar o desafio... eu fui
expulsa do mundo mgico em 1890 porque a minha presena num
congresso mgico causou um grande incndio, e por mais que h
quase cento e vinte anos eu tente, no consigo ser aceita como
bruxa... em 1912 resolvi mudar de ares, e embarquei para a Amrica.
Precisei  ento pela primeira vez da ajuda de Salathiel para salvar
Adrian! E eu que achei que o Titanic realmente era inafundvel,
cheguei  Amrica em uma conduo improvisada, nas asas de um
anjo segurando uma pesada esfinge... e aqui estou, causando pequenas e
grandes tragdias desde ento, sinto que nunca deveria ter
aconselhado um amigo em 1929 a apostar na bolsa, e em 1977 no deveria
ter dito que a eletricidade era uma tima inveno...
E esta tem sido minha vida, e amanh pela dcima segunda vez Azazel
me espera para o desafio das esfinges... a onze eu compareci sem
ningum para me representar... espero que a despeito de minha
pssima fama, voc, Harry Potter, queira me ajudar.

CAPTULO 8  - TUDO SOBRE ESFINGES E AFINS...

        Diante dos olhos de Virginie Vermont, Harry Potter, por muitos anos
chamado "o menino que sobreviveu", franziu o cenho pensativo e ponderou
considerando as possibilidades: Muitas vezes acreditara que o futuro do
mundo bruxo dependia de seu sucesso e fracasso, principalmente nos anos
de luta contra Lord Voldemort, mas era sempre uma idia abstrata e de
fato ele no sabia ao certo o que isso significava, era entorpecido no
grau de sua grande responsabilidade... algumas vezes sem perceber tivera
em suas mos a sobrevivncia de algum, salvara Rony, Gina,
Hermione... e fora salvo algumas vezes por eles e por outros, inclusive
por Caius Black... mas eram outros tempos, e pessoas que ele conhecia
bem. Mas agora parecia tudo muito diferente...
        Nunca uma existncia, ou melhor uma alma dependera to nica e
exclusivamente dele e de seu desempenho... era assustador, mais que o
demnio de terceira classe que ele enfrentara ainda na escola de
aurors, mais que a pior face de Voldemort, que ele vira, era a idia
de fracassar e fazer com que a moa perdesse de vez a alma.
        Mas bom ou ruim fosse isso, Harry Potter nascera com corao de
heri. E heris no tem outra sada numa situao como essa
seno aceitar o desafio, no importando muito o que seja mais
fcil ou cmodo. O fato  que a partir do momento em que aceitara
ouvir a histria de Virginie Vermont, Harry se comprometera com ela, e
agora era impossvel voltar atrs, e como ele ainda fosse o menino
que sobrevivera, agora sua nica sada era vencer o duelo de
qualquer forma, mesmo nunca tendo jogado o tal jogo louco que lhe era
proposto. E foi por isso que ele olhou para Caius e dele para Virginie
antes de dizer:
- Est bem, eu topo.

Meia hora depois andava pela rua com os ps pesando meia tonelada
cada, imaginando a responsabilidade que tinha diante de si. Caius Black
sumira na neblina pouco antes do nascer do sol e Virginie proibida de
desaparatar mais que um quarteiro e simplesmente medrosa demais para
se locomover em qualquer meio de transporte coletivo ou individual,
seguira a p para seu pequeno apartamento perto da Broadway. Ele agora
estava s com seus pensamentos sombrios, e tinha que se preparar para
um duelo de esfinges.
Harry olhou o sol nascendo preguiosamente no horizonte, estendendo os
raios confiantes para a agora perpetuamente amedrontada cidade dos
vampiros, que agora ainda por cima tinham que aguentar um povo meio
paranoico que achava que a qualquer momento outros terroristas
atacariam.  Era possvel se andar tranquilamente por Nova Iorque,
desde que voc no morasse l. No morando l voc no se
preocuparia quando um avio cruzasse o cu, e no sendo um bruxo
ou um Van Helsing voc andaria tranquilamente na rua sem desconfiar de
cada sujeito que passasse por voc ou mesmo da nevoazinha suspeita que
rodeava seus ps.
Deu um suspiro e desaparatou para o hotel. O primeiro impulso foi se
atirar na cama e dormir longas horas sem pensar em nada, mas ento
lembrou-se que tinha que imediatamente comear a estudar duelos de
esfinge, e com uma expresso um pouco aborrecida, buscou no fundo da
capa o "Grande Livro de Perguntas e Respostas dos Aurores", que
consistia num pequeno livro fino de capa de couro impresso com letras
to midas que era impossvel enxerg-las. Abrindo-o Harry
disse:
- Quero saber tudo sobre duelos de esfinges.
O livro no mesmo instante comeou a folhear-se sozinho como que
soprado por um vento invisvel, para depois crescer at se tornar um
livro grande e bem pesado aberto num captulo que tinha a
ilustrao de uma esfinge ao lado de um homem.
DUELOS DE ESFINGES
Jogo no maligno, porm em desuso desde o sculo XIX quando as
esfinges comearam a tornar-se animais fora de moda. Muito comum entre
os extintos bruxos ciganos. Foi inventado no Egito Antigo pelo sacerdote
Amum-pep-hator, bruxo residente a servio do fara Amon-ha, que
queria algo para distra-lo nos longos anos de fartura.
Sua primeira edio era um tanto mais violenta e acabava com uma
esfinge devorando a esfinge derrotada, mas depois de protestos do
sindicato das esfinges que diziam que era muito humilhante ter que
devorar algum da mesma espcie, foi adaptado para que se devorasse
o jogador derrotado. Ento, como se em pouco tempo uma reduo
muito drstica no nmero de participantes tivesse sido sentida,
trocou-se a prtica da devora pela aposta de uma grande soma de
dinheiro. H quem credite a Amun-pep-hator tambm a inveo dos
dados de jogar e dos jogos de tabuleiro.
Das Regras:
As Regras so simples: Joga-se o dado e decide-se o primeiro
participante. Aquele que obtiver o maior nmero ser o primeiro a
rolar o dado novamente. O nmero que cair, de um a seis, mostra o
nmero de casas que a esfinge deve se deslocar. Ento, a esfinge
prope um enigma para o adversrio, e caso este acerte, conquista o
direito de rolar o dado e assim por diante. Quando o adversrio erra,
o outro joga novamente.
Isso significava que se ele queria ganhar o jogo, teria que acertar o
mximo de enigmas possveis e rezar para que o adversrio errasse
o mximo, o que na prtica, era meio impossvel.
O primeiro jogador a atingir a casa doze... Da em diante Harry
entendera tudo, mas foi bom saber a informao suplementar que o
giro de uma ampuleta revelava o tempo que ele teria para responder as
perguntas, o que dependendo da ampulheta, podia ser algo entre dez e
trinta segundos. Fascinante.
Harry olhou desanimado para o livro antes de dar uma olhada no espelho
comuicante, onde Willy o olhava intrigada. Deu um pulo antes de dizer:
- Porque voc no disse que estava a?
-  Porque voc parecia ocupado. A propsito, bom dia para voc
tambm... - ela riu e ele relaxou, antes de relatar tudo que
acontecera e o que arrumara para aquela noite
- Eu acho - ela ponderou - que o que voc deveria fazer era se
acalmar. Voc sempre teve uma tima cabea para essas coisas,
no tanto quanto Hermione, mas uma boa cabea de qualquer forma... -
eles se encararam em silncio ento ele disse:
- Eu te amo.
- Kakaka! Eu sei - ela disse arrogantemente antes de completar: - Quando
voc volta?
- No sei, espero que logo... d um beijo em Abel por mim.
- Claro, agora v estudar esfinges. - ela saiu da frente do espelho e
ele olhou novamente para o livro perguntando:
- E o que devo saber sobre esfinges para ganhar este jogo?
Rapidamente, o livro abriu-se num captulo que dizia:

ESFINGES - AS DETENTORAS DA SABEDORIA
        Na verdade as primeiras esfinges foram criadas por bruxos do alto nilo
a partir do cruzamento entre pedras,animessncia de lees e
humanessncia. Infelizmente os bruxos do alto nilo no deixaram nada
anotado sobre a humanessncia nem sobre a animessncia, que  o
segredo da vida e das espcies (os trouxas chamam de algo como
genomia) e nem sobre como conseguiram os primeiros cruzamentos,
portanto, a origem delas  hoje muito obscura at porque elas se
recusam a contar como foram feitas porque prometeram isso aos seus
criadores, e esfinges so acima de tudo muito fiis.
        Por terem almas de pedra so extremamente longevas, tanto que sua
vida no  contada em anos ou mesmo sculos e sim em eras,
acredita-se que uma esfinge viva entre seis e nove eras, o que na
prtica resulta em mais ou menos 20 mil anos. Sua infncia dura
cerca de mil anos, e a adolescncia, a fase mais problemtica mais
mil e quinhentos anos. Ento, quando completa sua primeira era, ela
atinge a maturidade e pode ser usada para responder e tecer enigmas.
        Enquanto seu dono vive, a esfinge lhe  totalmente fiel, e pode
compartilhar com ele, e com todo aquele que assim seu dono permite, seus
pensamentos e sabedoria, que jamais a abandonam. Normalmente a esfinge
tem o rosto de seu primeiro dono.
        As esfinges tem hbitos de acasalamento estranho. Sabe-se que as
fmeas entram no cio a cada 1200 anos (1/2 era aproximadamente) quando
se encontram um macho que lhes agrade, do  luz a um filhote que
cuidam por aproximadamente 500 anos. Sabe-se que normalmente aps o
acasalamento o macho torna-se estril (algo relacionado a
imperfeio na combinao entre a animessncia e a
humanssencia) , portanto, as esfinges so cada vez mais raras
devido a falta de machos disponveis para acasalamento e ao estranho
fato de que (novamente creditamos isso aos erros na manipulao
anmica) nascem muito mais fmeas que machos da espcie. Tambm
parece contar o fato de que muitas esfinges fmeas  rejeitem alguns
machos dizendo que eles so muito feios.
        Outra curiosidade acerca das esfinges  que quando o macho torna-se
estril automaticamente passa a se comportar de forma estranha,
portanto  muito comum que os donos no permitam que suas esfinges
macho cruzem.
        A personalidade das esfinges  sempre forte, mas elas tendem a
obedecer regras. Entre as coisas que uma esfinge no consegue fazer
 entrar no pensamento alheio sem a devida permisso
        Aqui por algum motivo Harry franziu a testa. Se pudesse olhar para o
lado, veria a mesma barata que encontrara no comeo desta histria
balanando furiosamente as antenas, praguejando porque ele lera algo
que ela no queria que ele soubesse... ao mesmo tempo, um pombro
imaculadamente branco pousado na janela esticou e encolheu as asas por
um imperceptivel instante como se comemorasse alguma coisa. A barata
balanou as antenas ligeiramente como que a tentar perceber algo no
ar, mas o pombo, disfarando, novamente comeou a se comportar como
apenas um pombo.
        A barata sentiu que aquilo podia atrapalhar seus planos para aquela
noite, e antes que Harry soubesse como, suas plpebras estavam mais
pesadas, e ele sentia um sono devastador, que posteriormente ele
creditaria  noite mal dormida. Ento, devagar, sua cabea pendeu
e ele caiu com a cara dentro do livro ressonando. A barata acreditava
que quando ele acordasse provavelmente no se lembraria de mais nada
do que lera sobre esfinges. Mas o pombo silenciosamente ps um sonho
com uma esfinge na sua cabea, um sonho mesmo, no um pesadelo.
        Mesmo no meio do sono Harry deu um sorriso.

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        O duelo havia sido marcado para a meia noite, na Catedral de St Paul,
mas Virginie queria apresentar com alguma antecedncia Harry  para
Adrian, sua esfinge.
        Na verdade o nome verdadeiro de Adrian era Hapt-at-asim, mas um dono
h uns bons quinhentos anos, um ingls meio burro que no
conseguia de forma alguma cham-la de Hapt-at-asim, dera-lhe o apelido
de Adrian, que era a filha do dono de uma Taverna com quem ele achava a
esfinge bastante parecida, embora isso fosse apenas uma desculpa para
por o nome dela na esfinge, uma vez que ele era apaixonado pela menina
que no lhe dava a mnima bola.
        Adrian tinha 3200 anos, ou seja, estava quase no meio de sua segunda
era de vida, era inteligente (pois era uma esfinge)mas depois de tanto
tempo convivendo com bruxos loucos, que eram os nicos que se tornavam
amigos de Virginie, era meio doida tambm.
        Harry chegou ao apartamento de Virginie com muito atraso, encontrando
Caius com a cara ligeiramente amarrada e Virginie absolutamente
preocupada. Quando Caius o encarou, disse:
- Voc deve ter dormido um bocado, hein?
- Eu no sei o que aconteceu, estava estudando sobre esfinges e
ento, peguei no sono. Acordei quase nove da noite, me sentindo muito
bem... a cabea fresca. Tive bons sonhos.
- Voc no deve ser normal mesmo, qualquer um que fosse enfrentar um
demnio teria pesadelos.
- Caius, dava para pularmos esta parte e irmos direto ao assunto? Boa
noite, Virginie... onde est sua esfinge?
- Atrs de voc - disse uma voz suave e meio rouca, mas
decididamente feminina. Harry virou-se e viu uma esfinge de pedra bem
atrs dele comeando lentamente a ganhar cor e tornar-se cada vez
mais viva at que espreguiar-se e dizer:
- Ol... voc deve ser o Harry... meu nome  Hapt-at-asim... mas
pode me chamar de Adrian, porque  assim que eu sou conhecida desde o
sculo XV...
Harry encarou a esfinge. Ela tinha o rosto de uma mulher morena e
extica, mas bem bonita, algo na casa dos 20 ou 30 anos mais ou menos.
Era simptica tambm, pois no parava de sorrir, e era tambm
muito menor que a esfinge que enfrentara h uns anos em Hogwarts, no
torneio tribruxo, ah, claro, aquela havia sido providenciada por Hagrid.
- O que houve, Bast comeu sua lngua, Harry? - a Esfinge disse
animada.
- Bast?
- Uma das Deusas do meu tempo... cabea de gato, corpo de mulher, mais
ou menos o inverso de nossa raa. Eu tenho o rosto e o nome de uma
sacerdotisa muito, mas muito desconhecida mesmo, coitada, tanto que ao
invs de acabar esperando transformada em pedra por 2200 anos dentro
de uma pirmide como muitos dos meus parentes eu acabei a primeira
dinastia num saldo de esculturas...  depois passei de dono em dono,
at que na grcia uma famlia de bruxos me adquiriu em... no
lembro se foi em 23 ou 32 dC... eu me embolo nos primeiros anos da era
Crist, eu nunca sei direito qual o ano zero realmente.
- Acho que isso no  muito importante - disse Harry - eu sei que
precisamos nos conhecer, mas, no era melhor ns falarmos do jogo?
- Jogo? Ah. No se preocupe, est tudo aqui - ela apontou a pata
para a cabea e continuou tagarelando - de qualquer forma eu dei mais
sorte que minha tia Emmun-arat-arat que alm de ter a cara de uma
sacerdotisa de Hator que realmente parecia um crocodilo, ainda passou os
mil primeiros anos da era crist com um bando de Reis malucos cujo
passatempo era jogar os pobres cristozinhos (eu gostava deles, os
cristozinhos, embora eles achassem naquela poca que eu era coisa
de gente...hum, pag) bem, eles jogavam os pobres cristozinhos numa
arena e voc sabe, por mais que lees sejam assim meio que nossos
parentes, os homens tambm so e... do que eu estava falando mesmo?
- Voc estava falando da sua vida...
- Ah, sim, depois de muito tempo, e aquele dono idiota que me deu esse
nome, eu fui trocada numa aposta por uma esfinge meio doente e esfalfada
, acho que o nome dela era El-ain-net (tambm, ela tinha mais duas
eras que eu, se bobeasse) por Vittorio, e dele eu tive mais dois donos e
ento Virginie... Virginie, voc contou a ele como conseguimos
aquele violino para voc?
- No Adrian - Disse Virginie tapando o comeo de uma risada - conte
voc.
- Bom, o nome dele... bem, o nome do sujeito no era to importante
quanto o sobrenome, Paganinni,  acho que j ouviu falar nele.
- Razoavelmente...
- Bem, ele era legal, mas manaco, extremamente manaco, ele era
assim, padre, mas os colegas dele tinham srias, mas sria
desconfianas que ele era possudo quando tocava... e ele ficou
apaixonado por ela - a esfinge apontou para Virginie rindo- e bem, ela
alm de no querer nada com ele, que tinha a cara de uma coruja que
ficou teeeempo demais na chuva, estava na poca meio pobre, sabe,
tinha vendido o seu ltimo violino para pagar meu almoo.Coelhos,
adoro coelhos, mas deixei de com-los cruz h uns bons dois
sculos porque agora no sou mais to selvagem... bem,
resumidadente, eu e ela, hum, ns, fizemos a nica coisa
censurvel nestes ltimos... 150 anos, creio.
- Ns roubamos o violino de Paganinni. - Harry olhou para Virginie
incrdulo.
- No que isso seja importante, mas... como?
- Bem, ele achava que eu era cigana e bruxa, no necessariamente nesta
mesma ordem, e eu prometi a ele que se ele compusesse uma msica bem
interessante eu ... eu...
- Ela danaria para ele - riu a esfinge.
- E voc danou? - harry olhou para a moa que sacudiu a cabea
positivamente.
- E o que ela fez nesta histria?
- No muita coisa - disse Adrian - ele tinha trs ou quatro
violinos, um no ia fazer tanta falta, no  mesmo? Enquanto ele
mostrava a msica para Virginie com os olhos nela, danando, eu fui
devagarzinho e silenciosamente e roubei um dos violinos dele, que estava
atrs numa bancada... ele tinha a mania de tocar a msica com os
olhos fechados, e bem, quando os abriu...
- Eu e Adrian j estvamos bem longe... eu usei p de flu na
lareira dele - disse Virginie com a cara mais inocente do mundo.
- Chega - interrompeu Caius que estivera ouvindo quieto e extremamente
contrariado por no ser o centro das atenes - Se vocs
contarem mais uma histria como essa, Harry vai achar que Virginie
merece ser levada por Azazel. Com mil diabos, no existe um nico
pecado que um sangue quente no possa cometer se tiver a oportunidade
de viver duzentos anos...
Caius olhou srio para a esfinge que deu a ele um olhar derretido que
o envolveu de alto a baixo, lnguidamente.
- E no me olhe desse jeito, conheo todos os seus truques,
Hapt-at-asim, temos um duelo a vencer.

CAPTULO 9 - APOSTANDO A ALMA (no tente fazer isso em casa)

        Era um grupo estranho aquele caminhando pela noite novaiorquina: Um
bruxo disfarado de trouxa, uma ex-bruxa com uma esfinge disfarada
de co (a mscara no agradava Adrien nem um pouco, com a cara de
um So Bernardo) e um vampiro com cara de vampiro.
         Iam em silncio, sentindo o ar frio do Outubro de Nova Iorque, de
vez em quando Caius olhava em volta e escutava um pouco, ele estava
sempre alerta, pois sabia que mesmo sendo considerado no hostil,
no era extamente um vampiro bem quisto.
        Entraram silenciosamente na Rua 59 Oeste, e perto do Lincoln Center,
viram sob a iluminao a igreja catlica onde aconteceria o duelo.
        A Igreja de So Paulo Apstolo parecia uma igreja gtica
medieval, mesmo tendo sido construda a menos de dois sculos.
Alguns anos antes havia sofrido um pequeno incndio, e ma reforma
havia sido planejada, mas acabara se estendendo mais tempo que o
previsto e ento a igreja encontrava-se atrs de andaimes forrados
com tela, para uma restaurao completa. Todo o mobilirio interno
havia sido removido, bem como imagens de altares. Apesar de ser uma
igreja, e apesar de ainda ter vitrais e pinturas de santo, era um dos
poucos lugares em Nova Iorque onde a presena de um demnio seria
tranquila... nada prenderia sua ateno do lado de fora.
        A igreja deserta parecia dissoante no meio da noite de nova iorque, um
carro passou por eles e um bando de gente gritou, pois eles haviam
parado bem no meio da rua para apreciar a construo. Harry
casualmente fez com que o carro desviasse deles com um feitio. Foi
quando viu a figura.
        Um homem baixo, de no mximo 1,60 de altura, de culos de
armao de metal fino, lia um jornal e fumava encostado  porta da
igreja. Parecia em suas roupas ter as cores mais desbotadas que o resto
da paisagem, para falar a verdade, parecia cinzento como se sado de
um filme preto e branco.  At seu cabelo louro e fosco parecia ser
acinzentado. Era o tipo de pessoa que se passa cem vezes por ele e no
o nota, porque essa era realmente a inteno dele. Que na verdade
era um anjo.
- Salathiel - chamou Virginie e ele sorriu, ficando completamente
diferente.
- Eu sei tudo -ele disse brandamente a ela, ento virou-se para Harry
e disse:
- Faltam cinco minutos.
- Eu sei.
- Sero s voc e a esfinge, contra  um demnio muito antigo e
uma esfinge negra. Tenha cuidado, seja honesto, e tudo vai se resolver.
Seja honesto... esta frase provocou uma estranha reao em Harry,
como se algo que eles estava quase descobrindo pudesse subitamente vir
 mente... algo sobre como vencer o jogo.
- E eu? - disse Caius a Virginie - entro ou fico do lado de fora?
- Voc fica aqui - disse o anjo - de guarda. Eu se que para voc 
na verdade indiferente entrar ou no numa igreja, porque uma igreja
sozinha no guarda a f que o faz tremer... mas pela sua origem 
melhor que voc esteja do lado de fora. -  "Ele no confia em Caius"
- pensou Harry olhando o rosto sem cor do anjo. Caius olhou para ele, e
Harry sentiu pela primeira vez desde qu conhecera o vampiro, que este
estava apreensivo quando deu-lhe boa sorte e virou-se, sem querer
encar-lo. Um silncio incmodo e pesado cara sobre eles, e
perdurou at o momento em que o anjo levantou um brao e ato
contnuo a porta dupla da igreja se abriu com um rudo seco.
Quando entraram  na nave vazia, alguns pombos saram por um vitral
quebrado no fundo  da nave abandonada e conforme avanavam, seus
passos ecoavam no silncio do lugar vazio. Harry olhava para o alto,
os olhos percorrendo os rostos dos santos retratados nos vitrais
coloridos, rostos que traziam xtase, dor, compaixo.  Ele entendia
muito pouco daquilo que os trouxas consideravam divino, mas aquelas
figuras o incomodavam um pouco em seu ntimo. Bem no centro da igreja,
Salathiel parou e disse, com sua voz rouca:
- Azazel, comparea.
Ento, estava l. Harry sentiu sua presena imediatamente, e os
pelos de sua nuca  se arrepiaram como as costas de um gato, mesmo que
ele ainda no tivesse visto as duas silhuetas escuras que se
desenharam no fundo da nave da igreja, onde ficaria o altar. S
ento se deu conta que Virginie tremia, alguns passos atrs dele. As
silhuetas avanaram at que a luz que escapava de uma janela
envidraada as revelou, para a surpresa de Harry.
A Esfinge era enorme, e tinha o rosto e a juba negras como basalto
slido. Suas patas podiam facilmente esmagar um crnio, munidas de
garras que mesmo escondidas, de vez em quando apareciam, quando ela
levantava uma das patas para avanar. Suas feies masculinas eram
estranhas, de um tipo e etnia que Harry nunca se lembrava de ter visto,
algo entre o etope e o rabe. E seus olhos vermelhos de pupilas
fendidas faiscavam como rubis gmeos.
A outra figura que o surpreendeu, pois na sua mente imaginava que o
demnio apareceria como o estranho alto que Virginie descrevera, assim
como o anjo aparecera como o homem cinzento. Mas Azazel escolhera uma
figura feminina para aparecer. Era uma mulher de surpreendente e
estonteante beleza, uma cascata de cabelos dourados caa-lhe at o
meio das costas, em cachos reluzentes. A pele bronzeada contrastava com
o tom de ouro dos cabelos e as feies eram lindssimas e finas.
Em tudo parecia uma mulher normal, apenas seus olhos amarelos a
traam.
Salathiel apertou seus olhos cinza escuros enquanto a figura de mulher
se aproximava como se no tivesse pressa. Ento, quando estava no
centro do salo Azazel falou...
- Ola, Salathiel no te vejo h dezoito anos... parece que
finalmente sua protegida arrumou algum para represent-la. Esta
noite resolvemos nosso empate.
- Azazel... isto na verdade  entre voc e eu. Vamos resolver isso
entre ns dois!
- Regras, anjo, regras... entre os humanos como os humanos, lembra-se?
Esta  a condio para se mediar as contendas...
- Eu sei. Ento, concorda que eu sej o rbitro?
- Claro, anjos so confiveis, porque seu Pai lhes deu esta
condio de s falar a verdade... nenhum juiz pode ser melhor, as
mentiras e desonestidades ficam por nossa conta.
Isso despertou novamente algo em Harry. Algum ou alguma coisa tentava
lhe falar algo sobre honestidade, e ele quase sabia o que era, quase.
Salathiel nada disse enquanto  mexia no bolso. Sem que ele se movesse,
uma mesa apareceu diante de si, e ele depositou uma ampulheta de cristal
que tirara do bolso. Ento, do mesmo bolso algo que reluziu  pouca
luz da igreja e ele olhou para o alto e quase automaticamente todos os
candelabros se acenderam, revelando o salo empoeirado e cheio de
materiais de obra. Silenciosamente ele sacudiu o que pareciam dados em
suas mos e jogou no centro do salo. Os dados tocaram o cho e
algo aconteceu, porque o piso se modificou e a poeira desapareceu do
centro para os cantos do salo quando uma estranha marcao
luminosa surgiu no cho.Um crculo com um olho egpicio surgiu no
centro, e de cada lado, um caminho de casas numeradas apareceu casa por
casa, fazendo um ngulo reto e virando e chegando aos ps dos dois
competidores. Neste momento, os candelabros do teto apagaram-se.
- O jogo est iniciado - disse Salathiel o dado branco representa
Harry Potter, o vermelho Azazel. Aquele que tirou o maior nmero  o
que tem o privilgio de iniciar.
Harry andou at o centro do tabuleiro. A nica luz no ambiente
escuro da igreja abandonada era a luz proveniente do tabuleiro. Ela
iluminava-os debaixo para cima, e sob seu encanto meio fantasmagrico,
as luzes e sombras deixavam a figura feminina diante dele assustadora
apesar de toda a sua beleza. E o que fazia com as feies
assustadoras da esfinge negra no poderia ser descrito. No em
palavras. Harry desviou seus olhos dela e olhou para os dois dados. O
seu marcava um trs, o do Demnio, cinco. Olhou para figura de
mulher e disse:
- Voc comea. - A mulher riu e estendeu a mo e por um fugaz
segundo, a mo teve seu real aspecto no instante em que o dado voou
para sua mo, que causou o sobressalto de um segundo em Harry. Ele
voltou para a sua casa um, ao lado de Adrian, que tinha agora uma
expresso indecifrvel. Harry atraiu tambm seu dado para sua
mo e o segurou firmemente. Enquanto o Demnio lanava seu dado no
tabuleiro.
- Trs - disse o anjo na qualidade de rbitro e Harry viu uma
expresso de desagrado passar no rosto da mulher-demnio. Era como
se o resultado no fosse o esperado. Salathiel disse srio:
- Num jogo arbitrado por mim, contente-se em usar meus dados, que no
mentem, Azazel... - E Harry soube. O anjo estivera todo tempo dizendo
para prestar ateno, porque o demnio no jogava honestamente.
Sua nica chance era acertar as charadas, porque se ele tentasse jogar
como o demnio, seria derrotado. A esfinge andou at a terceira casa
do jogo e depois de rodar no mesmo lugar como um leo, sentou-se
olhando diretamente para Harry, ento, sem pausa, disse a charada:
"Eu vou, eu volto.
Eu volto, eu vou.
 noite sou negro
de dia posso ter
tantas cores quanto o cu.
E do meu comeo, nunca
consegues ver meu fim.
Quem sou eu?"

        Salathiel olhou-o e disse que ele tinha um minuto e meio antes de girar
a ampuleta de cristal. Imagens de coisas vieram rapidamente  cabea
de Harry... era algo imenso, ele tinha que pensar em coisas que fossem
grandes, que avanassem alm do horizonte... eu vou, eu volto, eu
volto, eu vou... movimento, oscilao... seu rosto iluminou-se
quando disse, num grito:
-  o mar! - ele sentiu uma onda quante percorr-lo quando a esfinge
acenou a cabea em assentimento, e ouviu o suspiro fundo de Virginie
atrs de si. Era estranho que a primeira charada fosse to fcil,
provavelmente Azazel queria que ele ganhasse confiana para depois dar
seu golpe. Redobrou a ateno por causa disso.
- Sua vez - disse o anjo e Harry atirou o dado, e mal acreditou quando
caiu um cinco. Adrian avanou da mesma forma que a outra esfinge e
quando parou na casa cinco, disse:
"Quando ela est
ele se esconde
Quando ele chega
Ela vai embora
Qual o nome dos
Enamorados que
Menos se encontram?"

        O Demnio pensou um instante antes de responder, ento sorriu e
disse:
- O sol e a Lua - Adrian olhou conformada para Harry, que deu de ombros.
Seria mais difcil que ele imaginava.  Ele no soubera a resposta
deste enigma, e agora teria que responder outro... algo acontecera
naqueles trinta segundos que Azazel usara para responder, de alguma
forma, Harry achava que ele tentaria roubar. Prestou ateno no
enigma que a esfinge do demnio disse, quando atingiu a casa sete.
"Sbios no responderam esta:
o que  menor que a menor das coisas
e maior que maior dos mundos
viaja mais rpido que o mais rpido
para antes que se possa ver onde foi,
sem que se possa prever seu rumo?"

        Por mais que pensasse, Harry no sabia o que este enigma queria
dizer... ele espremeu a mente at o fundo e antes que chegasse a uma
concluso, o seu tempo acabou. Ele encarou Virginie desolado quando
Azazel disse:
- Voc no  mais sbio que os sbios... pensou tanto, mas
no te ocorreu que pensamento era a resposta para este enigma...
A cabea de Harry comeou a latejar e doer... terrvel, comeara
com sorte, mas pelo visto agora teria que rezar para que a esfinge no
tirasse uma nota alta, ou corria o risco de perder a alma de Virginie. O
anjo olhava para ele de seu posto de rbitro impassvel, ele estava
numa situao terrvel, que s pioraria se o dado do demnio
chegasse ao nmero...
- Seis - disse Azazel triunfante - casa treze.
Era uma droga perder to depressa, pensou. O demnio sorriu para ele
sedutoramente e disse:
- Vou te dar uma oportunidade... uma nica oportunidade. Desista agora
eu deixo a moa ir, por mais dezoito anos... eu desconsidero este
jogo, porque tenho me divertido vendo a espera dela... tenho me
divertido mais com a alma dela em terra, provocando desgraas e
espalhando o medo, ela sofre mais na terra que sofreria no pior dos
infernos, e isso me agrada demais
Harry sabia que um demnio nunca propunha um acordo vantajoso para
ambas as partes. Se o demnio propunha isso,  porque Virginie viva
e amaldioada era mais interessante para ele que sua alma... e havia
ainda a pequena possibilidade de Harry ganhar o jogo, o que significava
perder a alma de Virginie. Harry olhou para Salathiel e viu que o anjo
no podia ajud-lo por mais que trasparecesse querer fazer isso.
Olhou ento para Virginie e viu no rosto da moa a aflio. Ela
queria acabar logo com aquilo, mesmo que significasse perder sua alma...
ele precisava continuar o jogo, por ela. Se perdesse, ela o perdoaria,
se desistisse a maldio continuaria com ela.
- Eu quero jogar. Mesmo que eu perca.
- Ento, o dobro ou nada.
- O dobro ou nada?
- Sim, eu farei uma pergunta  sua esfinge e se ela no souber...
- Voc leva a alma dela e a minha,  isso?
-  isso.
- Ok,  uma punio justa para a derrota.
A esfinge negra olhou nos olhos de Harry e riu, e ele sentiu algo
estranho passar pela sua cabea. Azazel ento adiantou-se para fazer
a pergunta e neste momento Harry teve um lampejo e encarou o demnio
no srio, no com medo, mas com uma expresso franca e honesta,
e o demnio soube o que se passava na cabea de Harry, e Harry soube
o que realmente Salathiel quisera dizer.
- Espere - disse Harry - este tempo todo eu tenho sentido uma
dissonncia em minha mente... voc estava aqui o tempo todo... sabia
o que eu pensava, no  mesmo, Azazel?  assim que voc ganha,
voc rouba...
- Vamos ao que interessa.
- No... eu no devia estar aqui! Salathiel h duzentos anos no
podia intervir no jogo, mas podia impedir que voc levasse Virginie...
porque assim como ia roubando no jogo de hoje, entrando na minha mente,
e provavelmente na mente da minha esfinge, h duzentos anos, roubou
entrando na mente de Vittorio Zaba, e duvido que voc consiga negar
isso, demnio.
- Voc no tem prova nenhuma.
-  Azazel - Salathiel disse - ele no tem provas, mas tem uma
testemunha. Eu estava l, e no era o rbitro, lembra? E pelas
regras, no podia intervir. Mas hoje eu posso, porque ele contestou o
resultado do jogo. Admita, Azazel... acabou para voc...
Imediatamente a face bronzeada da mulher se cobriu de fria e ela foi
escurecendo, sua voz gritando se tornou um enorme barulho que soava como
o coro de muitas vozes furiosas e Harry viu diante de si a face de
Azazel, o demnio de mil rostos, que era literalmente uma legio de
rostos entrelaados em expresses ameaadoras, ao qual o rosto da
mulher se fundiu, e nessa hora, a esfinge negra desfez-se em p,
enquanto o demnio descarregava sobre ela sua raiva. Adrian se
encolheu ligeiramente de medo e Harry virou-se para Virginie e disse que
no olhasse, pois ele mesmo evitava olhar... apenas direcionou sua
mente para o feitio contra demnios mais forte que conhecia, pois
tratava-se de um fortssimo demnio de primeira classe.
Mas algo aconteceu.
Uma coisa luminosa surgiu entre o demnio e Harry, e quando Harry
conseguiu olhar, havia asas abertas tampando a viso do demnio.
Salathiel tomara sua verdadeira forma, branca, brilhante, longilnea,
da altura de trs homens adultos. E Harry viu de relance quando o anjo
ergueu a mo direita, e nela havia uma espada de fogo. Mas no era
uma espada. Era o prolongamento do prprio brao do anjo, na forma
de uma lmina incandescente onde brilhavam chamas brancas... de onde
estava, Harry podia sentir o calor. No ouviu, por mais que quisesse o
dilogo breve entre o anjo e o demnio, apenas olhou para Adrian e
Virginie, que tinham ambas a mesma expresso intrigada. Mas nenhum dos
trs se animou a dizer nada, talvez por respeito, talvez por medo
mesmo, pois a imagem de um anjo furioso no era muito mais bonita que
a de um demnio na mesma circunstncia.
E foi quando Salathiel se virou, e agora tinha a aparncia de um
grande ser de luz, e suas asas estavam fechadas atrs dele quando
falou:
- Virginie, voc est livre... agradea a Harry Potter. - a moa
abafou um grito de felicidade... e abraou Harry.  - a maldio
acabou e com ela, sua imortalidade.
- Eu no me importo! Viver demais tambm cansa, pelo menos neste
mundo. - o anjo sorriu.
- Mas no  s isso. Escolha uma alma para tirar do inferno.
- O que?
- Isso mesmo... ele teve sua alma por duzentos anos... eu consegui um
acordo. Voc deve escolher uma alma para salvar do inferno.
Virginie abriu a boca... ia falar o nome de Vittorio, mas ento pensou
que ele era um ingrato... foi quando ouviu uma voz mau humorada dizendo:
- Este no est comigo! - um vulto baixo saiu das sombras, na forma
grotesca de um homem  atarracado que a olhou com raiva. Harry reconheceu
azazel pelos olhos amarelos.
- O Maldito Vittorio Zaba se arrependeu depois que voc o deixou...
ele, humpf.. consertou sua existncia - Harry riu lembrando-se que o
demnio dissera que a alma de Vittorio era dele j... que
maravilhosa era uma vida de imprevistos. O demnio olhou-o emburrado e
ele ficou srio com alum esforo. Virou a cabea subitamente
quando Virginie disse:
- Caius. Liberte a alma de Caius Black!

10 - O OUTRO JOGO

A noite estava muito fria, mas Caius no ligava, porque no sentia
frio, bem como no sentia calor, ou nenhuma outra sensao
fsica. Essa era uma das vantagens de ser um morto vivo... e uma das
grandes desvantagens tambm, porque grande parte da graa deste
mundo est na capacidade de sent-lo vivo. Ele estava parado 
porta da igreja, para qual de vez em quando dava um olhar ligeiramente
sombrio, ao lembrar-se da ltima vez que estivera naquela
vizinhana, fazia muito tempo, dezesseis anos antes.
Chutou uma pedrinha cada da obra para um lado e para o outro vrias
vezes, mas mantinha-se irritantemente  calmo, como era tpico dos
vampiros... queria estar nervoso, mas no se podia ficar nervoso
quando no se tinha nervos, mesmo quando se tratasse de sua melhor
amiga... no fundo ele confiava mais no rapaz que gostaria... ele achara
timo poder ganhar algo em troca da informao que chegara at
ele de forma to casual, a informao sobre o assassino de
vampiros pacficos, algum que era doido para por suas mos sobre
o ltimo dos Black que ainda era um vampiro.
E quando estava nestas divagaes, viu que algum apareceu ao seu
lado, e este algum era o anjo, que ele supunha estar l dentro.
- O que voc quer, Salathiel?
- Conversar com voc.
- No seria mais certo voc estar l dentro? Acho que voc 
necessario l, e no aqui...
- Voc nunca ouviu falar em ubiqidade? Uma das coisas que os anjos
podem fazer e outras criaturas no, incluindo a a grande maioria
dos demnios,  estar em dois lugares ao mesmo tempo.
- Ento tem outro voc l dentro?
- No. Eu estou l dentro, e estou aqui, e estou tambm num campo
de trigo na Eslovnia e numa praia da Itlia e em alguns outros
lugares...
- Hm, interessante... mas qual seu interesse em mim?
- Bem, saber algo... dentro de pouco tempo, muito pouco, o jogo vai
terminar sem um legtimo vencedor...
- Como voc sabe?
- Na verdade, ns temos alguma anteviso das coisas, 
necessrio no nosso trabalho... mas nunca sabemos como as coisas vo
realmente terminar... o que eu quero te dizer,  que quando tudo l
dentro acabar voc vai ser chamado...
- E?
- Vai ter que responder uma pergunta...
- E?
- Voc quer sua alma de volta?
- Hein?
- Quer voltar a ter sangue quente e um corpo vivo, e terminar sua
existncia como homem?
- Porque est me fazendo esta pergunta?
- Porque vo te fazer esta pergunta, e eu quero ajud-lo a
responder.
Caius lembrou-se por um fugaz instante da sua ltima sensao como
sangue quente... a sensao da morte. Dissessem o que fosse, morrer
no fora nada divertido. Ele no queria passar por aquilo de novo
sem saber o que vinha depois. Mas tambm no queria rastejar
eternamente entre os sangue-quente, protegendo a sua vida  como um bem
precioso porque no queria morrer e virar escravo no inferno. E foi
isso que fez lembrar-se de uma coisa.
Ele tinha amargura dentro de si, disfarada sob aquela capa cnica
de vampiro cool, porque no havia uma nica noite que no pensasse
em Jane, Lubna e Misty, as trs vampiras que haviam sido muito
importantes para ele, as trs que ele sem querer levara 
escravido no fundo do inferno. E quando pensava nisso, a porta da
igreja se abriu, e como se fosse sonho, Salathiel desapareceu, ou
melhor, apareceu em outra forma, a qual ele no podia olhar muito, na
porta da igreja. Percebendo isso, Salathiel educadamente recolheu as
asas e se tornou um homem novamente.
- Ento? Voc tem uma deciso?
Caius entrou vagarosamente na igreja, enquanto Virginie matraqueava
sobre como Harry conseguira sua alma de volta, e como Salathiel tinha
negociado com o Demnio a devoluo de sua alma, e que maravilha,
agora ele podia tornar-se novamente um homem, e terminaria a
maldio dos Black, e tudo seria lindo, e...
- No quero. - Caius olhou diretamente nos olhos dela, e viu a
expresso perplexa que surgiu neles neste instante.
- Mas Caius...
- Eu no mereo, Virginie. Nunca fiz por merecer minha alma de
volta. Sou uma droga de desgraado... eu acho que outros merecem mais
que eu... - neste momento, Azazel, at ento calado, viu uma
oportunidade imperdvel, e se esgueirou na forma hipcrita de um
homem de terno at onde estavam.
- Meu jovem, tem algum que voc queira tirar do inferno em seu
lugar? - o demnio sabia a resposta. Ele conhecia muito sobre o
inferno em cada um, e sabia que trs almas amadas por Caius eram
presas do inferno. Era hora de comear o outro jogo...
- Sim, mas no apenas uma, Demnio - disse Caius com um olhar
desafiador
- Eu posso libertar as trs... - Harry, que se mantivera calado,
trocou um olhar com o anjo e sentiu a tenso nos olhos dele, e viu que
devia fazer alguma coisa, ou em vez de uma alma liberta, Caius cairia
para sempre.
- O que voc quer para libert-las? -  Perguntou Caius, com uma
centelha viva no fundo dos olhos azuis.
- Jogar o outro jogo - disse Azazel - O jogo do poder... se voc
ganh-lo, elas sero libertas...
- Como posso saber se sua palavra  confivel? Eu tenho muito
conhecimento do seu tipo de natureza...
- Muito simples... Existem regras que at mesmo eu sou obrigado a
cumprir. - O Demnio arrancou o prprio corao do peito,
fazendo a esfinge cobrir os olhos com a pata e Virginie abrir a boca com
espanto. Ele estendeu o corao para Salathiel e disse: - Segure-o
at que eu volte, anjo... voc conhece as regras.
Harry sabia porque o demnio fizera aquilo, estava no livro de estudos
sobre demnios, da escola de aurores.  Demnios sabiam que anjos
no diziam mentiras, nem faziam o mal... quando queriam mediao
de uma contenda, recorriam aos anjos. Na verdade, Azazel planejava
desafiar Caius para tomar algo que para ele j pertencia ao inferno,
ou seja, a alma do vampiro. E se o desafiava,  porque sabia que Caius
no tinha condio de venc-lo. Ento, seguindo novamente seu
instinto, Harry disse:
- Caius... no jogue com o demnio...voc no pode ganhar.
- E da, rapaz... o que importa? Pelo menos eu faria algo pelas trs
que quero libertar.
- Voc no ajudaria perdendo o jogo e tornando-se um escravo
tambm...
- Ajudaria minha conscincia pesada, Harry.
Harry hesitou um instante... ele no queria ver Caius sumir-se para
sempre, era chato admitir, mas gostava do vampiro. Tambm no queria
que aquele demnio antiptico saisse dali com o mnimo sorriso de
satisfao. O corao do demnio estava nas mos do anjo...
portanto, era uma hora propcia para desafi-lo, porque no fundo
no engolira o fato de s ter vencido o jogo anterior por um grande
golpe de sorte, porque do contrrio teria perdido rpido e de forma
vergonhosa. Ele encarou o demnio.
- Eu te desafio no lugar dele, Azazel...
- Ora ora ora... parece que voc gosta de se meter na vida dos outros,
hein?
- No... eu sei que ele no tem chance...  voc conhece a natureza
dele a fundo e sabe que seria fcil venc-lo em qualquer jogo
- Seria fcil vencer voc tambm, jovem falco vaidoso...
- Prove isso - os olhos de Harry cintilaram de raiva.
- Se ele quiser trocar de lugar com voc... por mim tudo bem. - O
Demnio sorriu, porque vira naquele lampejo de Harry a oportunidade
nica de venc-lo. Havia um desafio para cada pessoa, e ele
vislumbrara o que poderia derrotar Harry.
- Voc no precisa fazer isso, Harry - disse Caius, olhando Harry
contrariado
- Voc no entendeu... eu quero fazer isso - Harry agora pensava nos
livros de histria, nos confrontos entre demnios e bruxos, na
oportunidade de estar registrado l... era um grande feito para um
auror enfrentar um demnio real, nunca se derrotava um de vez, mas
cada vez que um demnio sofria uma derrota, ficava anos sem poder
voltar  superfcie, e isso fazia o mundo ficar menos mau... um
demnio com o poder de Azazel por uma centena de anos preso no inferno
era algo de que um auror poderia se orgulhar para o resto da vida.
Logicamente Harry nem se lembrou dos oitocentos e oito vebetes com o
nome de um bruxo seguido por um "derrotado por um demnio no ano tal".

Salathiel se aproximou do demnio e disse:
- Eu no posso intervir se ele quiser te enfrentar, Azazel... mas seu
corao est na minha mo agora... voc sabe o que farei com
ele se o rapaz venc-lo e voc for desonesto com ele...
O demnio apenas sorriu em resposta.
Harry convenceu Caius a deix-lo ir em seu lugar e olhando com firmeza
o demnio disse:
- Aceito seu desafio. O que vamos jogar?
- O Outro Jogo - disse o demnio - numa sala do inferno - e dizendo
isso direcionou-se para uma porta lateral da igreja e a abriu. Dava para
uma sala qualquer. Com um gesto de mgico, abriu-a novamente e Harry
viu que agora a porta dava para uma sala com uma lareira e um tabuleiro
no centro, e duas poltronas altas. Parecia at que jogariam xadrez.
Ele passou e o demnio disse:
- S ns dois.  - O anjo olhou para Hary uma ltima vez e disse
uma frase intrigante:
- Seja esperto. - a porta se fechou e Harry viu-se diante da figura que
duzentos anos antes desafiara Vittorio Zaba, o mesmo homem alto de
roupas escuras, que sentou-se numa poltrona diante dele e disse:
- Pronto?
- Pronto- disse Harry sentando-se. Quais so as regras? - olhou o
tabuleiro que tinha um intrincado jogo de desenhos que parecia abstrato
 primeira vista, mas olhando-se bem, via-se que eram desenhos muito
pequenos, de pessoas, animais, cidades, florestas, tudo muito junto e
confuso para se entender. S havia dois clares no tabuleiro, um no
canto superior esquerdo, e outro no canto inferior direito.
- Voc vai comear o jogo com um pouco do meu poder.  a nica
maneira de poder competir comigo. Vai poder se transformar em coisas, no
que quiser, e eu vou tentar te alcanar. Cada vez que voc conseguir
me afastar, lutando comigo, vai adquirir mais do meu poder, mas advirto
a voc que no  fcil,  preciso raciocnio... se eu te
levar para este lugar - o demonio apontou a figura de um lago escuro que
lembrava um buraco negro, situado no canto superior esquerdo - eu
veno o jogo e sua alma ser minha. Se voc chegar aqui - ele
apontou uma rvore no canto inferior direito - vence. Vamos comear
aqui - disse ele pondo no centro do tabuleiro uma pequena figura negra
na forma de um peo de xadrez, fazendo que espantosamente os desenhos
se afastassem abrindo um terceiro claro no tabuleiro. - Pronto? -
replicou estendendo a Harry uma figura semelhante, de cor vermelha
- Pronto. - disse Harry. - Posicionando seu peo junto ao do
demnio.
O Demnio sorriu e num instante, a sala desapareceu. Harry sentiu uma
atmosfera sufocante e viu-se em p entre uma multido que gritava
feito loucos de um hospcio, e sentiu-se segurar por um par de mos
fortes de algo ou algum que comeou a arrast-lo entre a
multido. Imediatamente compreendeu que na verdade estavam dentro do
tabuleiro, agora ele era o pequeno peo branco,  e o demnio j
estava vencendo. Tentou lutar com ele, mas o demnio, na forma de um
grande trasgo montanhs, grunhiu o que parecia uma risada e continuou
arrastando-o. Harry ento se lembrou que era um jogo de poder, e
pensou em algo para se transformar, como o Demnio dissera que seria
possvel. Com um estalo, ele se transformou numa lebre e aproveitando
a surpresa do trasgo com a sbita mudana de tamanho, correu
agilmente entre a multido, desviando-se aqui e l dos ps enormes
das criaturas grotescas.
Imediatamente Harry sentiu que algo realmente mudara, porque ele
sentia-se como que eufrico: realmente podia sentir o poder
aumentando, e isso era bom demais. Ento suas orelhas de lebre
captaram um som e sem se voltar, ele percebeu que havia um lobo enorme o
perseguindo. Ele correu mais entre a multido, sentindo que o lobo se
aproximava rapidamente... era preciso desviar-se quando ele estivesse
bem perto e mudar de forma rapidamente...
Quando as mandbulas do lobo estavam j muito perto de sua forma de
lebre, ele virou-se e subitamente, se transformou numa grande coruja
negra, enfiando as garras no focinho do lobo que urrou de dor.
Satisfeito, Harry sentiu uma onda de poder subir por seu corpo enquanto
subia para o cu procurando com seus olhos de coruja o lugar onde
estava a rvore. Era impressionantemente longe. Ele podia jurar que de
onde estava o lago parecia mais prximo, embora ele no tivesse se
sentido deslocar-se tanto do centro... comeou a bater as asas
inebriado pela tima sensao de voar e pela primeira vez na vida
se perguntou se no seria divertido ser um animago pssaro.
Direcionou-se para a rvore, batendo mais vigorosamente as asas,
sentindo a alegria de ver que pelo ar, seria tudo muito mais fcil.
Mas Azazel no estava nada disposto a colaborar, pois surgiu
trasnformado em guia vindo diretamente  ao seu encontro, Harry
imaginou o que no ar seria preo para uma guia, e sua mente se
surpreendeu quando se transformou exatamente no que imaginara... Harry
era agora um balao, que foi diretamente bater no bico da guia,
derrubando-a com um guincho agudo. Harry achou graa naquilo, graa
demais, ainda mais porque agora sentia fisicamente o aumento do poder, e
rindo por dentro, animado pela lembrana que o balao lhe trouxera,
transformou-se em si mesmo adolescente, voando com sua firebolt, e poder
voltar quela poca era muito gostoso, ter  novamente quinze anos e
pensar em pegar um pomo de ouro...
Mas seu objetivo no era um pomo de ouro, era a rvore, que para sua
surpresa, agora estava mais longe. Exasperado, o rapaz atirou-se 
frente quase deitado na vassoura, voando na maior velocidade que era
capaz, olhando fixamente na rvore como se ela mesma fosse um pomo de
ouro. E foi quando descobriu que Azazel tambm tinha acesso  suas
lembranas.
Enorme e negro, um drago, um rabo crneo hngaro vinha em sua
direo, ameaador... Harry pensou em usar a mesma estratgia
que o fizera vencer em Hogwarts, mas se lembrou do poder... e
transformou-se em um drago maior e mais forte que Azazel, e bramindo
as mandbulas, atirou-se em uma luta feroz e sangrenta contra o
monstro. O fogo que soltavam queimava o ar, e os dois drages se
engalfinhavam no ar, fazendo tudo  volta tremer, at que Harry
soltou fogo direto sobre os olhos do outro drago, que comeou a
cair. Quando Harry olhou para baixo, consatou que estava a poucos metros
do lago escuro.
"Droga" - pensou - de alguma forma ele me arrastou at aqui!" eu
preciso ser muito rpido, eu quero atravessar este maldito
tabuleiro... ele pensou que nada era mais rpido e mais difcil de
se ver que um pomo de ouro, e foi nisso que se transformou, cortando
veloz o ar, rindo novamente com a deliciosa sensao que o poder,
cada vez maior proporcionava. Foi quando sentiu que o ar estava mais
difcil de transpor.
Vento. Azazel transformara-se em vento, e para o pequeno pomo era cada
vez mais difcil vencer a distncia at a rvore, agora apenas
um pequeno ponto verde naquela plancie cheia de monstros, de cidades
caticas... Harry compreendeu que na verdade, aquilo era a tal sala do
inferno. E pensou que antes de sair de l, o que tinha certeza que
conseguiria, ele precisava olhar para tudo... e s havia um jeito de
fazer ambas as coisas ao mesmo tempo.
O vento era forte e veloz, mas havial algo contra o qual o vento no
podia fazer nada... com um esforo mental, Harry transformou-se em
luz, e mesmo sem olhos, pode de uma vez contemplar toda a desolao
daquele mundo cheio de caos, pensando que aquilo era apenas uma das
muitas salas do inferno... e entendeu porque Caius queria tirar algum
dali. Foi quando notou que havia iluminado toda a paisagem menos um
ponto, um nico ponto...
A rvore estava na sombra. E a sombra, a escurido avanava,
engolindo-o. E Harry sentiu-se um instante impotente... e percebeu que
era isso: ele estivera to inebriado por aquele poder, que no
notara que na verdade, o poder o prendia a Azazel, porque o poder era de
Azazel. Azazel na verdade controlava tudo. Um instante Harry pensou
enquanto a escurido avanava, e a primeira coisa que lhe veio 
mente foram as duas palavras de Salathiel: Seja esperto.
Foi um segundo apenas... Harry sabia que a nica forma de usar o poder
do demnio que avanava contra ele era livrar-se dele, e virando ele
mesmo no ar, gritou enquanto caa:
- Azazel, eu no quero seu poder.
Zuuuuim! - esse foi o som que Harry sentiu em seus ouvidos ao ser
arremessado para fora do tabuleiro-sala do inferno. E olhando que estava
de volta na poltrona, e Azazel no estava ainda ali, fez exatamente
como o Demnio no incio do jogo, e apenas deslocou seu peo de um
ponto muito prximo ao lago at onde estava assinalada a rvore.
Um suspiro de alvio escapou de sua garganta. O poder podia ter sido
bom enquanto durara. Mas agora sentia uma espcie de ressaca dele,
como se tivesse sido modo e remodo vrias vezes.
- Droga! Droga! - O demnio apareceu no instante seguinte na frente de
Harry, novamente na figura do sujeito baixinho e mal humorado, s que
agora ainda mais baixinho e mais mal humorado, e visivelmente menos
poderoso- Nunca ningum havia me ganho nesta droga de jogo! Como
voc conseguiu?
- Ele foi esperto - disse Salathiel abrindo a porta. - Saia, Harry - ele
falou srio - No gosto de ver mortais numa sala do inferno, no
lhes faz nada bem. Azazel no pode mais sair da... mas eu tenho
algo para pegar com ele.
Harry deu alguns passos no interior da igreja e caiu de joelhos,
vomitando tudo que nem sabia que tinha no estmago. Passou a mo
pela testa suada, pensando que realmente fora por pouco. Sua cabea
doa, parecia pesar uma tonelada. Mas o ar fora da sala do inferno era
muito mais respirvel, e ele nem percebera isso. Virginie estava junto
com Adrian olhando para ele. A esfinge ps a pata carinhosamente sobre
sua mo e disse num sussurro:
- Acabou... veja o que voc conseguiu...
Harry voltou-se. Na porta que o levara  sala do inferno, Salathiel
estava parado, ao lado de trs vultos de mulher. Trs almas. Elas
lembravam os fantasmas de Hogwarts, mas sua aparncia era bem mais
desolada. De frente para as trs e de costas para ele, estava Caius
Black.
Harry levantou-se e foi at onde ele estava. Mas no lhe tocou. O
vampiro olhava as trs almas  sem saber o que dizer. Ou melhor, ele
queria dizer uma palavra que lhe era um tabu. Queria pedir perdo s
trs.
Lubna Lee tinha a aparncia de algum que sofreu muito, assim como
Jane Unha Longa e Misty. As trs haviam morrido anos antes em
combates, e Caius vira as trs morrerem. Salathiel as olhava
silencioso e disse para Caius:
- No toque nelas. Voc no pode. Eu vou cur-las. - O anjo
abriu os braos e envolveu as trs no mesmo abrao, brilhando
intensamente por um segundo. Suas asas se fecharam sobre elas e ento,
quando abriram-se novamente, no lugar dos trs fantasmas, haviam
trs seres feitos de luz. Lubna sorriu e olhou para Caius.
- Lubna... - ele disse com esforo, com raiva de no poder sentir de
verdade toda a emoo daquele instante... e amaldioou mais que
nunca a sua condio de vampiro. Lubna sorriu e disse:
- Eu ainda te amo, Caius... e te amarei para sempre.
Harry ento compreendeu que eles no iam ficar juntos... olhou para
Salathiel e este apenas confirmou o que ele j sabia com um gesto.
- Para onde vocs vo? - Caius perguntou, olhando de uma para outra.
- Ele nos disse nosso destino antes de entrarmos aqui - disse Jane - Mas
no podemos diz-lo a voc Caius.
- Eu... - disse Caius - eu quero que vocs me perdoem - aquilo foi
dito com uma dor imensa. Porque embora era o que Caius quisesse
realmente, tambm era uma traio  sua natureza maligna.  - Me
diga onde elas vo, por favor...
- No. - disse Salathiel - eu no posso. Mas elas ficaro bem,
Caius Black... busque a sada... busque a sua cura e poder v-las
de novo. - O anjo abriu a porta, e Misty e Jane entraram, a sala agora
parecia apenas uma sala comum. Antes de entrar, Lubna deu mais um longo
olhar para Caius e disse:
- Adeus, meu amor. - e desapareceu, atras das asas de Salathiel, que
antes de fechar a porta ainda disse:
- Tenha uma boa vida, Virginie.
- Adeus Salathiel!
- No se diz adeus a um anjo.-  Ele soltou uma risada alegre e disse -
lembre-se que estarei sempre por a.
A porta se fechou atrs dele. Caius ainda deu dois passos na
direo da porta, mas no a abriu. Voltou-se, frio como uma rocha
e disse, olhando para o cho.
- s vezes  melhor  no olhar para trs... - olhou direto para
Harry e disse: voc cumpriu sua parte... chegou minha vez de te
ajudar.

11- NA IRMANDADE DA RAPOSA

        Harry concluiu rapidamente que aquela noite estava perdida. Alm de
no terem mais que trs horas antes do amanhecer, ele sentia-se como
se uma tropa inteira de trasgos o houvesse pisoteado. Era melhor mesmo
descansar.
Caius saiu da igreja e foi andando em passos largos, o corao
habitualmente duro de pedra carregado do velho sentimento de dor que ele
lembrava de ter sentido apenas trs vezes: quando Misty o trara,
quando Jane se fora e finalmente quando seu maior inimigo levou dele
Lubna... agora as perdera novamente, em definitivo... elas estariam bem,
mas e ele? Agora sentia-se infinitamente s em sua maldio, preso
em um inferno com seus demnios particulares. Sentiu pela primeira vez
desde que decidira se tornar um vampiro pacfico, a vontade de
extinguir a vida de um sangue quente, apenas  para aplacar a raiva. Era
difcil fingir que sua origem maligna no estava ali... mas estava,
dentro de seu corao morto que cessara de bater h mais de trinta
anos, estava acorrentado a ele como sua alma estava acorrentada no fundo
do inferno. Com esse pensamento, desfez-se em nvoa e deslizou para
longe dali, pelo frio subeterrneo de Nova Iorque.
S quando saiu da igreja, Harry lembrou-se de olhar para Virginie.
Realmente, agora a moa parecia realmente algum de dezoito anos...
no era preciso olhar muito para ela para ver o quanto estava feliz.
- Agora s falta conseguir de novo uma autorizao para praticar
magia - ela sorriu, um sorriso franco e feliz, mas a esfinge, novamente
com sua mscara de co parecia amuada, quando falou:
- Mais um dono que eu vou ver morrer...  um saco viver muitas eras,
no d nem para fazer amizades direito... antes eu tivesse ficado
mais uma era enterrada...
Harry riu e lembrou-se de perguntar a Virginie porque Caius entrara na
Igreja.
- Vampiros no gostam muito de igrejas, nem se sentem  vontade
dentro delas, mas no deixam de entrar em uma se realmente
necessrio... mas voc nunca vai ver vampiros brigando numa
igreja... isso eles respeitam.
- Vampiros... brigam?
- Brigam, e so brigas medonhas... mas so brigas somente por poder,
eles no conseguem se ferir com os prprios poderes, e se usam algo
que possa ferir um semelhante, provocam dano em si mesmos idntico ao
que provocaram no oponente.
- Porque isso?
- Ningum sabe ao certo... a lei que governa suas naturezas 
diferente das leis da natureza deste mundo. No saberia dizer a voc
porque, mas sei que  assim.
- Virginie... o que voc sabe sobre os assassinatos?
- Eu vi um dos assassinatos... tenho algo comigo que identifica o
criminoso.
- Como voc viu?
- Bem... eu nunca tive amizade com vampiros da aliana, alm de
Caius, mas conheo quase todos os que hoje compem a famlia,
estava com uma das assassinadas quando aconteceu...
- Isso eu sei, Caius me disse... mas quem ele ?
- Prometi a Caius que no diria a ningum, at o momento certo...
 parte de nosso acordo.
- Virginie... eu salvei sua alma...
-  Est bem... eu lhe direi amanh. Eu prometo. V para seu hotel
e descanse, Harry... se eu dissesse a voc agora quem , voc
no dormiria em paz.
Harry olhou o rosto da mulher um instante, ento, bastante irritado
desaparatou para seu hotel. Deitou-se ainda vestido olhando para o teto
indignado... foi quando notou que havia algum no quarto com ele.
- Um pulgento amuado...- ele levantou-se de um salto para encarar os
olhos negros de algum que o espiava sentado numa cadeira, na sombra -
lumos - disse a figura e Harry aliviou-se quando viu que era o
demolidor, usando um de seus disfarces favoritos, que ele no sabia,
mas era na verdade quase idntico  figura de  Arnold
Schwarzenegger, s que talvez um pouco mais moreno.
- O que voc quer?
- Apenas atorment-lo por sua inconseqencia e incompetncia.
- O que voc quer, Doom? - Doom era o subapelido de Demolidor - Ele
sabe quem , uma amiga dele sabe quem ... mas eles no querem me
dizer... quer que eu faa o que? Use uma maldio cruciatus?
- Isso no funciona com vampiros e voc sabe bem disso.
- Foi modo de falar... quer que eu o ameace com uma rstia de alho,
ento?
- Voc anda estressado, garoto... no  para menos, poucos
sobrevivem inteiros e mentalmente sos depois de enfrentar algum
como Azazel... - Harry parou olhando para o bruxo, que esboou um
sorriso cnico.
- Como voc sabe disso?
- Temos nossas fontes - disse ele entregando a Harry um pergaminho meio
luminescente e intensamente branco onde reluziam letras douradas.
Passando os olhos rapidamente, Harry pde ver que estava escrito ali
um pequeno resumo de toda a histria desta noite.
- Quando voc recebeu isso?
- Bem... na verdade, ele me entregou pessoalmente. Eu reclamaria por ser
acordado to  cedo e feito uma viagem continental forada... mas
no se discute com anjos. Ele me trouxe aqui, e acredite, a viagem foi
mais rpida que uma aparatao... Com esta carta, livraremos
Virginie Vermont de sua condio de renegada, e daremos a voc uma
promoo... Auror classe dois. Muito bom para algum com 25 anos.
- No entendo porque voc veio me entregar a carta.
- De alguma forma, eu sou responsvel por voc...e mais uma coisa...
- O que?
- Eu vou ficar por aqui at segunda... amanh  sexta feira,
consegui uma pequena folga nas minhas outras atividades. Mas no me
chame hoje durante o dia... eu preciso me adaptar a este fuso horrio
chato...
- Porque voc vai ficar?
- Como eu te disse... no se discute com anjos. Tome - ele entregou a
Harry uma pedra, gmea de outra que ele tinha ao pescoo em um
cordo - objeto chave, sabe como funciona, use-o e ele ir
automaticamente onde eu estiver, mas no me aparea em horas
imprprias, ok? - dizendo isso, Demolidor desaparatou levando a carta
do anjo consigo.
Sem saber exatamente porque, um segundo depois disso Harry estava rindo.

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O dia foi passado estirado na cama, vendo as horas passarem-se
inexoravelmente diante dos olhos dele, atravs do sol que batia na
janela e da programao televisiva, que ele realmente achou muito
sem graa, a no ser quando esbarrou por duas vezes nos comerciais
protagonizados pelos Gmeos Weasley, que agora trabalhavam enganando
trouxas para o ministrio da Magia se passando por bruxos fajutos,
para que as pessoas achassem que no haviam magos de verdade. Isso
realmente fazia Harry rir!
Ainda no anoitecera, quando o telefone do quarto do hotel tocou, e
ele atendeu intrigado. Era Virginie, ele dera o telefone do hotel para
ela, caso ela quisesse falar com ele.
- Vai ser esta noite...
- O que?
- Eu vou revelar o segredo, Harry. Para voc e para outros...
- No era sem tempo...
- Na verdade eu estava esperando a irmandade da raposa reunir-se.
-  A Irmandade, a famlia Von Helsing?
- Precisamente. Confirmei com meu espio, vamos aparecer na reunio
de hoje da irmandade, consegui uma passe para ns trs...
- No estou entendendo... acho que eles no so os maiores
interessados nisso.
- Voc vai entender porque, assim que souber a verdade - disse
Virginie, entrando logo em detalhes sobre o encontro. Ela disse que
Caius superando diferenas pessoais, compareceria ao encontro. Quando
desligou, Harry ficou um tempo olhando o aparelho, se perguntando como
ser que seria a reao dos Van Helsing  presena de Caius na
sua reunio.

A sede da irmandade era um prdio antigo bem no centro de Nova Iorque,
na fachada no havia inscrio que sinalizasse o que era, nem
mesmo uma pequena placa. Apenas uma raposa em relevo no concreto, pouco
acima da porta principal, chamava a ateno, junto com o monograma
V.H. Era ali que os "V.H.s" se reuniam a cada dois meses para discutir
os avanos. Na verdade sua luta com vampiros estava sempre empatada.
Se os vampiros se multiplicavam com a mesma voracidade que eles os
combatiam, e , se era fcil matar muitos escravos, era muito difcil
pegar os mais poderosos, praticamente apenas um dos maiores caa por
ano... em uma cidade como Nova Iorque, o que eles faziam ficava
camuflado sob a capa dos desaparecimentos constantes. Seria muito mais
fcil e desejvel caar vampiros durante o dia, mas como os Van
Helsing no eram bruxos e no conseguiriam explicar o fato de
supostas pessoas explodindo  luz do sol em Nova Iorque, era bem mais
comum ca-los durante a noite, quando infelizmente os vampiros
estavam mais fortes, especialmente os lderes.
Uma imensa fileira de carros estava  porta, Harry, Virginie e Caius,
este com cara de quem havia comido seis quilos de alho cru, estavam
parados pouco adiante, vendo o movimento de gente entrando, todos muito
diferentes entre si. Harry viu entre outras pessoas, Draco Malfoy
chegando com sua mulher, no parecendo muito satisfeito em ter que
comparecer ao evento.
- Pela cara do Malfoy, essas reunies devem ser um tdio - comentou
com Virginie.
- John fazia a mesma cara quando tinha que comparecer a uma, h trinta
anos atrs... - comentou Caius casualmente.
- Nossa, eu contei umas mil pessoas - disse Virginie - no sabia que
haviam tantos Van Helsing...
- Na verdade s cerca de 15% deles comparecem a essas reunies -
comentou, ainda aborrecido, Caius. - Claro que para os que esto em
outros pases  mais difcil comparecer a cada dois meses... mas
os que nos interessam esto a, eu garanto.
O pai de John Van Helsing, at alguns anos atrs lder da
irmandade, morrera h cerca de 3 anos, deixando John com a espinhosa
tarefa de liderar a nem sempre pacfica famlia Van Helsing.
Frequentemente eles entravam em polmicas sobre liberao de
verbas para um determinado cl. Eventualmente as reunies
despencavam para a mais notria baixaria quando algum no
concordava com uma liberao especial para uma caada na Louisiana
ou coisa parecida.  Normalmente as reunies eram fechadas, e
dificilmente algum como Caius conseguiria autorizao para entrar
ali. Virginie conseguira  os trs  passes por telefone, usando alguns
ardis para convencer John Van Helsing (que estava novamente solteiro,
portanto, muito fcil de ser dobrado por uma voz feminina...)
Quando toda a assistncia pareceia ter chegado, eles se dirigiram para
a porta da frente, com Harry levando o passe, pronto para fazer um
feiticinho qualquer para que o porteiro os deixasse passar.
- Alto l - disse esse olhando para Caius - eu sei que vocs tem um
passe, mas este cara  um vampiro... nunca um entrou neste prdio!
- Bem - disse Harry pondo a mo no ombro do sujeito e fazendo um
discreto movimento hipntico com a sua variha  - existe primeira vez
para tudo, no ?
- Claro - disse o porteiro deixando-os passar . Mas Caius estancou na
porta e disse:
- No consigo entrar... tenho que ser convidado para entrar num lugar,
e mesmo antes de ser vampiro nunca entrei a...
- Voc  meu convidado - disse o porteiro hipnotizado de forma
enftica
- Se  assim - Caius disse dando seu primeiro sorriso aquela noite -
it's show time! - ele deu um passo largo para dentro do Hall, olhando o
ambiente luxuoso e comentando casualmente com Harry:
- Esses caras so uns bregas... ostentao demais s para matar
uns vampiros bocs... - eles entraram num corredor longo ao final do
qual ficava a sala de reunies.
- Ei! - Disse uma voz de adolescente indignada bem atrs de Caius
assim que ele passou - o que esse cara est fazendo aqui?
-  mesmo! No queremos vampiros aqui! - respondeu outra voz de
adolescente.
Eles se viraram e deram de cara com duas meninas de seus 12 a 14 anos
mais ou menos, ambas de cabelos fulvos e olhos verdes. Harry no pode
deixar de notar os punhais de prata na cintura, presos a um cinto de
couro preto.         
- Quem so as pirralhinhas? - disse Caius, divertido
- Alto l, vampiro... veja l como fala! Ns somos filhas do
chefo aqui, ns fazemos as perguntas - disse a maior, pondo a mo
no cabo da faca.
- Vocs so filhas de John? - Caius segurava-se para no rir das
duas garotas com a mo na faca sobre a cintura.
- Sim, canalha, elas so minhas filhas - disse John Van Helsing saindo
de uma saleta  direita. - espero que voc realmente tenha um bom
motivo para estar aqui na sede... - mudando completamente o tom, John
dirigiu-se a Virginie - a senhorita deve ser Virginie Vermont... eu
imaginava que fosse mais velha.
- Acredite, sr Van Helsing, as aparencias podem enganar realmente
muito...
- Interessante. Ol, Harry! Como  vo todos? E o cachorro do seu
padrinho, vai bem?
- Ah, sim, claro Sirius est timo.
- Ok... vocs j conhecem Melody e Clara, minhas filhas
- Oi - disse Melody, a mais velha que tinha o estranho hbito de
levantar uma sobrancelha de cada vez. Ela cutucou a mais nova que sorriu
e disse:
- , ol... pai, esse cara  aquele que...
- Clara!
- T, t... j sei que  ele.
- Muito bem, eu tenho mais filhos - disse John - estava tendo uma
reunio com estes moos sobre a proibio de menores de 18 anos
de pegar nas armas da famlia... principalmente as katanas de prata do
sculo 18, no , Paul? - disse ele falando com um menino magro e
louro de uns 17 anos que saa da mesma saleta, junto com outros dois.
- Eu tenho 12 filhos, atualmente, Harry - disse John  alegremente - Sue,
a mais velha, voc j conhece... tenho ainda Lorna e Marlyn, que
esto na Europa com uma das filhas de Steve, estudando para
tornarem-se mdicas. Ally, Lucy e Jane no puderam vir 
reunio, e Sally, a menor, ainda no tem idade... sobram estes cinco
pestes. Melody, Clara, John, Paul e George. Eu devia ter mais um filho
homem para chamar de Ringo. - disse John fazendo Virginie dar uma risada
- a senhorita tambm  f dos Beatles? - ele disse novamente
galante.
- John - perguntou Harry inocentemente - voc no ia casar com
Alexandra Wolf?
- No quero falar sobre essa mulher - disse John se afastando
- Ela o trocou por um lobisomem russo - disse Clara quase susurando para
Harry - foi bom, ns detestvamos ela... talvez a popularidade dela
fosse ainda menor que da me de Sally, a madrasta n 7.
- Vocs vem ou no vem? Perguntou John fingindo que no ouvira o
cementrio da filha e j dirigindo-se para o salo principal.
O salo estava lotado, e era como uma espcie de auditrio, com
uma mesa  frente onde o conselho, composto pelos mais velhos membros
se reunia. John era o presidente, e fora eleito pelos demais para um
mandato que duraria at a sua morte, ou at sua paciencia se
esgotar, o que os outros imos apostavam, aconteceria brevemente...
Harry no pode deixar de notar uma certa hostilidade da parte dos Van
Helsing que no conhecia, mais notadamente dos mais velhos, que viam
com extrema desconfiana a presena de bruxos e principalmente
vampiros entre eles. Deu um breve aceno na direo de Draco e Sue,
que naquele momento especulavam entre si o que Harry e Caius estariam
fazendo ali. A reunio comeou com um chatssimo relatrio de um
dos membros mais antigos sobre as recentes caadas e tipos de vampiros
mortos. A voz do velho tio de John que lia o relatrio lembrava
bastante a do professor Bins, o que fazia a leitura ficar ainda menos
interessante, mas mesmo assim Harry percebeu que eles no ltimo ms
no haviam conseguido exterminar um nico lder vampiro. O que era
bvio, no era tarefa das mais fceis.
Quase fora vencido pelo sono quando um dos filhos de Steve Van Helsing
(um garoto meio ruivo com cara de Nerd que lembrava Percy) subiu 
tribuna e comeou a falar sobre a pistola de prata que em breve eles
iriam ter disponvel. Ele (que tinha 17 anos) aperfeioara uma arma
que disparava prata lquida a 328C, e tinha mira laser com sensor
de movimento e deteco de sinais vitais para no correrem o risco
de matarem algum inocente acidentalmente. O projeto era realmente
impressionante, mas para Harry parecia grego, porque fora feito com alta
tecnologia, e no com mgica.
- Eu tive essa idia - disse o garoto arrogantemente - vendo o filme
"queima de arquivo" s qe minha pistola ficou mais compacta que as
armas do filme graas ao hiperfusor supratrmico qe desenvolvi...
obviamente como todas as armas que desenvolvemos, j comutei a patente
para o exrcito americano e esses milhes de dlares revertero
para o fundo da VH reaserch Inc, o que nos dar um lucro anual de...
- Viu como esses miserveis fazem dinheiro, Harry? - sussurou Caius-
em breve essas armas vo estar por a matando trouxas comuns... e
voc no acredita quando eu digo que eles no so santinhos... -
Harry ficou calado durante o resto das palestras, sobre medicina e
pesquisas sobre o sangue imune, tudo to interessante para ele como
seria uma palestra sobre rochas gneas, e pelo jeito para outros
tambm, um Van Helsing bem velho dormia de boca aberta acintosamente
mesmo sentado na mesa do conselho. Harry no via  hora de o chamarem
para acabar logo com aquilo. Quase no acreditou quando o chamaram e a
Virginie e Caius.
Um dos grandes pnicos da vida moderna  falar em pblico, e Harry
Potter no estava livre deste pnico apenas por ser um bruxo
formado, de 25 anos e agora Auror Classe 2... no se sentiu muito
confortvel quando o chamaram para falar  frente da tribuna, e
pediu que Virginie e Caius ficassem por perto quando comeou a falar
sobre os assassinatos dos vampiros da famlia, que pedira auxlio
aos bruxos que por sua vez, haviam comentado com a Irmandade, que pelo
jeito no dera a mnima bola para aquilo. O fato de ter ouvido algo
como: "E quem se importa se matam os malditos? Afinal essa  a
idia"  no ajudou muito e ele sentia-se cada vez mais constrangido.
Rapidamente disse que Caius Black dissera saber de alguma coisa, e o
apresentara a Virginie, que finalmente resolvera revelar o que vira
quando testemunhara um dos assassinatos,  mas insistira em faz-lo,
ele no sabia ao certo porque, ali, na sede da irmandade.
Suspirou aliviado quando finalmente se viu sentado ao lado de Caius. Sem
dvida falar para um monte de caras mal humoradas era quase to
chato quanto enfrentar algo muito assustador. Talvez tenha sido isso que
o fez cair num estado de desateno total e no notar o crescente
burburinho  sua volta conforme Virginie ia relatando o crime que
testemunhara. S foi "despertado" quando algum bem ao seu lado
gritou:
- Oras, ningum entra assim na irmandade da Raposa e ataca livremente
um de seus membros! - ele olhou diretamente para a tribuna, bem a tempo
de ver Virginie repetir:
- Eu vi Steve Van Helsing atirar uma flecha contra Layla Lestat h um
ms atrs. Fui testemunha ocular, e posso provar - ela sacou uma
ponta de flecha e a assistncia se calou. Steve Van Helsing, irmo
de John, estava parado em p, e parecia no acreditar que ouvia a
acusao. Harry olhou para ele e levantou-se, rosnando para Caius:
- Se a gente no sair vivo daqui, no reclame!
O vampiro apenas sorriu, afinal, amava apaixonadamente uma encrenca.

CAPTULO 12 - NOSFERATU GRIMOIRE

        Um instante depois da bombstica revelao de Virginie, veio o
ataque de fria. Os nicos Van Helsings que no pareciam realmente
prestes a estraalhar algum eram John, e supreendentemente, Steve.
Todos os outros, inclusive Sue e os outros filhos de John pareciam
prontos para acabar com a raa de Caius e Viginie. John tmou a frente
e acabou com o tumulto:
- Silncio, eu ainda comando esta droga! - ele olhou aborrecido para
Caius e disse - Essa  uma acusao gravssima... nunca um de
ns foi pego matando algo ou algum que no fosse realmente
hostil... eu sei que voc tem um dedo, ou melhor, as duas mos
nisso, Caius...
- Ela tem uma ponta de flecha, com um V e um H gravados nela... e eu
s conheo um sujeito que usa esse tipo de arma por aqui...
- Isso no prova nada...  Podem estar querendo incrimin-lo!
- Eu tenho algo a dizer - disse Steve Van Helsing, olhando diretamente
para Caius - todos sabem que eu e ele - apontou Caius - nunca nos
entendemos, e a coisa vem piorando com o passar dos anos...
- Voc matou minha mulher
- Estava fazendo o meu trabalho, Caius... voc antes disso havia
vampirizado minha noiva
- Eu no sabia que ela era sua noiva!
- Noiva? - murmurou Harry olhando para Virginie qe confirmou com a
cabea.
- Isso est virando uma briga pessoal - interviu John, tomando a ponta
de flecha das mos de Virginie. - Steve, isso  seu?
- . - Disse o homem examinando a ponteira - No tenho porque negar,
 uma das minhas, eu mesmo fao a fundio, conheo meu
trabalho.
- Pode me explicar como ela foi parar no corpo e Layla Lestat?
- No.
- Voc matou esta vampira, Steve? - John encarou o irmo srio, e
este devolveu o olhar.
- No.
- Ele est mentindo, Virginie o viu atirar em Layla no dia em que ela
morreu!
- E voc realmente acha que um criminoso de verdade deixaria a nica
testemunha viva? - a voz feminina que disse isso veio do lado de fora da
janela, o que era muito estranho, levando-se em considerao que
estavam no quarto andar. Todos viram uma mulher em p na janela, e
rapidamente concluram que ela s podia ser uma vampira.
A mulher aparentava no mximo 24 anos, e tinha cabelos longos castanho
claros e era magra e plida demais. Seus olhos eram pequenos e
inteligentes. Ela usava uma roupa toda preta, uma espcie de macaco
com capuz, e o que era estranho se levasse em conta que estava a quatro
andares do cho, uma bolsa. Passado o instante de perplexidade
algum se lembrou de perguntar.
- O que ela est fazendo a?
- Na verdade eu estou aqui porque no fui convidada, seno estaria
a - ela apontou para dentro do salo... eu sou muito interessada
nesta investigao, fui contratada para resolver os crimes.
- Hein? - disse John Van Helsing - Eu no acredito nisso... em um dia
consegui ver a completa desmoralizao da irmandade, primeiro,
Caius, e agora, Lyra Bluhm na minha janela, eu no preciso de mais
nada... entre.
- Obrigada - disse a vampira abrindo a janela e entrando facilmente. Na
verdade ela s fora audvel do lado de fora porque era uma vampira,
pois estava muito frio e as janelas estavam todas fechadas. Ela sorriu
para Caius e disse:
- Ol, h quanto tempo, Caius!
- Voc andou nos seguindo?
- S para resolver os crimes... temo que eu tenha avanado mais nas
minhas investigaes que vocs trs... para sua informao,
Steve Van Helsing  inocente - disse ela enfatizando o "" de forma
bastante irritante.
- Ei, ei, ei - disse John, j  beira de um ataque de nervos - Lyra,
eu sei que voc  uma vampira completamente louca, mas podia falar
algo que ns entendessemos?
- Claro, mas antes eu gostaria de apertar a mo dele - ela apntou
Harry - sabe, eu sempre quis conhecer um bruxo de verdade! Desde os
tempos que eu era apenas uma sangue quente! E eu achei fantstica a
forma que voc derrotou aquele demnio... puxa, foi demais.
- Voc... viu? - Harry disse, ainda no acreditando muito na figura
estranha
- Quer dizer, eu no entrei na sala do inferno, mas posso presumir
como voc agiu... sabe, vai ser timo colaborar com voc.
- Ei, espere... desde quando voc est nessa?
- Desde que seu padrinho me contratou!
- E quando foi isso?
- Hoje  tarde.
        Ningum notou a improvvel ocorrncia de uma vampira dizendo que
fizera um acordo durante a tarde, dada a perplexidade de todos.
- Voc pode me explicar porque Diabos meu padrinho contrataria uma
vampira para me seguir?
- Bem, na verdade eu o procurei...
- Continuo no entendendo...
- Eu soube que ele estava na cidade e...
- Ei, Sirius est em Nova Iorque?
- Bem, acho que no era para voc saber disso mas... no importa.
Na verdade estamos comeando tudo errado...
- Muito comum, se tratando de voc - disse Caius, bastante aborrecido.
- Meu nome  Lyra Bluhm, pesquisadora.
- E vampira - completou Caius
- Voc quer parar com isso, Caius? Eu estou tentando ajudar...
- Voc ajudaria bastante sumindo, Lyra!
- Sr Potter, no ligue para ele,  est aborrecido comigo desde que
tivemos problemas.
- No confie nela, Harry, ela  uma ladra, e profissional
- Na verdade, eu roubei o seu livro apenas por diverso...
- Chega - disse Harry - Eu no estou entendendo nada! No sei qual
 o problema de vocs, mas eu estou com um caso para resolver, tinha
uma testemunha que prometeu me ajudar e me trouxe para um lugar onde eu
estou sendo observado como se fosse ser servido frito no jantar...
gostaria de resolver esse caso, mesmo que para isso tenha que aturar uma
vampira aparentemente doida que nem esta a...
- Obrigada, Senhor Potter... - disse Lyra jovialmente - na verdade eu
vinha investigando este caso informalmente porque um dos mortos era
muito meu amigo...
- Na verdade - disse Caius acidamente - se Bruce Weaberson no
preferisse a companhia de vampiros imberbes, ela teria sido a
companheira eterna dele...
- Caius, chega - disse a vampira de um jeito que fez com que at mesmo
Caius ficasse quieto. - Bem, senhor Potter, a verdade  que Steve Van
Helsing  inocente... no comeo eu tambm desconfiei dele, as
flechas de prata e tudo mais... mas no devemos confiar no bvio...
Bruce foi a segunda vtima, e era o vampiro mais pacfico que eu
j conheci. Ele no tinha inimigos, assim como Layla e as outras
vtimas... na verdade, quem est por trs disso queria destruir os
Van Helsing, a Famlia, e, detesto dizer isso, Caius Black.
- No estou entendendo...
- Quem est por trs disso tudo tambm  vampiro... ele queria
destruir a famlia e os Van Helsing, para isso bastava fazer que a
famlia acreditasse que o assassino era um Van Helsing. H muita
desconfiana por trs da relao destes dois grupos, a famlia
 muito prxima dos Bruxos de Nova Iorque, se houvesse uma guerra,
os bruxos no ficariam do lado dos Van Helsing.
- Faz sentido - disse Harry - Mas porque voc tem tanta certeza assim
que  um vampiro? E como voc sabe que ele quer destruir Caius?
- Na verdade, eu no sei quem  exatamente o vampiro... e tambm
sei, o que passou despercebido at para vocs, que ele vem fazendo
vtimas tambm na aliana... no ltimo ano nada menos que quatro
lderes da aliana morreram de forma estranha, e no foram mortos
por nenhum Van Helsing. Todos eles tinham diferenas com o ltimo
lder da Aliana, aquele que abandonou tudo quando perdeu seu grande
amor...
- Caius...
- Exatamente.
- Mas eles sabem que ns no conseguimos matar uns aos outros, sabem
que eu no posso ter matado nenhum...
- Eles no foram mortos de forma tradicional... ningum usou prata,
ou estacas, ou punhais... simplesmente desapareceram durante a caada
noturna, um foi trancado num alto forno de siderrgica... voc sabe
que no somos imunes ao fogo. Os outros trs foram mandados em
caixas de cristal para seus irmos... depois de um dia inteiro
expostos ao sol
- Ugh! - disse Caius
- E o melhor era o cartozinho...
- Que cartozinho?
- Com os cumprimentos do seu antigo lder.
- Ento eles acham que fui eu?
- No s acham, como planejam vingar-se... se eles pudessem empunhar
estacas, voc j estaria com uma enterrada no corao.
- Eles so burros ou o que? Eu jamais mataria ex companheiros desta
forma...
- Voc preparou armadilhas para toda sua famlia... foi assim que
chegou  liderana, admita, o sujeito imitou seu estilo...
- E como voc sabe que eu no sou o sujeito, Lyra?
- Porque voc no tem mais o mnimo interesse na aliana, o que
qualquer um que pense sabe.
- Espere um instante - disse Steve Van Helsing - eu sei que sou
inocente... mas como voc sabe que h um vampiro por trs disso, e
como voc  sabe que eu no estou envolvido.
- Fcil - disse a vampira abrindo a bolsa e pegando um pequeno objeto
que ps no cho. - Harry Potter, preste ateno, voc que 
bruxo... a tecnologia tambm faz suas mgicas...
Ela apertou um pequeno controle remoto, e para surpresa de todos, uma
esmaecida imagem  de Steve apareceu, atirando uma seta com sua besta,
para logo depois se virar e sumir.
- Holografia - disse Lyra - foi essa a imagem que voc viu, no foi,
 Virginie?
- Sim, foi.
- Ningum revisa a cena de um crime contra vampiros - disse Lyra - na
verdade este projetor era para ter sido recuperado, mas o sujeito que
matou um deles deixou ca-lo, e um dos meus amigos da famlia o
pegou. Demorei alguns dias para descobrir como funcionava... o plano era
simples, o verdadeiro assassino estava oculto nas sombras, e acionou o
projetor na hora que atirou... quando se ps em fuga, qualquer
testemunha juraria que era Steve. S que nenhuma das vezes em o
expediente foi usado funcionou, apenas quando voc foi a testemunha,
Virginie, e felizmente para a harmonia entre os Van Helsing e a
famlia, voc guardou segredo.
- E como voc conseguiu descobrir isso tudo?
- Fcil - a vampira sorriu com orgulho - basta voc parecer bastante
insignificante, e ningum presta ateno em voc, essa foi minha
ttica durante as investigaes, assim eu transitei entre a
famlia e a aliana. Mas no foi o suficiente. Eu sei quem no
 o responsvel, mas no sei quem  o criminoso.
- Essa trama parece complexa demais para uma pessoa s - disse Harry -
e alm do mais, se  como voc diz... um vampiro no pode matar
outro vampiro... deve haver algum mortal envolvido.
- Eu acho que sei como isso pode acontecer - disse Lyra - mas no
posso jurar se  essa a teoria correta. - ela disse, abrindo a bolsa
- Meu livro! - disse Caius quando ela tirou um volume grosso e manchado
de capa de couro de dentro da bolsa, na capa, em letras douradas lia-se
"NOSFERATU GRIMOIRE"
- Eu devolvo quando no precisar mais - ela disse rindo - alm do
mais, voc no pode reclamar, sei que voc o roubou de  Morpheus
Black....
- Nosferatu Grimoire - murmurou John - a bblia vampira, o livro
lendrio que contm a lei dos vampiros e sua histria antiga...
- Sim, Mr Van Helsing, e nem por todo sangue do mundo o deixaria por as
mos nele... se o senhor toc-lo com suas mos de sangue imune ele
se queimar e se perder para sempre....
- Isso  magia?
- No,  maldilo demonaca mesmo - disse Caius - se um
sangue quente tenta ler o grimoire ele simplesmente no se abre...
nossos segredos supostamente deveriam ser os nossos segredos, mas sempre
vazaram para os ouvidos mortais, na maioria das vezes deturpados...
Lyra, o que diabos voc est procurando no MEU grimoire?
- Aqui, veja - Caius leu e um sorriso abriu-se em seu rosto.
- Voc realmente estuda, garota... eu jamais pensaria nisso - Virginie
tentou olhar o livro por cima do ombro de Caius, mas a nica coisa que
viu foi um amontoado de caracteres incompreensvel, que a deixou
tonta, deu um passo atrs e foi amparada por John Van Helsing, que
sorriu satisfeito.
- O que tanto vocs lem neste livro?
- Um precedente - disse Caius - realmente no pensaria nisso... aqui
h um relato, de 1003 d.C., na Polnia, um vampiro chamado Valek
colocou em sua volta muitos mortais, com a promessa de vida eterna. Ele
os armou e fez com que matassem todos os vampiros mais poderosos da
regio, jogando-os um contra os outros. A promessa era bem simples: se
eles o servissem, teriam vida eterna, assim que os outros vampiros
estivessem mortos. Ele poderia comear uma nova gerao...
- Apenas com escravos fiis - disse Lyra - talvez seja isso que nosso
assassino tenha em mente, e em breve, no haja mais vampiros da velha
gerao aqui em Nova Iorque.
- Sim... teramos aqui ento um novo Valek...
- O problema  - disse Harry - onde ele encontraria um bando
suficientemente grande de seguidores dispostos a tudo por vida eterna?
- Bem - disse John Van Helsing - eu acho que sei onde podemos procurar
por bandos... eu conheo os submundos desta cidade muito bem.
- Ento - disse Caius - estamos juntos nessa?
- Claro... mas fique longe de nossa turma, vampiro - disse Steve
encarando Caius - eu continuo no confiando em voc.
- Ok, em algo concordamos - disse Caius com ironia
- Ningum vai a lugar nenhum sem mim - disse um sujeito alto na porta
do salo, e todas as cabeas se voltaram para ele.
- Sirius, patife - disse John Van Helsing - eu senti a sua falta.
- Eu sei, canalha... - Sirius exibiu uma longa katana de prata que
trazia embainhada  cintura - vamos caar, Van Helsing... espero
poder ensinar alguma coisa a Harry.
- Mas antes - disse Harry bastante contrariado - algum vai me arrumar
uma destas tambm. - disse apontando para a vistosa arma de prata.



CAPTULO 13 - CAA E CAADOR

        O poder de mobilizao e organizao logstica do Van Helsing
impressionaram Harry. John mobilizou alguns membros da irmandade alm
dele e Steve para a caada, os demais foram saindo, inclusive Draco e
Sue, que infelizmente estavam afastados das caadas porque tinham dois
filhos ainda muito pequenos, e Sue estava grvida pela terceira vez!
- Malfoy, voc no se cansa de fazer filhos?
- Devo ter pego a doena dos Weasleys, Potter... vejo voc outro
dia. - Harry no pode deixar de pensar que Draco  depois de ter sido
quase morto pelo prprio pai no era mais o mesmo.
Caius observava tudo com o habitual ar cnico, enquanto Lyra e
Virginie procuravam se inteirar dos detalhes da caada, tendo toda a
ateno da parte de John Van Helsing. Este se aproximou de Harry e
perguntou:
- Vem c... no  por nada no, mas tem algo estranho com essa
garota...
- Ah, voc notou, ento...
- Na verdade... bem, embora ela seja um pouco jovem para mim - Harry deu
uma risada - qual a graa, Harry?
- Ela tem mais de 200 anos, John.
- Quando eu penso que me acostumei com as maluquices dos bruxos, vocs
me vm com coisas novas... pxa, a cosmtica de vocs anda
avanada, hein?
- No  nada disso...  uma histria complicada, envolve
maldies, demnios, esfinges... depois, com calma, eu te conto.
- Ok... mas voc acha que ela teria algum tipo de preconceito com
caras mais jovens?
- John, voc no cansa de procurar novas esposas no?
- Na verdade, no. E com 52 anos, ainda no consegui me casar com
uma bruxa...
- Pode me explicar uma coisa? Quem  essa tal de Lyra Bluhm?
- Na verdade, uma vampira de bom corao. Sabe, ela tem toda essa
implicncia com o Caius no   toa...
- T, j entendi... ela foi vtima dele, certo?
- Exatamente... pensam que ela  maluca, porque est h cerca de
20 anos procurando o que eles chamam de "a cura".
- A cura?
- O fim da maldio vampira... no sei se h algo escrito
naquele livro deles a respeito, mas todos dizem a mesma coisa: no tem
volta. Mas ela no desiste. E ela tem conseguido alguns progressos.
- Como o que?
- Ela ainda  uma vampira crepuscular, ou seja pode andar desprotegida
no amanhecer e no por do sol...
- Isso  possvel?
- , se eles nunca sugaram ningum at a morte.
- Ento... ela  como Caius e como estes da famlia.
- Sim, quase inofensiva... quase. Claro que ela precisa de sangue para
sobreviver, mas at que ela no tem dificuldade de encontrar
sujeitos pelos bares para lhe fornecer algum alimento. Talvez por isso
ela seja assim to magra.
- Realmente, ela  magra demais...
- Mas ela inventou algo que eu acho genial... v essa roupa maluca?
Ela tem um jeito de fech-la de tal forma que nenhuma luz do sol
penetra. Assim ela pode caminhar razovelmente bem durante o dia...
obviamente ela no o faz pelas ruas... mas  um esforo
considervel, no acha?
- Perfeitamente.
- Bem... voc quer uma arma, certo? Eis aqui uma espada de prata, 
meo curta, mas duvido que voc tenha problemas usando-a.  Acho que
agora esto todos equipados... vamos dividir as turmas.
John convocou todos os presentes, e dividiu-os em grupos. Steve
lideraria seus trs filhos mais velhos, num grupo armado com bestas de
flechas de prata. John, aproximou-se logo de Virginie e convidou-a para
seu grupo, com seus trs filhos homens que se entreolharam
maliciosamente. Finalmente, olhou para Harry e Sirius e disse:
- Acho que vocs vo se virar bem na companhie destes dois  vampiros
malucos... Voc se importa, Sirius, em formar um grupo com seu
irmo?
- No - disse o bruxo secamente.
- timo...
- E ns, pai? - perguntou Melody, referindo-se a ela e Clara
- No existe "Ns", mocinha... vocs duas vo com nosso
motorista para casa... e ai das duas se eu desconfiar que andaram
levantando da cama para nos procurar.
As duas meninas saram contrariadas, enquanto John abria um mapa.
- Duvido que cubramos a cidade toda numa noite, mas de qualquer forma,
acredito que em duas ou trs noites vamos ter visitado todos os
"lugares legais" de vampiros... - ele foi demarcando as reas que cada
grupo verificaria, com breves explanaes sobre cada lugar. As duas
reas mais extensas eram o porto e os tneis abandonados do Metr,
que John achava que eram mais prprios para um grupo como aquele se
esconder.
- E se ns no os encontrarmos - perguntou Harry preocupado.
- Ns vamos encontr-los - disse Caius olhando para o mapa - nem que
para isso tenhamos que revirar o estado de cabea para baixo.
Sirius apenas olhou de relance para o irmo. Ele no confessaria
jamais, mas sentiu uma ponta de orgulho por isso.
        Antes dos grupos partirem, John revirou os armrios de equipamentos
deapoio e retirou os trs melhores walkie-talkies que encontrou, dando
um para cada lder de grupo e ficando com o terceiro. Sirius ficou
olhando bastante intrigado olhando para o aparelho em sua mo. John
riu e mostrou a ele como o aparelho funcionava:
- Aperte aqui para falar, quando quiser achar um de ns, bruxo
ignorante... - ele apertou um boto e um barulho de esttica, porque
os outros aparelhos estavam prximos, invadiu o ambiente.
- Humpf... coisa barulhenta, prefiro usar isso - disse Sirius mostrando
a varinha mgica
- Sim, mas temos um grupo meio heterogneo, e enquanto voc parece
perfeitamente capaz de apertar um boto, eu e Steve jamais saberemos
como fazer um graveto falar, portanto, aprenda a mexer nisso.
- Harry, fique com essa coisa, aparelhos assim conseguem me irritar
ainda mais que os tais telefones celulares...
- Benvindo ao sculo XXI, Sirius - disse Harry, rindo.
Os grupos partiram em silncio, cada um para sua erea. Quando
saram de perto dos outros, Harr perguntou a Sirius:
- Sirius... voc  o Demolidor, no ?
- Do que voc est falando?
- No tente me enganar, posso ser tudo, menos burro, Sirius. Durante
este ltimo ano estive desconfiando disso, mas aparecer aqui desta
forma, quando eu sei que o Demolidor est na cidade... no tente me
enganar. Voc  o Demolidor...
- Ok, qual o problema disso...
- Nenhum, mas porque voc quis se tornar um auror?
- Por isso que estamos fazendo, para me sentir vivo, porque ficaria
maluco levando uma vida de Hogsmeade para Hogwarts e de Hogwarts para
Hogsmeade... e alm do mais,  s nos meus horrios de folga...
- Se voc  o demolidor ento o Sandman...
- Deixe a bichona fora disso.


Nenhum dos grupos tinha alguma iluso que seria fcil achar o
bando... mas a verdade  que estava sendo mais difcil que parecera
no incio, o metr, que podia ser uma tima opo, continuava
sim, cheio de vampiros e mendigos e mendigos que acabavam como vampiros,
mas nenhum deles parecia estar disposto a acabar com a ordem vigente na
cidade. A incurso por l, feita pelo grupo de Steve, foi quase
infrutfera, apenas resultou na destruio de um pequeno ninho da
aliana, que serviu para os rapazes treinarem, mas que a rigor nada
tinha a ver com a misso.
A rea do Central Park, coberta por John e seu grupo, tinha a velha
turma de sempre, alguns que se escondiam durante o dia nas cavernas mais
profundas, ocultas sob fontes e com outras entradas secretas, mas nada
de mortais associados a vampiros. Tambm por ali os filhos de John
treinaram um pouco, destruindo alguns escravos desavisados, o que na
prxima reunio da irmandade jovem, renderia bravatas e discusses
com os primos sobre qual era o grupo mais valente... John aproveitou-se
tambm para se fazer de grande caador dos vampiros e exbiu-se um
bocado para Virginie (, apesar da idade, ele ainda estava to rijo
quanto aos 27 anos, ele pensava) , talvez ele no capturasse nenhum
grande lder vampiro, mas o que dizer de encontrar a Sr Van Helsing
n 10?
O porto parecia promissor, mas o grupo formado por Harry, Sirius e os
vampiros, que tinha a vantagem adcional do sexto sentido vampiro de
Caius e Lyra, tambm no logrou sucesso por ali. Sirius ainda
transpassou um vampiro que saltou sobre Harry das sombras na primeira
noite, mas no parecia haver realmente nada de to estranho por ali,
era como se sabendo que estava sendo caado, o vampiro misterioso
houvesse se encolhido, e no quisesse ser encontrado.
Mas a verdade era que ele queria ser encontrado, e mais precisamente por
aquele grupo.
No meio da segunda noite de caada, Caius o ouviu. Ele caminhava ao
lado de Lyra, por uma viela do porto quando sentiu o chamado de um
grande vampiro e parou. Algo disse a ele que ele conhecia quem o
chamava, e bem.
- Lyra... voc ouviu?
- No... do que voc est falando?
- De um chamado... um vampiro, acho que  o nosso homem... ele sabe
que estamos caando-o...
- Como ele pode saber, Caius?
- No sei, mas tenho uma suposio... vamos procurar Sirius e
Harry.
Naquele exato instante, Harry acabara de partir ao meio um vampiro de
1,90, dando graas a Deus que aprendera como manejar uma espada.
Observando o que restou do vampiro encolher rapidamente, soltando uma
fumaa enjoada ele soltou um suspiro profundo, um dia acabaria
cansando desta vida... como os Van Helsing aguentavam? Olhou em volta
procurando Sirius, e viu Caius e Lyra se aproximarem, voando como
morcegos. Quando eles tomaram forma humana, Caius perguntou:
- Onde est meu irmo?
- Eu no sei... me distra com um vampiro e quando vi ele havia
sumido.
- Essa no...

Sirius ouvira o chamado. E respondera com uma ameaa. Sentiu que em
algum lugar, o grande vampiro gargalhava em resposta. Aquilo o irritou
profundamente. No gostava que rissem dele, especialmente quando se
tratava de vampiros. Olhou para o anel protetor, firmemente apertado em
seu anular direito. A pedra de sangue cintilou por um instante. Estavam
na pista errada, todos eles. O monstro que procuravam estava longe,
no to longe assim, mas fora dos limites da cidade de Nova Iorque.
Sirius sorriu. Exatamente como o irmo, ele adorava encrencas.

Caius olhou para Harry e disse:
- Chame John e Steve, agora... se eu estou certo, corremos perigo, mas
Sirius corre mais perigo ainda...
- O que voc est escondendo, Caius?
- Harry, oua, eu no tenho certeza... mas algo me diz que esse
sujeito tem fortes motivos para me odiar, e adoraria cumprir a velha
maldio dos Black... eu sou inteiramente culpado do que pode vir a
acontecer com Sirius. Lyra - ele encarou a vampira e seus olhos
cintilaram por um instante - no me perca por um minuto daqui em
diante, eu vou na frente, mas em breve vou precisar de reforos...
muitos reforos, entendeu? Voc  capaz de me seguir?
- Lgico, esqueceu que eu fui criada por voc?
- Eu sei... por favor... tome cuidado, eu posso estar indo ao encontro
de uma enorme armadilha, mas no gostaria que voc casse nela
tambm.
Nesse meio tempo, Harry tentava chamar os outros pelo rdio, mas
parecia que havia alguma interferncia forte. Caius olhou pela
ltima vez para ele e disse:
- Continue tentando, Harry...
- Caius - ele perguntou antes do vampiro transformar-se em morcego -
onde ele est afinal.
- No melhor lugar para um vampiro que queira tomar Nova Iorque estar sem
ser notado - ele transformou-se em morcego e sua silhueta desapareceu
rapidamente no cu sem lua ou estrelas.
- Nova Jrsei - murmurou Lyra, olhando para Harry - Um dos Black
antigos sobreviveu  armadilha de Caius.
- Essa no - Harry disse apertando novamente o boto do rdio para
 chamar os Van Helsing.

Sirius aparatou no lugar de onde achava que viera o chamado. Olhou em
volta. Era o que um dia fora um parque de diverso, mas parecia
abandonado, havia um carrossel em escombros, e todos os brinquedos
tinham faixas que impediam o acesso, com palavras como "AFASTE-SE" e
"CONDENADO".  Ele viu um cartaz, o anncio de uma das atraes do
falecido paque, por sinal a nica que no tinha uma faixa de aceso
restrito. No cartaz, um vampiro branco de cabelos negros estava prestes
a sugar uma bela mulher, ao lado de lobisomens e outros clichs de
terror.
Achara o esconderijo.

CAPTULO 14 - IRMOS DE SANGUE

        Os passos de Sirius ecoavam dentro do labirinto da casa de horrores do
parque de diverses. Ele conjurara uma luz na ponta da varinha, e
tinha a espada desembainhada na mo esquerda. Achava estar preparado
para qualquer eventualidade. O anel lhe dava confiana. Realmente,
no fosse pelo anel, a nvoa que deslizava suavemente atrs dele,
mantendo distncia de alguns passos, j teria se transformado num
vampiro e o atacado por trs. Mas mantinha prudente distncia,
aguardando que ele atingisse o corao do labirinto.
        Enquanto isso, Caius voava rapidamente impulsionado por sua
conscincia pesada... a ltima coisa que queria agora era que o
irmo tivesse o mesmo destino terrvel que ele, ou que seu tio mais
velho que morrera sem se render trinta e seis anos antes, como seu pai
sempre contara a ele, numa histria que povoara seus pesadelos de
infncia. O heri morrendo cercado por vampiros. Mas agora era pior,
porque ele sabia que o vampiro em questo queria apenas fer-lo.
Puro instinto, ele transformou-se no ar em nvoa, e desceu silencioso
pelo ar assim que a presena ficou mais forte, entrando no labirinto
com toda cautela que lhe era possvel.
        Enquanto isso, Harry desistira de chamar os Van Helsing pelo walkie
talkie, e corria pelo Central Park, onde aparatara minutos antes, 
procura de John e seus filhos. Lyra por sua vez, achara  Steve Van
Helsing num tnel do metr na rea que ele avisara que patrulharia
aquela noite e ambos corriam na direo da sada, onde pegariam a
moto dele e tentariam chegar a tempo ao Cental Park para achar John e
Harry.  De vez em quando Lyra sentia o elo mental com Caius enfraquecer
e reforava-o concentrando-se no vampiro, que, mesmo contra a sua
vontade, ela sabia amar profundamente.

        Sirius ouviu um sussurro e voltou-se.
- Saia, covarde - ele disse. -  Tem medo de um mortal?
Ele ouviu de novo a risada do vampiro. Procurou controlar seu dio,
olhando em volta. O anel quase queimava seu dedo, a presena do
vampiro era muito forte. Um dos dons do anel era fazer seu portador
saber quantos vampiros o cercavam, e Sirius sabia que era um s. Mas
sua fora era assustadora.
- Voc parece com Sirius - sussurrou a voz invisvel
- Eu sou Sirius.
Outra risada.
- Porque voc no aparece?
A pergunta ficou sem resposta. Um silncio negro e ameaador pairava
em volta dele. Ouviu ento a voz de Caius, no incio do Labirinto
- Sirius?
- Estou aqui Caius.
Houve um rudo surdo e Sirius chamou Caius de novo. Ele sentia a
presena do irmo por causa do anel, mas agora a presena estava
mais fraca. Subitamente, algum saiu de um vo da parede, e antes
que ele pudesse reagir, um choque de 110 volts aplicado por uma arma de
choque, destas que se usa para defesa pessoal, o derrubou, deixando-o
indefeso.

Caius no podia acreditar que fora pego. Sentia-se estpido ao
extremo.
- Est no Grimoire, sobrinho - disse o vampiro que finalmente
aparecera, agora que ele estava imobilizado - Uma corda, feita de fios
sara sagrada, pode imobilizar qualquer vampiro... voc nunca leu o
Grimoire que roubou de mim? - ele sorriu. Seu rosto era deformado, a
cabea, sem um fio de cabelo. Faltava-lhe um olho e ele no tinha um
brao. Mas ainda assim, Caius o reconhecera antes mesmo de v-lo:
Morpheus Black, vampiro centenrio, o pai da maldio.
- Eu estou me perguntando como voc sobreviveu - Caius deu uma olhada
furtiva nos trs homens que tentavam em vo sacar o anel da mo
direita de Sirius. Precisava ganhar tempo. Se eles conseguissem tirar o
anel, tudo estaria perdido. Sirius j recobrara a conscincia, e
mesmo amarrado, debatia-se dando imenso trabalho aos trs
sangue-quentes.
- Caius, eu conheo seus truques... na verdade voc est fazendo
isso para me distrair, certo? Voc realmente mudou nestes anos...
nunca imaginei que tivesse considerao pelo irmzinho mais
novo... eu vou vampiriz-lo, nem que para isso meus companheiros
precisem arrancar-lhe o dedo... ou o brao, como aquele maldito Van
Helsing fez comigo, quando voc me traiu... voc fez tudo certo, mas
cometeu um erro. Armou para que eu fosse pego por um Van Helsing jovem,
inexperiente. Ele acreditou quando eu simulei minha morte evaporando em
nvoa. Se fosse um dos mais velhos teria desconfiado de uma morte
to fcil...
- Mas mesmo inexperiente posso ver que ele fez um grande estrago em
voc. Voc est ainda mais feio, "titio"
- Lord Morpheus - interrompeu um dos homens - o anel no sai de jeito
nenhum.
- Vamos ter que usar o plano b... - disse Morpheus
- Como diabos voc conseguiu estes malucos para te seguir? - Caius
olhou o pequeno grupo. Trs homens, nenhum deles vampiro.
- To fcil, Caius... voc anda todas as noites perto deles e
no os conhece? Eles so fascinados por ns... e quando eu acabar
o que quero fazer, vou dar-lhes o presente, e eles tero vida eterna.
Hermes era fascinado pela vida vampira, sempre achou que ramos reais,
no apenas frutos da imaginao humana ou personagens de joguinhos
de RPG. Lloyd  meu perito em tecnologia. Ele tem recursos e aparelhos
que parecem mgicos... ele que deu a idia dos projetores
hologrficos, e ele que estudou os Van Helsing sem ser percebido, e
entrou na frequncia de rdio deles esta noite, para atrapalhar sua
comunicao... Sempre amei a tecnologia, desde o tempo que eu era a
aberrao da famlia. A tecnologia vai fazer os bruxos
desaparecerem, quem precisa de mgica se pode usar tecnologia, hein? E
finalmente Klaus, o forte, eu o conheci entre os mendigos, ele foi o
primeiro que me seguiu. Voc tem idia do que  estar ferido e
s dentro de um buraco de esgoto por dias, fraco demais para sair?Se
no fosse um sangue quente da manuteno de rede, que me serviu de
alimento, eu estaria l at hoje.
- Porque eu no soube de voc, Morpheus?Porque no conheci nenhum
ex-escravo seu feito depois da sua falsa morte?
- Hermes, Lloyd e Klaus os mataram para mim. Eu os mantive puros para
poder concretizar minha vingana.
- Voc quer ser o novo Valek.
- Sim... e vou acabar com a aliana, depois que acabar com voc...
s restam dois lderes, sem eles, os outros ficaro sem rumo, e eu
farei a Nova Aliana... e seremos novamente quatro grandes, como nos
velhos tempos. Meus amigos vo te matar, Caius. Mas antes, eu farei
teu irmo meu escravo, e no vou mat-lo, vou mant-lo sob meu
jugo por muitos anos, para que do inferno sua alma possa chorar por
ele... eu te darei uma eternidade de sofrimento em troca dos anos que
passei rastejando, Caius.
- Lorde Morpheus... - um dos homens tinha um cutelo  na mo e Caius
percebeu terrificado o que ele faria.
Foi aquilo que o fez investir, e sem saber como, romper, ferindo-se
muito, as cordas de sara sagrada que o prendiam. Ele guardara sua
fora por tempo demais, e agora ela despertava de forma devastadora,
assustando at mesmo Morpheus Black. Sem querer saber se morreria,
Caius saltou sobre a espada de prata que fora tirada de Sirius, sentindo
o punho queimar-lhe a mo assim que ele o tocou. Investiu contra
Morpheus disposto a mat-lo e a morrer para salvar seu irmo de
sangue.
Porm o esforo foi demais, e a sua mo direita comeou a
queimar, mas ele no queria largar a espada, e suas foras faltaram.
Deu um passo em direo a Morpheus, que desviou-se do golpe, mas a
espada feriu de leve a mo restante do vampiro, a mo direita, que
ele ainda tinha. Caius gritou de dor pois uma ferida idntica surgiu
em sua mo direita, a que segurava a espada. E ele caiu ao cho,
sentindo a espada soltar-se de sua mo. Sentiu formarem-se lgrimas
de sangue em seus olhos, e sob a nvoa vermelha, reconheceu os sinais
que o Grimoire assinalava de morte iminente: lgrimas de sangue,
imobilidade e dor intensa. Era a pena imposta pela maldio para
aqueles que tentavam matar diretamente um semelhante. Morpheus olhava-o,
rindo.
- Eu tambm j passei por isso, Caius... eu tambm tive lgrimas
de sangue nos olhos uma vez, quando voc me traiu... eu vou olhar para
voc at ter certeza que voc se foi, para encontrar sua alma no
inferno... mas antes, voc vai ver seu irmo virar vampiro. Os Van
Helsing esto longe agora, acabou para voc. Faa, Hermes.
Com um movimento nico, o homem ergueu o cutelo e arrancou a mo de
Sirius, que urrou de dor. Os outros dois contiveram a enxurrada de
sangue, e Morpheus se aproximou, tomando o pulso de Sirius e sugando
firmemente, queria sentir a vida dele se extinguindo. Foi quando ele
viu.
Uma pedra pendurada no pescoo de Sirius brilhou intensamente por um
segundo, e entre ele e Morpheus surgiram quatro figuras. Uma delas tinha
uma espada. Uma katana de prata.
- Surpresa, feioso - disse John Van Helsing, cravando a espada to
rpido em Morpheus Black que o vampiro no teve tempo de dizer
sequer um ai: John o empurrou at a parede, onde ele ficou cravado,
temtando falar, mas sem palavras. O vampiro encarou John Van Helsing por
um instante e ele disse; - , bruxos tambm vivem me surpeendendo,
cara . Boa viagem para o inferno - ele disse, desembainhando uma segunda
espada e com ela arrancando a cabea de Morpheus, que explodiu com um
grito terrvel.
 Os cinco companheiros no-vampiros dele pararam petrificados de medo.
Steve Van Helsing apontava uma arma, uma pistola de design bem futurista
para eles:
- Garanto a vocs que essa belezinha no faz mal s para vampiros
Harry j estava ajoelhado junto de Sirius com Lyra. Olhou de relance
para Caius torcendo para que no fosse tarde demais. Pegou a mo
decepada de Sirius no cho e pediu que Lyra unisse-a ao pulso.
Felizmente, aprendera bastante sobre medicina bruxa na escola de Aurors.
- Conjuro Integrale! - ele disse, e uma luz intensa banhou a mo
decepada, que se uniu ao brao. A luz subiu pelo brao de Sirius, e
quando atingiu o peito, ele gritou de dor, mas um instante depois,  deu
um suspiro profundo e aliviado. Lyra o livrara das cordas, e Harry
abraou o padrinho, que disse:
- Como eu sempre digo... voc  bem filho de seu pai... -
subitamente ele lembrou-se de algo e olhou para o irmo.
Caius estava cado ao seu lado, imvel, os olhos vidrados. Dois
filetes vermelhos escorriam de seus olhos. Na sua mo direita, meio
enegrecida, brilhava uma fraca chama azulada, onde a prata o tocara. Ele
encarou Sirius e deu um dbil sorriso:
- Voc tem um afilhado legal, sorte sua, meu irmo. Cuide-se...
- Voc no vai morrer, Caius...
- Eu j morri, h trinta anos, lembra? Voc foi no meu enterro,
que eu sei - a voz de Caius era um sussuro dbil. Sirius gritou para
Lyra:
- Deve haver algum meio, me diga, eu no quero perder meu irmo!
- Apenas... sangue - murmurou a vampira.
Entendendo, Sirius ergueu-se e pegou o punhal de Harry, que no
interviu, por respeito.  Encostou o punhal afiadssimo no pulso
recm reconstitudo, e deu um pequeno talho, por onde escorreu um
filete de sangue, quente, vermelho, brilhante... ele havia perdido algum
sangue, mais um pouco no iria mat-lo. Abaixou-se ao lado do
irmo e ordenou:
- Beba - Caius olhou o pulso do irmo e balanou a cabea em
negao. Sirius estendeu-o com mais determinao e disse
firmemente - no seja tolo!
Caius encarou novamente o irmo, e deu outro sorriso plido,
encostando os lbios no pulso aberto. Sugou um pouco do sangue quente
que o irmo oferecia, e uma recordao apareceu intensa, na mente
de ambos.

Sirius tinha sete anos, Caius 14, era o perodo de frias, e como de
hbito, Sirius estava de castigo. Mas desta vez Caius no concordava
com a punio, que acontecera porque Sirius surrara um garoto da
vizinhana, um tal de Malfoy. Caius sabia quem era o garoto, e tinha
certeza que Sirius tinha bons motivos para surr-lo.
Aquela tarde, Sirius estava trancado no quarto do segundo andar,
forado a estudar matemtica trouxa, quando Caius apareceu montado
na sua comet 200 e disse:
- Suba. Vamos dar uma folga no castigo.
Voaram para bem longe de casa, empanturraram-se de doces e riram at
ter dor de barriga. Quando voltaram, deram de cara com o pai, que os
esperava para aplicar um castigo, desta vez a ambos.
Mas nenhum dos dois ligou, porque a diverso valera a pena, e muito. E
por muitas vezes eles riram lembrando daquela tarde, inclusive, na
ltima vez que haviam rido juntos, num fim de semana em Hogsmeade,
mais de trinta anos antes. E lembrando disso, os dois, que se olhavam
nos olhos enquanto Caius sentia o sangue e as emoes de Sirius
salvando-o, comearam a rir, ante perpelexiadade de todos em volta,
at que estavam, a despeito tudo, gargalhando juntos, enquanto Caius
segurava o pulso de Sirius mantendo-o fechado. Sirius ergueu e abraou
o irmo, que disse:
- Obrigada, meu irmo.
Os dois se encararam novamente. Sirius percebeu que a mo de Caius
jamais seria a mesma. Apesar do sangue dele ter recuperado o irmo,
aonde ele segurara a prata, na tentativa de salv-lo, uma extensa
cicatriz permaneceria para sempre, na sua mo direita. Por sua vez, a
mo direita de Sirius teria para sempre a fina cicatriz como uma
pulseira, bem no local onde Harry a unira ao brao.
Caius encarou o irmo, vendo a realidade: no era mais um garoto, e
dentro de alguns anos,  estariam separados para sempre. Mas eram
irmos e o seriam para sempre: irmos de sangue e irmos de alma.
Sorriu e disse:
- Nunca esquecerei o que voc fez por mim, meu irmo. Eu protegerei
voc e toda sua descendncia, enquanto estiver sobre a terra.
Perdoe-me se um dia eu quis te fazer mal, Sirius.
- Eu te perdoei h muitos anos, Caius...
- Cuide desse pulso... voc perdeu um bocado de sangue.
- Foi por um bom motivo...
- T bom, t bom - disse John - estou emocionado...
- Porque no temos uma relao assim, John? - caoou Steve
- Porque voc  um maldito psicopata recalcado - rebateu John - mas
eu acho melhor tirarmos essa turma toda daqui antes que o sol chegue e
Caius fique preso neste maldito trem fantasma... que crime ser que
estas bestas quadradas cometeram? - perguntou olhando para os ajudantes
do falecido Morpheus.
- A rigor - disse Steve, que era o advogado da famlia - nenhum
perante a legislao americana, porque para ela, sendo aliados da
gente ou no, vampiros no existem...
- Sendo assim...SUMAM - gritou John para o grupo, que saiu correndo por
dentro da casa dos horrores - e no se esqueam que vo topar com
a gente se resolverem procurar algum outro maluco que que se proponha a
transform-los em sanguessugas!
- S no entendi uma coisa... como vocs chegaram aqui to
rpido - disse Caius - eu tive a impresso que vocs aparataram...
mas vampiros e trouxas no aparatam...
- Chave de portal - disse Harry puxando a pedra idntica  de Sirius
de dentro da camisa - essas coisinhas felizmente no tm
preconceitos contra vampiros ou trouxas.
- Eu no me acostumo a ser chamado de trouxa - rosnou Steve.
- timo, disse Caius, porque  exatamente isso que voc ,
panaca.
- Ei, no comecem - interviu Lyra - vamos embora, no tem mais nada
aqui para ns.
- Sabe - disse John arrancando da parede a espada que usara contra
Morpheus - at que para uma vampira voc  uma garota bem legal.
Essa foi a frase mais inteligente que eu ouvi aqui.
Sem olhar para trs, o grupo deixou o velho parque abandonado. Eram
quatro da manh. Em Nova Iorque, todos os vampiros comeavam a ir
para seus esconderijos.


CAPTULO 15 - SOBRE PRESENTE, PASSADO, FUTURO...

        Harry chutou uma pedrinha, enquanto caminhava alinhado a Sirius, John e
Steve. Caius e Lyra haviam desaparecido h alguns minutos,
desfazendo-se em nvoa e entrando pelo subterrneo.No podia
acreditar que finalmente aquela histria com vampiros tinha acabado.
Olhou a cicatriz no pulso de Sirius:
- Foi por pouco, hein?
- Mais dois ou trs minutos - disse Sirius girando o pulso
reconstitudo - e eu ia ter que me acostumar a ser canhoto a
fora...
- Nunca pensei que fosse precisar usar esse feitio.
- Olho-Tonto Moody tambm no... ele hoje no usaria perna de pau
se tivesse treinado isso melhor, pelo que sei - ele riu e Harry o
acompanhou.
- Sirius... porque? Orque deixar o sossego de Hogwarts... porque assumir
essa misso?
- Porque eu tinha diferenas pessoais com o assunto... porque no ia
deixar o panaca do Sandman cuidar de um caso...
- Quem  o Sandman?
- Se voc tem miolos, vai acabar descobrindo. No me pergunte mais
sobre isso e vamos falar de outra coisa...
- Ok, ok... Lyra parece legal...
- Seria timo se ela e Caius se entendessem, no acha? Ela  bem
mais centrada que ele.
- Eu sei bastante sobre ela - interrompeu John - Eu a conheci antes, ela
andou perturbando muito a irmandade quando fazia pesquisa sobre
vampiros... era uam espcie de maluca que tenta a todo custo provar um
ponto de vista... naquele tempo, eram os vampiros, agora, esta
histria de cura...
- Gosto por causas perdidas - disse Steve - nunca ela provaria para po
mundo que vampiros existem, ns mesmos no tentamos fazer isso...
seria abrir uma porta muito perigosa... da mesma forma ela agora quer
deixar de ser vampira... isso  impossvel.
- Pelo que eu sei - disse Sirius - ns fazemos muitas coisas que
vocs, os trouxas, acham impossveis,  no deve dizer que a garota
jamais vai achar a cura... quando ela apareceu no meu hotel com aquela
roupa esquisita, alm de imaginar como ela passou por todos vestida
daquele jeito, eu achei que ela devia ser bastante determinada...
- Porque voc compareceu sem o disfarce, Sirius? Se tivesse ido como
demolidor, eu jamais teria desconfiado de voc...
- Harry, como eu te disse...  pessoal, esta histria, assim como
essa cicatriz aqui no meu pulso  pessoal. Vou deix-la exatamente
aqui para que eu nunca me esquea que um dia eu quase fui para o
inferno... Cus, se eu viver mais cem anos eu no vou esquecer este
dia...
- Voc no vai viver mais cem anos, Black - disse John rindo - seu
estilo de vida no  dos mais saudveis.
O grupo parou olhando Nova Iorque de longe... o sol comeava a
aparecer de mansinho  iluminando a cidade que nunca dorme.
- Ser que a gente acha um txi - bocejou Steve - estou de saco
cheio de caminhar
- Nessas horas  bom ser bruxo... vamos desaparatar, Harry?
- Claro. Estou com sono... vou dormir um bocado, agora que isso acabou,
ainda que naquele quarto de hotel imundo...
- Adeusinho, trouxas - disse Sirius, e os dois desaparataram.
- Sabe, John.... eu ainda no me decidi realmente se gosto ou no
desses caras.
- Voc gosta, Steve, exatamente como eu... ainda que diversas vezes
queira ardentemente lhes apertar o pescoo.

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- Eu devo lhe advertir que tenho mais idade que pareo...
- Eu posso te garantir que no tenho esse tipo de preconceito
- Eu sou uma bruxa... acabo de receber um certificado que estou
readmitida pela comunidade mgica internacional...
- Eu diria que eles at entendem quando cometem um erro...
- Voc sabe que eu passei 212 anos amaldioada?
- Acho que voc pode me contar isto com bastante calma, Virginie
Vermont, e futuramente, tenho certeza, Van Helsing
- Quem disse que eu vou querer me casar com um sujeito que tem 9
ex-esposas?
- Porque 10  um nmero par? Olha, paquerar em Nova Iorque  muito
difcil, conseguir um bom encontro  to raro quanto achar um
"m&m" dourado... no que voc no seja capaz nem nada... aqui
todas as mulheres querem se mostar fortes e independentes, e um sujeito
como eu est louquinho para achar algum do sculo XVIII, com uma
mente mais conservadora e...
- Devo advert-lo que eu era considerada bastante avanada para a
poca...
- Ah, quer saber? Eu estou apaixonado por voc, Virginie...
-  srio?
- O que voc acha?
- Que voc se casa demais... no quero ser uma estatstica...
quero um tempo de namoro
- Eu tambm j namorei demais... duas semana, que tal?
- Dois meses... no namoro h mais de cem anos
- Um ms e no se fala mais nisso.
- Mas eu  - John avanou e abraou Virginie com fora, beijando-a,
depois de algum tempo, ele olhou-a e disse:
- Velho clich de filme americano... mas eu sou um cara cheio de
clichs... fica comigo?
- O que voc acha?
Escondidas atrs de uma cortina, Melody e Clara observavam a cena.
- Ento - sussurrou Clara - temos uma madrasta n 10... gostamos ou
no dela?
- Eu acho que gostamos... ela toca violino. Isso  legal. Ela 
bruxa, isso  mais legal ainda...
-  mesmo... uma bruxa que toca violino, coisa estranha...
- Isso me lembra um negcio.
- O que?
- Aquele filme que tem umas crianas e uma madrasta que canta...
vamos!
As garotas saram correndo pelo grande apartamento para avisar aos
irmos que teriam que comprar novas roupas para um casamento.

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        Quando Hary finalmente acordou, j estava de noite. Pensou em Sirius,
olhando a chave de portal, mas achou que no era uma boa hora para
falar com o padrinho. Depois de dias convivendo com Caius, no
acostumava-se muito com a idia de no ver mais o vampiro. Uma coisa
ele tinha de terrvel: era um cara legal demais para ser odiado.
        Ento Harry riu. Sabia exatamente onde o encontrar.
        O "The Bay Way" naquele dia estava menos cheio que na primeira vez que
encontrara Caius ali. Talvez reflexo  da ltima confuso. Entrou sem
dificuldades na boate e ficou olhando pelo salo, at que o achou,
no mesmo lugar onde o encontrara pela primeira vez, com um bloody mary
 sua frente:
- Sabia que voc viria...afinal, fiquei te devendo uma histria...
- Na verdade, vim s para me despedir, mas suas histrias sempre
so boas...
- Eu queria lhe contar o que me aconteceu quando fui trado - Harry
olhou a mo de Caius, com a imensa cicatriz -  uma histria
curta....
- Conte, Caius.
- Quando e fiz minha primeira vtima, no imaginava que estava
vampirizando a namorada de um Van Helsing...
- Steve?
- Ele mesmo. Misty ficou ao meu lado durante seis anos, imaginando uma
forma de ser salva por ele... mas no havia esperana para ela.
Steve queria de qualquer forma destruir "fog" o vampiro que levara
embora sua garota... ele no sabia que era eu. S John descobriria
isso, algum tempo mais tarde, e diria a Sirius, que veio at aqui
algum tempo antes de ser preso me procurar.
- Ele nunca me disse isso.
- Mas ele no me viu, eu me escondi dele, e ele achou que John estava
enganado. Ento, eu trouxe Lubna para meu lado, assim que ela
conseguiu se libertar de Morpheus, o que atraiu a inimizade dele... foi
por isso que eu acabei com os outros vampiros do cl dos Black e
imaginei que tinha acabado com Morpheus. Misty tinha sido uma
companheira leal, mas era Lubna que eu amava, era por ela que eu
estivera esperando... ento Misty resolveu que iria me entregar para
Steve... ela na verdade nunca o esquecera.
- Foi nessa poca que uma mulher se tornou a piada favorita dos
vampiros, a pesquisadora que queria provar que existamos: Lyra
Bluhm... Todos fugiam dela, ningum queria realmente ficar muito
prximo a uma sangue quente que nos encarava como animais de
zoolgico. Eu me apresentei a ela e disse que ela podia saber tudo que
quisesse sobre vampiros... , eu a vampirizei. Quando ela despertou,
ficou desesperada: ela no queria ser vampira. Eu falei para ela do
Grimoire, que l estava escrito que enquanto um vampiro no mata,
h esperana para ele. No sei como, no sei porque, mas o fato
 que Lyra  a nica vampira que conheo que resistiu  fome,
mesmo comigo impondo que ela deveria matar, mesmo tentando impor minha
vontade sobre a dela... ela jamais cedeu. Nesse meio tempo, a aramdilha
que Misty fizera para mim j estava pronta.
- Uma noite, eu e Jane nos vimos cercados sem possibilidade de
escapar... muitos Van Helsing juntos e Misty estava com eles... Jane
enfrentou Steve Van Helsing, mas quem surgiu e me salvou foi Lyra. Lubna
estava a caminho, mas Lyra chegou primeiro. Era quase a hora do
amanhecer, e Lyra conseguiu me por a salvo segundos antes que o sol
nascesse... mas ela, que ainda podia caminhar meia hora durante o nascer
ou o por do sol, viu a morte de Jane e Misty. Eu passei a ter uma
dvida de gratido com ela.
- Lubna no gostou nada disso, ela era minha companheira e no
admitia concorrncia, eu ento libertei Lyra,e disse que fosse
embora, que se queria tanto a cura, que fosse procurar...
- E ela foi.
- Sim, mas me roubou o bem mais precioso que um vampiro pode querer: o
Grimoire, meu livro!
- Que voc havia roubado de Morpheus, claro...
- Isso  um detalhe. Eu passei a detest-la, e durante todos estes
anos, ela sempre esteve por perto, porm, no ramos amigos, e ela
adorava dizer a todos que tinha me roubado o Grimoire. Eu tentei
recuper-lo, mas ela  esperta demais. Na verdade, acho Lyra
admirvel... sabe como ela se alimenta? Ela se aproxima de pessoas
infelizes, e comea a conversar com elas, eu j a vi fazer isso
milhares de vezes... ento, quando a pessoa est sentindo-se melhor
ela a vampiriza, deixando-os melhor do que quando ela os encontrou. E
assim ela tem resistido por anos...
- Porque voc est me contando isso?
- Porque tenho pensado demais em Lyra... Harry, acho que no tenho
mais histrias para voc...
- Ento, creio que  aqui que nos despedimos...
- At porque Sirius est do outro lado da boate disfarado
esperando que voc v embora, ele jamais se aproximaria de mim com
voc olhando, ele  um Black, cabea dura  patrimnio de
famlia para ns...
- Ento, Caius... adeus
- At breve, espero. Tomara que nunca mais voc encontre outro como
Azazel.
- Na minha profisso esse tipo de conselho costuma ser intil.
- De qualquer forma, boa sorte.
- Para voc tambm.
Caius observou o jovem auror se afastando e sorriu para Sirius, que se
aproximou sem palavras.
-  uma vergonha vir ver o irmo disfarado...
- O que voc quer Caius?
- Te dar algo que voc  orgulhoso demais para pedir - ele enfiou a
mo no bolso do casaco e retirou um pequeno frasco de vidro tampado.
Dentro havia um lquido negro - o sangue de um Van Helsing  fcil
de obter, John te arrumar um pouco de boa vontade... o seu eu nem
menciono... agora voc tem o sangue de um vampiro, dado de boa
vontade. Faa mais um anel como este que voc usa.
- Porque voc est me dando isso?
- Porque voc tem dois filhos, e ao contrrio de nosso pai,  um
pai justo. Faa um belo anel para seu filho mais moo.
Os dois irmos se olharam por um segundo, ento sorriram.

        Quando Harry finalmente arrumou tudo e subiu em sua moto disposto a
aparatar para o outro continente, um tom rosado j tingia o horizonte.
Sorriu e olhou pela ltima vez a cidade... estivera ali apenas por uma
semana, mas vivera uma aventura que parecera imensa... pensou na sua
casa e sorriu. Willy e seu filho o esperavam, era bom estar vivo...
tinha muitas histrias para contar para ela. Dando uma ltima olhada
na cidade disse  moto:
- No reclame, j fizemos isso antes.
Tomou distncia com a  moto e indo na direo do mar, embicou a
moto para a direo da Inglaterra. Fechou os olhos e quando os
abriu, j havia aparatado do outro lado do Oceano. Era sempre bom
voltar para sua casa.

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        Lyra e Caius estavam naquele momento no alto de um edifcio. Ela o
convencera a usar a roupa que fizera para proteger vampiros da luz
solar. Era um macaco de tecido grosso e negro com luvas e capuz, que
lembrava uma roupa de mergulho, com uma mscara de vidro que no
deixava ver-se o rosto de quem a usava. Caius comentou que quem os visse
ali acharia que a Terra estava sendo invadida por aliengenas.
- No me diga que voc no gosta de poder ver novamente o sol
nascendo sobre Nova Iorque?
- Bem, com esse vidro escuro fica tudo em preto e branco...  como ver
o sol  nascendo num filme de Woody Allen.  Emocionante - disse ele de
forma irnica
- Caius, esse seu hbito de caoar do que os outros fazem  que te
torna ainda mais insuportvel, como se no bastasse sua megalomania
e egocentrismo.
- Eu tambm gosto muito de voc, Lyra... no seu caixo ou no meu?
-  Quem disse que eu quero sua companhia... eu jamais ficaria com um
vampiro que mantm uma ex companheira emparedada s por capricho,
voc  sexista, covarde e...
- Eu libertei Artemis. Quero que voc seja minha companheira
- ... e alm de tudo voc desmerece tudo que eu... o que voc
disse?
- Eu nunca tive nada em comum com Artmis, cheguei a concluso que
quero uma companheira inteligente, Artemis nem ligou, a essa hora deve
estar dormindo ao lado de algum lder da aliana, beleza para
agradar qualquer um deles ela tem.
- Mas... ns dois nunca daramos certo... e voc ama Lubna
- Lyra, Lubna foi o amor da vida de um jovem bruxo idealista que morreu
h trinta anos atrs... minha histria com ela acabou no dia que
Salathiel libertou a alma dela. No adianta eu perseguir um fantasma
do passado, entende? Mesmo que voc me obrigue de vez em quando  a
usar uma roupa de aliengena,  com voc que eu quero estar pelos
prximos anos... por muito tempo.
- E se eu no quiser?
- Nenhum vampiro gosta de estar sozinho... voc prefere um daqueles
que tem bafo e se escondem nos tneis do metr?
- Com certeza no... na verdade voc sempre estraga tudo, eu tinha
planejado te entregar seu grimoire hoje... porque eu acho que perdi
tempo demais com essa histria de cura...
- No, eu quero meu grimoire de volta, mas voc no est
perdendo tempo... se existe uma cura, ns vamos procur-la juntos...
sabe, ter a eternidade pela frente  muito chato, quando no se tem
um objetivo a conquistar.
- Eu no sei o que dizer, Caius...
- Comece ento me respondendo esta pergunta: No seu caixo ou no
meu?
Os dois vampiros comearam a rir. Ento, ele a puxou e os dois foram
descendo os andares do edifcio a p, porque durante o dia, com ou
sem roupa especial, no podiam usar seus poderes. Um pombo branco, que
estivera observando-os conversar, levantou vo satisfeito. Podia
seguir em frente em sua misso.

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        Meses depois, Salathiel estava desfrutando novamente de seu dom da
ubiqidade, cuidando de vrios assuntos ao mesmo tempo, como sempre.
Mas aos poucos, deixou-se ficar apenas em um lugar, uma maternidade
bruxa onde uma jovem bruxa dava  luz uma criana. Ele observou todo
o nascimento, sem intervir. J cuidara das outras duas, aquela era a
ltima. O mdico bruxo pegou a criana recm nascida, que
comeou a chorar alto.
-  uma menina - disse o mdico para a bruxa, que suspirou feliz
olhando sua filhinha. - ela j tem nome?
A mulher parou por um instante olhando a menina... ela e o marido haviam
combinado um nome, mas era engraado como esse nome parecia no
pertencera quele pequeno serzinho em seus braos. Franziu o rosto
sem sentir, quando o anjo invisvel sussurou algo em seu ouvido.
- Lubna - ele disse - vai se chamar Lubna,
Salathiel sorriu e abriu suas asas invisveis, voando para longe dali.
Num lugar bem distante, um vampiro se mexeu no seu sono diurno.
Normalmente, vampiros no sonham... mas aquele estava tendo um sonho.
Um belo sonho, sobre seu passado, presente e futuro.

Fim.
